25/04/16

Silence is a Scary Sound. Será?

Quando criança, eu sempre gostei de ficar sozinha. Me sentia mais feliz brincando comigo mesma do que tendo que conviver com outras crianças. Meus passatempos favoritos, naquela época, eram um pouco diferentes dos programas que minhas amiguinhas gostavam: eu preferia desenhar e pintar a ter bonecas, gostava de brincar de escolinha - e dava aula para ursos de pelúcia - e eu realmente adorava ficar lendo livros de conhecimentos gerais que meu pai comprava. Quando fiquei um pouco mais velha, acho que no ensino fundamental, comecei a entender que as pessoas não enxergavam a solidão com bons olhos. Estar sozinha era sinal de fracasso, então, passei a ter a obrigação de me incluir, afinal, eu não poderia ficar sozinha. 

Na quinta ou sexta série, eu realmente não me encaixava no meu grupo de amigas. Eu gostava delas, mas eu simplesmente não me encaixava, na maioria das vezes. O medo de ficar sozinha me tornava dependente e fazia com que eu "aceitasse" qualquer tipo de amizade, sendo boa ou não para mim. 3 anos e, após uma discussão boba - mas que foi intensa, para mim - pedi para minha mãe me mudar de escola. Na escola nova, eu estaria sozinha e, justamente por ser nova, essa reclusão seria aceitável. Eu poderia ficar no meu canto lendo algum livro e ninguém me julgaria. Seria o paraíso.

A diferença é que, com o passar das semanas, eu comecei a me sentir inclusa e feliz. Tinha pessoas que eu realmente me identificava e, de fato, era melhor do que estar sozinha. Me pergunto como minha vida seria, hoje, se eu não tivesse tido essa primeira atitude de enfrentar o medo de ser/estar sozinha.


Após a escola, veio a vida amorosa. Meu primeiro namoro foi aos 17 anos e éramos amigos que nos víamos todos os fins de semana. O namoro durou três anos, quando comecei a perceber - aos 20 - que queríamos coisas diferentes na vida. Terminei e simplesmente emendei um outro namoro. Eu tinha pavor em me imaginar sozinha - com quem eu ia ver séries? Para quem eu escreveria? Quem me ajudaria a lidar com meus conflitos? - e, por isso, não dei o menor tempo para mim e nem para o meu ex-namorado que estava se recuperando de um término. O segundo namoro durou 1 ano porque eu não sabia direito o que estava fazendo, mas sabia que aquilo não era o melhor para mim.

Eu precisava me conhecer, afinal. 

Quatro meses depois, embarquei em outro relacionamento. Logo quando eu estava começando a conhecer a Michele-sem-homem-nenhum e me apaixonando por ela. Estava construindo uma personalidade 100% minha quando, mais uma vez, passei a viver na sombra de outro alguém. Com esse terceiro namoro eu comecei a me anular a fim de evitar brigas. E, então, decidi ficar sozinha.

Sozinha sim, solteira também.
Decidi que enfrentaria o silêncio e a solidão. 

No começo, não vou mentir e dizer que foi fácil. Eu pedia para as pessoas me tirarem de casa. "Me convida pra ir na praça, mas me convida!", implorava. Ficar em casa, em um domingo, parecia a pior coisa do mundo - e foi mesmo, no começo dessa minha "jornada de autoconhecimento". O silêncio era um barulho assustador. Mas os dias foram passando e, a cada um deles, coisas novas sobre mim mesma eu descobria. Descobri pessoas maravilhosas - e eu sempre gosto de ressaltar o quanto eu sou grata por atrair tantas pessoas incríveis. Descobri que meu foco é absurdo, quando eu quero. Descobri que a melhor coisa do mundo é seu humor depender apenas de você. Descobri que rir é muito mais fácil que chorar. Descobri que não vale a pena deixar de ser você nem por cinco minutos, se for por outra pessoa. Descobri que eu sou o centro do meu mundo e que eu era a única pessoa a quem eu precisava agradar. 

Hoje, pedi comida chinesa e, no biscoitinho da sorte, tirei a seguinte frase: "A solidão só é agradável quando se está em paz contigo mesmo". Refleti tanto que acabou saindo esse post. A solidão é boa, conforta e inspira. Basta que a gente saiba aproveitá-la. E o silêncio não é um som assustador, não. É uma situação que faz com que a gente ouça nossos próprios pensamentos. 

E que a gente se conheça de verdade.

3 comentários:

  1. Q texto bonito Mi! O silencio traz autoconhecimento, faz vc refletir, conhecer a própria alma, e a maioria das pessoas não está preparada pra conhecer e lidar com seus próprios problemas.
    Eu descobri as maravilhas de estar sozinha quando fiquei um ano nos EUA de aupair. Não tinha muitos amigos por lá, e aprendi a passear sozinha, a ficar em casa sozinha etc, coisas que nunca havia feito enquanto estava aqui. Posso dizer que aprendi a me conhecer mais desde então.

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  2. Que delícia ler seus textos, cada vez mais bem escritos!

    Parabéns Michele!!! Sucesso, no blog e na vida! =)


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  3. Legal seu texto! Eu acho importante termos tempo para nós mesmas, hj eu tenho meu canto preferido da casa, gosto de ficar lá a toa enquanto meu marido trabalha, ele é home office, mas trabalha de noite, ou seja, eu tenho um certo tempo para ficar sozinha fazendo minhas coisas. Aprendi a gostar, apesar de estarmos no mesmo lugar enquanto ele trabalha, é divertido, pois fico focada em algo que eu gosto mas ao mesmo tempo podemos conversar quando possível. Não é ficar 100% sozinha mas é o que rola hehe, e eu gosto muito!

    bjão!

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