19/10/16

Você dorme com vontade ou acorda arrependida?

Eu não posso me denominar impulsiva. Penso um milhão de vezes antes de fazer qualquer coisa. De comprar um pão na padaria da rua de cima até adicionar o cara bonito amigo do meu amigo. Penso no que pode desencadear de bom, nas consequências ruins e, principalmente, no quanto posso me frustrar com aquilo. Arrependimento, de uma forma simples e crua, nunca foi meu medo, afinal, ele só viria caso as coisas desse errado e, bem, as chances de darem certo eram exatamente as mesmas. Fazer o que quer fazer, na verdade, nada tem a ver com impulsividade. Na maioria das vezes, o que é taxado de ato impulsivo foram escolhas difíceis e que foram analisadas mais vezes do que eu gostaria de aceitar. 

Quando você faz algo que estava com receio de fazer - seja lá o motivo - é muito mais tranquilizante dizer para si mesmo que mandou aquela mensagem para o cara de quem gosta em um ato impulsivo do que assumir que você fez aquilo porque realmente queria fazer. Se der errado, "foi impulso". Se der certo, "foi coragem". 


Eu li um livro, esses dias, bem gostosinho e que tem uma passagem bem legal sobre algo do tipo. Chama-se Juliet Nua e Crua e é do Nick Hornby, o autor de High Fidelity. Bem, nessa passagem uma senhora idosa está vendo uma foto sua, de décadas atrás, com dois rapazes estrangeiros exposta em uma mostra e comenta, com a curadora do museu, o quanto se privou de coisas em toda a sua vida. Transar com um daqueles caras foi uma delas, ela diz. A curadora, em um ato de talvez até solidariedade, diz que, então, ela sempre foi muito sóbria e sensata, no que a senhora responde que a sensatez nunca lhe trouxera felicidade. 

Mas arrependimentos... 

Aquilo me chamou a atenção porque eu sempre tive a noção de que posso lidar com arrependimentos, desde que eles sejam consequências de minhas próprias vontades. De ser honesta comigo mesma, me permitir, mesmo que o resultado seja quebrar a cara. Fui assim desde que me conheço por gente, mesmo sem ter bagagem alguma na vida. Sempre fiz o que tinha vontade e o que acreditava ser justo comigo no momento. Queria dormir tranquila e com a sensação de que tentei de todas as formas, e não com o nó na garganta de quem se omitiu para si mesma

E é por isso que eu mando mensagem, sou insistente quando quero e me declaro quando acho que precisa. Posso até pagar de trouxa, de boba, de chata, apegada, ou justamente de impulsiva. Posso me arrepender no segundo seguinte de puxar uma conversa, de responder no mesmo minuto o carinha blasé ou de que mandar um bilhetinho para o loirinho do karaokê. Eu posso ser taxada de louca e podem até duvidar do amor que sinto por mim mesma, inclusive. Mas se tem uma coisa que eu não faço, é dormir com vontade. De doces a palavras proferidas, acredite:

Eu prefiro acordar arrependida. 


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4 comentários:

  1. É verdade, Mih, melhor acordar arrependida do que não ter feito o que gostaria! Ser impulsiva tem suas vantagens, mas tbm como tudo na vida, tem um pouco o lado ruim da história...sou assim como vc, às vezes me arrependo de ter feito ou falado algo (ariana feelings!!! rsrsrs) mas daí qdo vou ver, já foi, não tem mais volta e tudo bem, temos que ser nós mesmas né, assumir o que fazemos e falamos e pronto! :) Beijocas com carinho!!!!

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  2. Muito bacana seu texto! Mas, para mim, é exatamente o contrário, no geral prefiro não fazer para não me arrepender. É algo muito pessoal, mas minha impulsividade já me rendeu algumas tragédias pessoais, como o desenvolvimento do meu distúrbio de ansiedade. O fato de não poder controlar as consequências (ou não poder me controlar diante das consequências) é decisivo para que eu sempre opte por me manter em águas rasas. E que pareça covarde, sabe, mas minha zona de conforto é meu paraíso, saio dela pouquíssimas vezes e por enquanto tá "tudo bem" (ou é isso que eu sempre digo para mim mesma na tentativa de me convencer de que não há nada lá fora).

    Mais uma vez, parabéns pelo texto. Descobri o blog recentemente e tô adorando.

    Beijos,

    Bruna Tamanini (em breve com meu blog para assinar meus comentários decentemente, rs)

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  3. Geralmente eu acordo arrependida e ainda por cima com ressaca moral, é grave? kkkkkkkkkkkkkk. Mih, amei seu blog. Tava pesquisando algumas coisas no Google e caí aqui de paraquedas. Estou com um projeto num blog da minha amiga onde eu escrevo textos assim como os seus, dê uma passada lá?! Beijos: http://www.tatycamposblog.com/2016/10/o-amigo-fiel-e-uma-poderosa-protecao.html

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  4. Sabe o mais engraçado? Eu me reconheci na fala da velhinha mesmo não sendo tão velhinha. Um dia desses eu e algumas amigas estavamos divagando sobre como deveríamos ter sido menos encanadas e dado mais nos nossos early twenties. Sério, eu me arrependo até hoje e não ter feito coisas com caras bacanas simplesmente por não querer q falassem de mim, por medo de me entregar ao momento, por medo de dizerem q eu era dada ou coisa do gênero. E hj o que isso importa? Todas nós estamos casadas e felizes. E vejo q as meninas q se poderam menos tbém estão casadas e felizes. Conclusão, realmente se arrependa do q vc fez, é mto mto melhor.

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