13/06/16

O amor da minha vida

Eu o encontrei na rodoviária. Estava muito frio e ele usava uma touca vermelha que imitava o capacete do Homem de Ferro. É meu sobrinho, não poderia ser diferente, não poderia ser outro herói. Ele usava, provavelmente, três casacos, o que o deixava parecido com um urso, já que estava bem cheinho e pequeno. Meu coração ficou aquecido quando vi aquele rostinho olhando para mim. Percebi, ali, que toda a saudade que eu conhecia não era nada perto da que eu realmente sentia. Eu só queria apertá-lo bem forte e tentar fazer meu coração entender que, sim, ele estava ali, no meu abraço. 

Tutu é o tipo de criança que chama a atenção por onde passa. É bonzinho demais, qualquer pessoa consegue arrancar um sorriso dele. É taurino, o menino. Na Paulista, se encantou com os cachorros, com os prédios, com o helicóptero e com a possibilidade de andar no meio de tanta gente. E andou, andou, andou, caiu, sorriu e andou de novo. O frio e o nariz vermelho não eram nada perto das possibilidades que ele enxergava ali. Era um mundo novo para ele caminhar e desbravar, mesmo que por apenas algumas horas.


Tutu é apaixonado por coisas simples. Se encanta com bolas e balões, gosta de comer com as mãos. Pede comida de um jeito incisivo e, se não fossem os "papá, papá, papáááá", seria como gente grande. Força uma gargalhada quando os adultos começam a rir de alguma coisa. O que ainda não tem de idade, já tem de traquejo social. Arthur é lindo. É a criança mais linda do mundo inteiro e sempre arranca elogios. "Que cabelo lindo", "que estiloso", "que olhão mais lindo", repetem. Tutu só ri. Chama tudo de cáca, "toca" todos os cachorros bravos e afaga os bonzinhos. Tutu é dono de um sorrisinho maroto e, esperto que só ele, já sabe exatamente quando usar. Um ano e já derrete corações propositalmente.

Todos perguntavam seu nome e idade.
"Arthur", eu respondi umas sete vezes em um curto período de tempo.

"Que criança feliz", constatavam.
Eu sorria como boba e acenava com a cabeça.

Sabe, amar uma coisinha dessa me fez perceber que o amor é simples demais. Um sorrisinho e você realmente esquece de qualquer problema. Uma palavra balbuciada e, pronto, o mundo é um lugar melhor. Sua vida ganha um novo propósito, os dias ficam mais fáceis de serem levados. Uma piscadinha e é o fim de qualquer sofrimento.

"Ele é bem feliz mesmo. E me faz, também", respondia mentalmente.


Tutu é uma criança feliz. Sorri muito. Gargalha, até. É dono de uma personalidade forte e amável ao mesmo tempo. Coisa de quem tem lua em gêmeos. Arthur fez meu fim de semana inesquecível e conseguiu algo que eu não imaginava que era possível: triplicou minhas saudades ao tentar matá-las.

Tutu foi embora e me deixou aqui.
Com os braços doloridos e com o coração cheio de saudade. 

Um comentário:

  1. Que vontade de apertá-lo! Mto fofinho!
    Mi, já diria meu amado (pra mim o melhor dos Mcfly- I'm sorry Dougie) Tom, Love is Easy! e eu realmente acredito mto nessa música...acho que ele conseguiu explicitar mto bem o que é o amor.

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