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Michele Contel

o antigo My Other Bag Is Chanel

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2- Budapeste

Budapeste seria um destino interessante por si só. A beleza da capital húngara e a história de sua fundação já seriam suficientes para entrar no roteiro de qualquer pessoa apaixonada por viagens. Mas para Rafael ela tinha um atrativo muito mais específico que o Castelo de Buda - e ele se chamava Attila.

Os dois se conheceram pelo Instagram. Alguns likes e comentários depois, começaram a conversar por meio das mensagens diretas do aplicativo. Não demorou para que trocassem contatos mais pessoais – como o WhatsApp – e começassem a se falar todos os dias. A vontade de conhecer a pessoa com quem falava tanto e sobre tudo aumentava a cada dia e, quando menos percebeu, Rafael já estava incluindo a Hungria em sua viagem pela Europa. Apesar de parecer uma premissa de filme romântico com final feliz, Rafael sempre foi cético demais para criar expectativas. Encontrar Attila seria consequência de uma viagem incrível – e apenas isso – porém, contou para o garoto sobre seus planos para, quem sabe, marcarem de se conhecer.

E então,
marcaram. 

Imagem: Min Liu
Quando desembarcou na capital húngara, avisou o até-então amigo de Instagram e combinaram um encontro para, finalmente, se conhecerem.

“Como amigos”, pensava Rafael.

Combinaram um ponto de encontro no meio do caminho dois para seguirem, juntos, até o Csendes Létterem, um barzinho que Attila escolheu. Quando se encontraram, inevitavelmente, Rafael sentiu coração acelerar. Ele estava fisicamente perto da pessoa que por mensagens, sabia mais sobre seus segredos do que amigos que cresceram com ele. Ali, a centímetros de distância, estava o homem que, por meses, acompanhou tudo o que acontecia em seus dias, relatados da mais sincera forma.

Era Attila. 
Ali. 
Perto.

“Finalmente!”, foi o que conseguiu dizer, em inglês, após sair do abraço do húngaro.

“Finalmente”, respondeu de um jeito gentil e igualmente feliz pelo encontro.

Caminharam até o Csender Létterem e Rafael ficou encantado com a decoração do lugar. Os vários elementos distintos juntos deixavam o bar com um ar “casa de vó” e a luz baixa criava o aconchego que procuravam.

Dividiram uma mesa pequena, no canto do bar, e começaram a conversar como se não se falassem há meses. Os assuntos eram os mais diversos possíveis: desenhos animados favoritos, dicas de como tomar café e segredos não confidenciados a ninguém antes. As pernas se tocavam sutilmente, sob a mesa, e os olhares se cruzavam com facilidade. Rafael sentia algo parecido com um choque a cada vez que conseguia enxergar o brilho nos olhos de Attila.

“Vamos para outro lugar? Aqui fecha cedo”, sugeriu o húngaro.

Rafa concordou e, andando, foram a um novo local. Durante todo o trajeto, momentos de silêncio permeavam trocas de olhares cada vez mais longas. A vontade era de beijar Attila ali, no meio da rua, mas não sabia como aquilo seria aceito culturalmente. Decidiu esperar chegarem ao novo bar para ter certeza de que a vontade era recíproca.

O novo bar era ainda mais legal que o primeiro. Decorado com enormes águas-vivas coloridas nos tetos e com mesas de fita K7, sentaram em um canto um pouco mais afastado, pediram mais alguns drinks e continuaram conversando.

A cada sílaba pronunciada, mais Rafael ficava encantado. Naquele momento, entendia todos os livros de romance que já leu na vida, pois conseguia sentir todas as emoções descritas naquelas obras. Sentia o coração gelar, elefantes no estômago, a garganta ficar fechada e o rosto arder quando os olhares se encontravam.

“Sabe...”, Attila começou, se aproximando delicadamente de Rafa, que acabava de deixar sua bebida na mesa, “Esse bar tem muitas pessoas e eu, normalmente não faria isso, mas...”, o húngaro se aproximou do brasileiro, “...eu estou com muita vontade de te beijar. Muita mesmo”.

Rafael sorriu e, sem pensar muito, permitiu que as borboletas de seu estômago tomassem voo. 

Abraçou Attila e se beijaram ali, sob uma água-viva amarela.

-

O segundo encontro não aconteceu, mas mesmo tendo passado alguns anos e estando a 9.796 km de distância, para Rafael, aquele beijo ainda foi o momento mais mágico de sua vida.

E portanto, 
eterno.

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Leia o primeiro post da série: 

#1- Sobre o lençol azul-marinho

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hello, it's Mih

Profile Bio

26, geminiana com ascendente em sagitário e lua em peixes, ex-autora de fanfics de McFLY e Harry Potter e, hoje, autora de um livro de verdade. Tenho uma gata chamada Catarina e bebo muito café (muito mesmo!). Aqui no blog eu falo sobre amor e outras coisas que me deixam feliz :)

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