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Michele, 26 anos, ex-escritora de fanfic e agora escritora de livro de verdade.

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Estive pensando sobre o que é arte

Esses dias me disseram, da forma mais doce do mundo, que eu faço arte. No sentido literal, mesmo, e não da forma que nossos pais usavam para repreender alguma bagunça. Eu sorri nervosa e disse que não, que de forma alguma isso que eu faço pode ser categorizado como arte. O que eu faço são textos pessoais que, por sorte, fazem uma ou outra pessoa sentirem algo.

Diante da minha explicação, a réplica: “Então! Isso é arte”, a pessoa me reafirmou. E desde então, eu fiquei com isso na cabeça - por tanto tempo que precisei transformar em texto. Nesse texto.

A arte é tão abstrata que ela possui diversas definições. Platão e Aristóteles já divergiam sobre o assunto quando o nosso conceito de estética ainda estava por ser construído (constituído?) – e a definição é tão subjetiva que você pode escolher seu significado com base na sua linha filosófica favorita, por exemplo.

Partindo do princípio de que até a resposta para essa pergunta é subjetiva e, por vezes, até controversa, repito:

Para você? O que é arte?
Porque pra mim, arte é um verbo – é sentir.
Não sei te dizer qual foi a primeira vez em que eu fui tocada por alguma expressão artística. Teria sido a primeira vez em que assisti Bambi e chorei, da forma mais dolorosa e sincera possível, quando a mãe do cervo foi assassinada? Teria sido quando meu pai assinou a coleção da Folha de S. Paulo que entregava réplicas de grandes obras de arte e eu me apaixonei por alguma das pinturas do Michelangelo? Ou foi quando ouvimos Hey Jude juntos, pela primeira vez, e eu perguntei insistentemente de quem eram aquelas vozes?

E o que todas essas expressões têm em comum?
Todas elas me fizeram sentir algo.

O trabalho da Sarah Bahbah foi uma das coisas que mais me fizeram sentir, nos últimos tempos

Se para mim arte é sentir e fazer sentir, por que é tão difícil dizer que eu faço arte? Por que é tão difícil assumir que o que eu faço pode ser relevante e que uma vez concreto, ele deixa de me pertencer? Por que é tão difícil entender que criamos as coisas para o mundo e, uma vez que ela sai de dentro da gente, ela é do outro – e é o outro quem vai senti-la e até defini-la? Seria a arte a nossa produção mais altruísta pois, ainda que egocêntrica em seu nascimento, ela vive apenas da percepção [e do sentimento] do outro?

E se for tudo isso, por que não chamar o que faço, de arte?
Se alguém o fez, quem sou para reivindicar o título de algo que já não me pertence mais? Algo que saiu de dentro de mim, sim, mas que agora faz parte do outro?
Seria medo do título de pretensioso pois "quem sou eu para fazer arte?", ou seria meramente egoísmo em sua mais disfarçada faceta?

-

Esse texto foi o primeiro da minha newsletter e vim reproduzi-lo aqui primeiro porque acho que tem um pouco a ver com o que escrevo no blog. Segundo porque quero convida-los a assinar. Já enviei a segunda e semana que vem, provavelmente, tem outra novinha. Para se inscrever e receber, é só clicar aqui. 

Comentários

  1. Gostei muito da sua definição. Arte e estética são conceitos cujas definições dadas raramente me agradam. Me entristece que isso não seja conversado normalmente e a maioria das pessoas tenha ideias tão distorcidas sobre arte, beleza e cultura :(

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