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Michele, 26 anos, ex-escritora de fanfic e agora escritora de livro de verdade.

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Sobre a romantização do sofrimento como inspiração e sobre minha leveza

O ano era 2015. Ou 2016. Talvez 2017? Mas, em um desses três anos, já vivendo em São Paulo e vivendo o que seria o meu maior período de paixões rápidas e irrelevantes, conheci uma pessoa que se tornou um dos meus mais especiais amigos. Tenho facilidade em atrair gente talentosa para perto de mim e ele, que também escrevia, um dia resolveu me contar a leitura que ele tinha feito sobre minha pessoa, de uma forma bonita e poética. Só que, aqui entre nós, eu não tinha gostado muito da versão dele. Para ele, a Michele era atraída pelo drama. Me senti ultrajada, afinal, ninguém gosta do sofrimento; ninguém gosta de sentir a garganta fechar por causa de alguma incerteza ou da falta de apetite que algumas situações amargas nos causam. Não, jamais. Impossível. Ahn ahn!

Ele riu diante das minhas negações incisivas e repetiu: "você gosta do drama e você precisa dele para criar". Em 2015, ou 2016, talvez em 2017, Felipe me traduzia antes mesmo da Taylor Swift escrever que jurava que não amava o drama, o drama é quem amava ela.

Anos (?) mais tarde, a constatação:
Não é que ele tinha razão?

Ilustração: Olimpia Zagnoli
De uma forma inconsciente, eu sempre me vi atraída por pessoas que, no fundo, eu sabia que me proporcionariam algum tipo de sofrimento. Uns me trariam aquele sofrimento doído, com direito a escolha de uma música que pudesse abafar o meu choro e dar um ritmo à dança das minhas lágrimas; outros me trariam aquele sofrimento bobo, que dá só uma dorzinha de estômago e deixa a boca seca; outros, porém, me trariam aquele sofrimento que incomoda por semanas, que apesar de não ser intenso, é prolongado. E todos eles viraram textos. Todos. Sem exceção.

Um virou carta. Outro virou manifesto. Outro virou relato. Outro virou reflexão.

Eu precisava da dor pra ter vontade de escrever e eu precisava escrever. Consequentemente, ia entrando em histórias conturbadas, assumindo papéis que não me cabiam e, assim, escrevendo. Relatando. Desabafando. Alugando vocês, leitores e leitoras, com histórias que eu já sabia do desfecho antes mesmo de começa-las. Vocês leram minhas lamúrias. Vocês leram minhas lágrimas. Vocês leram esses amores que eu já sabia que passariam longe de serem eternos.

Vocês estiveram aqui e, por isso, preciso contar para vocês que eu cansei.

Cansei. Não de escrever - isso nunca. Mas cansei de me entregar em relacionamentos que não eram relacionamentos. Cansei de fazer parte de situações que não precisavam da minha participação. Cansei de ser uma boa companhia para quem não a merecia. Cansei de sofrer. Sim, cansei de todos os sofrimentos citados ali em cima. Cansei, chega, deu.

Porque, depois que assumi meu cansaço e o abracei, veio a leveza. E apesar da minha leveza ter nome e sobrenome, aqui continuará sendo só leveza, porque foi isso que senti desde o início. Desde a a apresentação formal, desde a primeira troca de risos, desde o primeiro sorvete ruim do McDonalds compartilhado, desde a primeira vez em que dividimos a cama sem edredom. Ele me trouxe uma leveza absurda, algo com o qual eu não estava acostumada. Não teve insegurança causada propositalmente. Não teve jogo. Não teve teatro. Não teve sofrimento.

Não, nenhum deles.

Ilustração: Olimpia Zagnoli

Eu não estava acostumada com a leveza (no caso, a leveza como substantivo simples), mas diferentemente das vezes em que cruzei com pessoas leves, eu não quis fugir e sair correndo. Porque além de leveza, ali tinha conexão, afinidade. Talvez até amor, mesmo antes de ser, se me permitem o clichê. A leveza (aqui, como substantivo próprio) não me fez sofrer. Pelo contrário: a leveza me fez conhecer um novo cenário. Um cenário mais bonito e muito mais inspirador. Quem diria!

Se antes um me fazia querer escutar uma música para abafar o choro, agora eu preciso de uma música alta para ser cantada a plenos pulmões porque a felicidade é brega, mesmo. Se antes o estômago doía de agonia, hoje dói porque exagerei no lanche que foi preparado na churrasqueira da varanda. Se antes algo incomodava, hoje conforta. E como é bom se sentir confortável com uma situação; com um alguém.

Se eu estava feliz e com vontade de contar ao mundo, por que, então, a felicidade seria menos inspiradora que o drama? Da onde foi que nós tiramos que precisamos sofrer para criar? Que precisamos sempre da dor para ter arte?

Já fazia tempo que o drama tinha parado de me inspirar e precisei de histórias de outras pessoas para escrever, vocês viram. Por sorte, a leveza apareceu e, com ela, a minha inspiração. A minha vontade. Do mundo, de criar, de viver, de escrever, de amar. Assim, do nada, depois do meu expediente e em um boteco perto do trabalho.

Vou te falar que esses últimos tempos me fizeram constatar que sofrimento até rende músicas boas, mas a leveza, o substantivo simples, rende uma vida bem mais bonita.

E veja só,
Sem drama.

Quem diria!

Comentários

  1. Felicidades ! A vida sempre encontra uma maneira de nos surpreender.... :)
    Evani

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  2. Quando a vida fica mais leve, aaaa... como ela é bonita!

    Beijo enorme
    Quase Aurora

    ResponderExcluir
  3. Que possamos viver uma vida mais leve.
    Bom final de semana!

    Jovem Jornalista
    Fanpage
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

    ResponderExcluir

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