09/08/16

Sobre o show do Jeneci e sobre (não) amor

Não era amor. 

Para muitas pessoas, superar alguém rapidamente pode parecer algo positivo. "Menos sofrimento", responderiam caso eu perguntasse o motivo da felicidade ao eliminar alguém de sua vida. "Liberdade", algum sagitariano comentaria enquanto abre uma cerveja. Para mim, essa constatação vem com um certo pesar. Eu gosto muito da ideia de estar apaixonada, mas ao mesmo tempo, não conseguia sentir da forma que gostaria. Naquele dia, eu até pensava que finalmente tinha me apaixonado, mas não.

Não era amor e eu percebi isso da forma mais romântica possível: em um show do Marcelo Jeneci

[Para deixar a leitura ainda mais intensa e gostosa, recomendo você a dar o play nessa música aqui. Deu o play? Então podemos continuar].



Fui ao show do Jeneci com uma amiga, que namora à distância um cara que está na França, e um amigo músico que é completamente artístico e talentoso. Como disse lá em cima, nesse dia, eu estava comentando com eles sobre a pessoa que eu pensei estar apaixonada. Ao mesmo tempo em que contava, eu tinha consciência de que não era nada muito extremo, forte ou irracional. Era como se falar da pessoa, para meus amigos, me obrigasse a acreditar naquilo, entende? Não era amor, não era paixão. Era medo de não conseguir amar alguém de novo e era o desespero em me agarrar em algo/alguém que pudesse me lembrar, mesmo que remotamente, de coisas que já vivi. 

O show começou.

Minha amiga, Ana, filmava as músicas que falavam sobre histórias de amor e enviava ao namorado. O Felipe, o amigo, apreciava o show de uma forma que só outro artista conseguiria. Eu sentia as letras das músicas entrando em mim e me esbofeteando a cara. Sem dó, piedade ou consideração. 

Se você nunca viu um show do Jeneci, fica a minha dica para uma experiência incrível em sua vida. Você sai com a alma lavada. Mas ao mesmo tempo em que você sai leve, demora pra digerir. É tudo tão intenso que aquilo penetra no fundo dos seus pensamentos. E naquele dueto com a Tulipa, cantando "Do Amor", o amor aconteceu, mas eu não sentia nada e, aquilo, me angustiou de uma forma que eu não sabia que era possível. Afinal, não sofremos apenas quando amamos? Não sofremos apenas quando a relação é abusiva? O sofrimento não vem da rejeição?

Descobri que o sofrimento pode vir, também, do vazio.

Fotinho do meu instagram, @damichele ♥ 

Eu não sentia nada por ninguém, a não ser carência e vontade de estar junto esporadicamente. 
Amor, aquele que eu senti pela última vez há exato um ano, não tinha mais. 

A angústia deu lugar à preocupação.

"E se eu não conseguir amar de novo? E se eu sempre for assim, me apaixonar, mas passar em uma semana? Eu vou ser mais uma dessas pessoas que se acostumaram com a superficialidade e que afastam tudo o que é profundo?". Me deu uma espécie de desespero enquanto via os dois músicos dividindo o microfone.

Eu sentia muito, muito, mas nada saia. 

E aí, no meio da minha briga intensa comigo mesma, Jeneci e Tulipa começaram a cantar "Do Amor". 

[Agora, coloca "Do Amor" para tocar].

E a resposta veio em forma de canção. 

"O meu amor sai de trem por aí
e vai vagando devagar para ver quem chegou
O meu amor corre devagar, anda no seu tempo
que passa de vez em vento
Como uma história que inventa o seu fim
quero inventar um você para mim
Vai ser melhor quando te conhecer

Olho no olho
e flor no jardim
Flor, amor
Vento devagar
vem, vai, vem mais"

A minha vontade de amar, acredite, é maior do que a vontade de ser amada, mas acalmei meu coração. As coisas acontecem e não adianta apressar nada. 

Amor não se força. Acontece. 
E o  meu amor, o meu sentir, está saindo de trem por aí.
Mas eu sei que volta -
e vai ser quando tiver que voltar. 


(Este texto foi escrito há meses e quem assina a newsletter recebeu ele no timing certinho. Como eu tô naquele famigerado bloqueio do BEDA, estou finalmente publicando. Perdoem o vacilo e essas confusões sentimentais todas e não desistam de mim). 


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2 comentários:

  1. Já achei que era amor mas era carência e já vi o amor se transformar em conformismo. Agora tô bem de boa com o coração "vazio".

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  2. Texto lindo de uma sensibilidade incrível <3

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