17/05/16

Boazinha demais

- ...e foi isso!

- Você sabe por que isso aconteceu, né? Você é boazinha demais!

Se eu ganhasse R$ 1,00 a cada vez que eu escutasse a frase acima quando eu termino de contar uma situação em que eu fui prejudicada de alguma forma, neste momento, eu estaria escrevendo esse post do meu estúdio em Londres.

Eu sempre escutei isso como a causa de alguns dos meus problemas. "Também, você é boazinha demais", me diziam sempre que eu terminava de contar alguma situação em que saia chateada. Não demorou para que eu passasse a enxergar o "ser boazinha" como algo ruim.

Porém, lá no fundo, mesmo me forçando a deixar de acreditar nas pessoas e tentando ser um tiquinho mais egoísta, eu me sentia bem por acreditar. Me sentia fraca por ser considerada a "boazinha", mas ao mesmo tempo, eu conseguia enxergar isso como uma qualidade. Mesmo que eu evitasse falar sobre isso.


Um dia, em um domingo, um amigo me perguntou:

- Me fala uma coisa que você goste muito em você e não mudaria. Qualquer coisa!

Pensei muito.

- Sou boazinha e acredito nas pessoas. Feliz ou infelizmente.

- Você sempre responde "Feliz ou infelizmente", contestou.

Dei de ombros. A verdade é que vivemos em um mundo em que ser bom e acreditar nas pessoas não é regra: é uma exceção e prejudicial. Sempre que você conta uma história em que acreditou em uma pessoa, em que foi um pouco altruísta ou que deixou de fazer algo no qual seria o único beneficiado, não agem com normalidade: sempre te julgam. Ou taxam você de trouxa, ou até te elogiam.

Porém, a reação esperada, que é a normalidade, nunca acontece.

Você já parou para pensar nisso?

Estamos vivendo em um mundo em que somos condicionados a esperar o pior das pessoas e, caso contrário, você é taxado de ingênio. Bobo. "Bonzinho demais". E isso é tão, mas tão triste, que me deu vontade de escrever. Sinceramente, não consigo deixar de acreditar nas pessoas, de ser otimista e de esperar ações legais ao invés de decepções e, sabe, se a decepção vem, no fundo, eu me sinto bem porque percebo que não fui "corrompida" com toda essa descrença nas pessoas.

Por mais ingênua que possa parecer, eu escolhi acreditar.
Ser boazinha.

Feliz ou infelizmente.

Né?

3 comentários:

  1. Ai, é incrível como eu sempre acabo lendo pelos blogs que eu visito algo que me acalma, que cai bem, que cai como uma luva pro exato momento em que eu estou vivendo. Obrigada por compartilhar isso <3

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  2. Me identifico muito nos posts! Li o ''"VOCÊ NÃO PENSA EM VOLTAR, NÃO?"'' e...Acho que não é só sobre mudar de cidade, mas qualquer escolha a ser feita. De vez em quando, aparecem alguns momentos "Você tem certeza do que está fazendo?''. Meio como na hora de votar, em que aparece:''Você confirma seu voto'', só que muito mais amplo. Pode ser a melhor decisão que você já fez na vida, mas vai aparecer alguém para questionar. Mesmo assim, a questão é saber o que é ideal e o que é real para você...

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  3. Em março eu li o livro da Amanda Palmer (o A Arte de Pedir) e desde então não consigo ver sentido em qualquer comportamento diferente do: VAMO TODO MUNDO SE AJUDÁ!

    Ela fala muito sobre confiar nas pessoas e sobre como isso deu certo pra ela em 99% das vezes (e no 1% que não deu: existe gente estúpida, só isso). Achei tudo muito lindo e muito realista, assim como você acho bem louco esse esquema da gente esperar sempre o pior do outro e se proteger de todas as formas, não precisa ser um gênio pra ver que não vamos a lugar nenhum assim.

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