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Michele, 26 anos, ex-escritora de fanfic e agora escritora de livro de verdade.

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5- Buenos Aires, o Tinder, o menu celíaco e o planetário

Fernanda decidiu passar o carnaval longe do glitter e das serpentinas. Convidou sua melhor amiga para viajar até Buenos Aires, onde poderiam curtir a calmaria da capital argentina com muito vinho, alfajor e tango. Com Paloma, aproveitou a viagem melhor do que teria feito com seu ex-namorado, um dos motivos que a fez preferir ficar longe da bagunça do carnaval de rua paulistano. Não queria ter que lidar com o término e muito menos com a possibilidade de encontrá-lo por acaso em algum bloquinho do centro da cidade.

Depois de passar alguns dias conhecendo pontos turísticos e bons restaurantes, Fernanda e Paloma concordaram que a viagem poderia ficar ainda mais interessante se pudessem conhecer outros lugares acompanhadas de nativos bonitinhos. Decidiram, então, instalar o Tinder.

“Nossa, esse aqui parece o Messi!”, brincou Paloma, enquanto deslizava seus possíveis-futuros-dates para direita.

“Não estou achando ninguém interessante...”, confessou Fernanda já um tanto desanimada, enquanto arrastava para a esquerda seu décimo pretendente.

Quando estava prestes a desistir da ideia e considerando a possibilidade de ir a um bar sozinha e esperar que alguém mandasse uma bebida para começar o flerte – assim como via em seus filmes favoritos – ela encontrou alguém aparentemente interessante.

“Olha, esse parece o Nate Wolff!”, comentou com Paloma, mostrando o perfil do argentino. As fotos realmente mostravam uma semelhança com o ator americano. Sua descrição era sucinta “Odeio astrologia”. Ou, melhor dizendo, “Me odio a la astrogía". Fernanda deu like no argentino e o match aconteceu imediatamente. Ela sorriu empolgada.

“Vamos ver se ele é legal!”, disse para a amiga, antes de começar a puxar assunto com Juan Pablo.
E assim começaram a conversar. Trocaram as principais informações que precedem todo encontro (“O que você faz? O que gosta de comer? Onde mora? Mora sozinho? Gato ou cachorro? Nutella ou Doce de Leite? Beatles ou Rolling Stones?) até o convite partir da brasileira.

“Tem um bar perto do meu hotel e eu queria muito ir com uma companhia diferente. Amo a Paloma, mas já não aguento mais falar com ela sobre sua dieta celíaca. Quer nos acompanhar?”

“Adoraria! Mas isso poderia ser um date, não é? Só nós dois?”, perguntou Juan Pablo.

“Ah, prefiro que ela vá com a gente. Assim, não fica aquela coisa implícita de que temos-que-ficar-porque-nos-conhecemos-no-Tinder. Às vezes, a gente nem se curte como homem e mulher, mas podemos nos adorar como amigos”, ela disse sinceramente, expondo um pouco de sua timidez mesclada à dose cavalar de sinceridade.

“Se você prefere assim, eu topo. Te encontro lá às 21h”.

“Perfeito”.

Na hora e lugar marcados, as duas foram ao encontro do "argentino da Fernanda", como já era chamado entre as amigas. Paloma não marcou nada com ninguém: foi apenas de escudo para a amiga.

“Eu não acredito que você está me levando pra um encontro...”, reclamou, enquanto se sentavam nas cadeiras coloridas do balcão.

“Amiga, eu odeio primeiros encontros e odeio que a pessoa conheça alguém que não sou. Com você, conseguirei ser eu mesma. E se eu não gostar dele, podemos ir embora. Nunca tive encontro com alguém do Tinder, não sei os protocolos”, confessou enquanto pegava o cardápio de drinks.

Paloma concordou com a cabeça.

“Não vamos demorar. Estou morrendo de fome e eu não posso comer nada que contenha glúten, você sabe”.

“Eu sei, eu sei”, respondeu Fernanda, sem tirar os olhos do cardápio.

Menos de cinco minutos depois, foram abordadas por um rapaz alto, de mais ou menos 26 anos, calça jeans, camiseta branca e um blazer preto. Fernanda sorriu sinceramente.


