Eu escrevo quando...

...estou feliz. Conto detalhadamente o que resultou nesse sentimento tão forte que precisei guardar um pouquinho para depois. Faço das palavras escritas, pequenas gotas armazenadas para depois ou para quando precisar, quem sabe. Ao escrever minha felicidade, é como se eu conseguisse garantir sorrisos para outra ocasião

Escrevo também quando estou triste. Conto detalhadamente o que resultou nesse sentimento tão forte que precisei tirar de mim. Partes pesadas, momentos ruins guardados sem querer e que, inevitavelmente, me fazem sofrer de novo, um pouquinho, quando esbarro acidentalmente naquelas linhas que, teoricamente, deveriam servir apenas de catarse. 

A mágica de escrever é a capacidade de eternizar coisas
E esse, também, é o problema do registro.


Boas ou ruins, aquelas situações se tornam vívidas a cada nova leitura. Aquele café incrível e as horas de conversa jogadas foras com aquela pessoa que fez meu coração moribundo dar sinais de vitalidade, por exemplo, ou a primeira gargalhada do meu sobrinho lindo. Lembro, também, daquela festa do pijama incrível com todas as suas amigas da faculdade e da primeira vez que joguei "Eu Nunca". Me lembra a primeira troca de olhares que me fez sentir cubos de gelo no meu estômago. O primeiro "eu te amo" ouvido e falado na vida. 

Ao escrever, eu eternizo pessoas, principalmente. 

Escrever me permite imortalizar um alguém em um texto, em uma frase, em uma única palavra. Ninguém precisa entender. Eu sei e você sabe. E mais que isso: nós sentimos e sentimos muito.  

O problema de transcrever sentimentos é que vivencio, de novo, todos aqueles momentos, bons ou ruins. Ao ler meus próprios relatos, tenho a sensação de ter dado um replay na minha própria vida, só que sem nenhuma sutileza do narrador. As palavras me arremessam para aquela história. 

A diferença é que sei como aquela cena termina. 

É possível sentir o cheiro de bolo no forno, o clima, as lágrimas, ouvir as musicas e os gritos. Uma palavra e consigo sentir o abraço. Sentir o coração apertar. 

Sentir saudade. 
Medo. 
Alívio. 
Felicidade. 
Saudade de novo. 

E aí, quando eu sinto tudo isso, não sei o que fazer ou como lidar com toda essa imersão dentro de minha própria história. O desespero divide lugar com a emoção e, então, 

eu escrevo. 

10 comentários

  1. Ainda, e cada vez mais, desejando um livro seu.

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  2. Que texto lindo! Cara, nem sei o que falar sobre como amo escrever! Eu amo tanto! Eu escrevo quando estou feliz, triste, apaixonada... amei quando você disse 'eu escrevo para eternizar as pessoas'. É exatamente isso.

    Bjs

    http://belsantanna.com/

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  3. Me identifiquei bastante. Escrever é tão necessário quanto respirar, eu preciso eternizar esses momentos.
    Minha cabeça é tão bagunçada que me expresso melhor escrevendo, porque consigo me organizar e ser claro hehe

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    1. Siiim! Por isso que prefiro discussões por texto haha

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  4. É por isso que eu amo tanto ler blogs como o seu, textos tão pessoais, mas ao mesmo tempo que poderiam ser de outra pessoa, porque simplesmente traduzem o que sentimos e nem sempre damos atenção no que nos afligem. Uns preferem falar, outros escrever, pintar, olhar...o importante é expressar pra lidar melhor com nossos problemas. Adoro seus textos! Beijos e bom final de semana! Erika

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  5. Tão bom quanto escrever é nos deparar com textos como o seu, ler sobre o outro e depois voltar a escrever sobre nós mesmos, perceber que as palavras são tão fortes a ponto de guardar emoções com elas... Escrever é ótimo, é uma fuga que na verdade nos traz de volta e que se "eterniza", como você colocou, mas, acima de tudo, nos faz ter noção do que mudou. Escrever faz um bem danado xD

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    1. Ai Lilah, você é uma fofa!!! Obrigada por ser assim desde os primórdios tempos de fanfic. É muito importante ler coisas assim :))

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