06/08/16

Having and giving and sharing

Era quinta-feira de manhã, o metrô estava lotado. Naquele empurra-empurra entre as pessoas que saíam e entravam ao mesmo tempo, um casal de velhinhos se encaixou no meio daquelas tantas outras que se espremiam no espaço. A senhora se segurou no senhor e, com um sorriso divertido, riu gostosamente quando o trem voltou a andar e o seu marido se desequilibrou. Se abraçaram ali, no meio de tanto gente mal humorada de manhã. Era o amor após a paixão, beleza, desejo e fogo. Era calmaria, companheirismo e olhares cheios de significados. Não pude não reparar naqueles dois e não pude não me inspirar. Assim como no casamento em que fui ontem. 

Quando uma amiga se casa, inevitavelmente você começa a pensar sobre os seus relacionamentos e sobre como você lida com o amor. Com versos de Coríntios 13 e o famoso texto que prega que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, o casamento da Ju foi uma das coisas mais lindas que vi na vida, muito provavelmente pelo fator emocional que tudo aquilo envolvia. "Ame o máximo que puder e, se der para amar mais um pouco, ame".


Aquela frase me marcou e, imediatamente, lembrei do casal de velhinhos que entrou na estação Ana Rosa. De toda aquela cumplicidade, de conseguirem achar graça em algo tão cotidiano quanto um desequilíbrio no trem. De se amarem de um jeito que era visível para mim, uma pessoa com sono, com fones de ouvidos e completamente distraída. Não pude não pensar que quero, sim, viver isso um dia, talvez. Amar, compartilhar, receber e todas essas coisas que já vimos naquele discurso ótimo (hahaha) do Joey:


It is a love based of giving and receiving as well as having and sharing. And the love that they give and have is shared and received.  Tribbiani, Joey

Uma das minhas melhores amigas estava vivendo aquilo e começando todos os planos que sempre fez, desde os 15 anos. Estava vivendo seu conto de fadas, devidamente vestida como uma princesa. Estava com um sorriso que nunca vi igual e, seu marido (uau, marido!) segurando o choro ao vê-la entrando no altar foi tão lindo e sincero que me levou às lágrimas, assim como minhas outras duas amigas que dividiram o posto de dama de honra comigo. 

Sabe, ir a um casamento e ser bombardeado com palavras que pregam a importância de amar, demonstrar e acompanhar, em uma época em que nos acostumamos com a liquidez das relações humanas, faz a sua cabeça fervilhar. Por mais que eu leia e entenda todo esse movimento geracional (?), eu constatei ali que sou uma eterna apaixonada, mesmo que já tenha dito o contrário. Eu queria aquele olhar, aquele sorriso. Aquele amor representado em ações e expressões. "A gente se ilude dizendo que já não há mais coração", mas desde quinta eu percebo que o coração tá aqui, ó. Meio seco, talvez, cheio de dúvidas e muito escaldado, mas louco para transbordar. 

Do jeitinho que eu vi a Ju, seu marido (m a r i d o!) e o casal da Ana Rosa. 

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Ps: fiquei dois dia do BEDA sem postar, mas tenho boas justificativas: viajei quase 600 km para o casamento, saí corrida do trabalho e, bem, ontem eu praticamente não existi. Então, peço compreensão dos brother aí. 

6 comentários:

  1. Casamento é sempre aquele momento que a gente volta a acreditar no amor, não tem jeito!

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  2. mais uma vez me fazendo suspirar <3 seus textos são sempre calmaria

    escrevendodepijama.blogspot.com.br

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  3. Caramba. Belo texto.

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  4. Mih, sem palavras para o seu texto.
    A não ser, talvez, "amor"

    Essa cena dos velhinhos no trem pareceu uma mensagem do universo, como se ele quisesse mostrar pra gente que ainda existe amor. E aí você fala de um amor que tá começando, com o casamento da sua amiga. São fases diferentes do amor, mas de alguma forma eles compartilham a mesma essência.

    É muito bom falar, ler, sentir o amor de todas as formas. E eu senti o amor no seu texto.


    Obrigada por compartilhar :)

    ps.: nunca entendi o porquê do Chandler e da Mônica vetarem esse discurso do Joey. É um dos mais lindos que eu já vi.

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  5. Que coisa mais linda esse texto! Obrigado por isso. <3

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