“Oi!”, ele disse com um sorriso de canto discreto e extremamente charmoso. Fernanda não saberia responder se ficou mais encantada pelo sorriso ou por aquele sotaque espanhol irresistível.

“Olá, aquariano!”, cumprimentou brincando, fazendo referência ao perfil no Tinder.

“Oi, Juan Pablo. Eu sou a Paloma. A amiga”, brincou Paloma, enquanto cumprimentava o garoto e quebrando um pouco o clima de timidez que cercava o possível-casal. 

Juan sentou ao lado de Fernanda, que ficou no meio dos dois convidados. Ele pediu um negroni ao bartender e foi copiado pelas duas turistas.

“E então, por que decidiram trocar o carnaval brasileiro por uma pacata Buenos Aires?”, ele perguntou, iniciando o assunto que seguiria por, pelo menos, mais duas horas.

A partir daí, conversaram, os três, sobre carnaval, fantasias, Twin Peaks, filmes adolescentes, boybands, amadurecimento musical, carreira, testes vocacionais, política e sabores de sorvete. Já era quase meia noite, quando Paloma interrompeu o casal para implorar por comida.

“Gente, sério, eu preciso muito comer e, aqui, só tem opções com glúten. Eu posso pedir no hotel e vocês continuam por aqui, sem problemas!”.

“Não, vamos encontrar um restaurante para você. Faço questão que jante com a gente”, disse Juan, enquanto se preparava para acertar a conta.

Fernanda sorriu animada para a amiga. Juan Pablo não era apenas lindo, como também era um fofo. Se sentiu sortuda por ter um primeiro-encontro-do-Tinder com um cara tão legal. Juan voltou com a conta paga, chamou um Uber e contou que escolheu um restaurante que atendesse às necessidades de Paloma.

A escolha de Juan não foi tão feliz. O primeiro restaurante estava fechado, então, seguiram para outro que também estava perto, mas não deixaram que eles entrassem. “Eu vou procurar aqui no Trip Advisor...”, o argentino tentava solucionar o problema enquanto se preparavam para a terceira tentativa de restaurante com menu celíaco.

“Gente, sério, eu vou pro hotel. Não se preocupem. Só me deixem lá e tá tudo bem”, nesse momento, Paloma se dirigiu para Fernanda “Amiga, é sério. Ta tudo bem”.

O casal concordou e, então, mudaram o destino e seguiram para o hotel. Paloma se despediu rapidamente e entrou quase que correndo. Juan virou para Fernanda.

“Vou te levar para o lugar mais clichê de Buenos Aires, mas algo me diz que você vai gostar”, ele disse sem olhar para a garota, mas digitando – provavelmente o endereço – no celular. Fernanda sorriu animada.

“Tudo bem. Vou confiar em sua escolha, aquariano”.

Tocava Say It Ain’t So, do Weezer e as luzes da rua, que entravam no carro, deixavam o momento digno de registro. Fernanda poderia jurar que já viu essa cena em algum de seus filmes românticos favoritos. Os olhares dos dois se encontraram e foram seguidos por dois sorrisos dados praticamente juntos. Juan passou o polegar sobre a mão direita de Fernanda e fez carinho, antes de pegá-la para desceram do carro, quando o motorista o parou.

Chegaram no Galileo Galilei planetarium. Estava fechado, então, de mãos dadas, o argentino levou Fernanda ao bosque da frente. Segundo Juan, poderiam sentar na grama e olhar o planetário – ainda que só por fora.

“Seria legal se pudéssemos entrar, mas não deixa de ser uma visita ao planetário, certo?”, ele brincou.
“Já vale”, confirmou Fernanda olhando encantada para o prédio. Quando virou para olhar Juan, percebeu que ele a olhava fixamente.

Então, depois de horas de conversas, busca por restaurantes e ruas percorridas de carro, ela tomou a frente e deu o primeiro beijo do casal – movimento que foi repetido várias e várias e várias e várias e várias vezes naquela noite, que só terminou com o nascer do Sol.

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