24/09/2017

Andei me perguntando de você

Eu me pergunto se me esquecer foi tão fácil como você fez parecer.

Porque eu vou ter que te falar que, por aqui, não foi, não. Já tem mais de um ano, mas não consigo esquecer da primeira vez que nos olhamos e eu percebi que seu olho era mais azulado do que esverdeado. Eu sei que faz tempo, mas eu ainda lembro do seu sorriso na palma da minha mão, enquanto dividíamos o sofá e você me apresentava a série que, meses depois, se tornaria a minha favorita. Lembro do beijo gentil que você me deu no dedo indicador, que veio depois do carinho que fiz em seu rosto. 


Aparentemente, me esquecer foi tão fácil quanto foi para eu me apaixonar por você. E, talvez por isso, ainda seja tão agridoce lembrar das coisas como me lembro. Oscar Freire de domingo é você, não tem jeito. Aquele café nunca mais teve a minha presença, da mesma forma que eu fujo daquela loja em que te ajudei a escolher um tênis. Não consegui experimentar o melhor bolo de chocolate do mundo e nem voltar àquele restaurante italiano que você me apresentou. Porque ali, em todos os nomes dos pratos, no cardápio preto e nas canecas de ágata, têm um pouco de você. De nós. 

Eu confesso que ainda é difícil falar de você sem sentir um nozinho na garganta, que seja. E me surpreendo ao perceber que sempre, no meio do meu dia, você ainda aparece sem ser convidado. Já não nos falamos mais e ainda continua difícil ignorar que nossos dias já foram compartilhados, que nossas roupas já se misturaram e que já exalamos um mesmo cheiro e respiramos no mesmo ritmo. Faz tempo, eu sei, mas ainda sinto bastante, você me conhece. 

Me pergunto se você ainda faz piada sobre o bigode do seu estagiário, ou se você ainda tem a meta de aprender uma nova coisa todo ano. Aliás, esses dias até me peguei pensando no que você estava aprendendo, ou se ainda brinca de fazer malabarismo. Vou mentir se disser que não me pergunto se você já tem um novo alguém do lado e se toda aquela conversa não foi balela para me afastar. Esse questionamento dura pouco porque outros o substituem. Sua planta ainda está viva? Arrumou sua bicicleta? Conseguiu cortar a cafeína? 

Confesso que, de vez em quando, lamento por nossos caminhos terem tomado direções tão diferentes. Mas se foi fácil por aí, eu fico bem. Me importei demais com você para desejar que sinta esse azedo que eu ainda sinto na boca, vez ou outra. 

Que bom que pra você ficou o doce. 
Ou até que não tenha ficado nada. 

Porque por aqui, preciso te contar. Por aqui ainda amarra a boca. 

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