15/03/16

Perdi a paciência com primeiros encontros?

Estou na fase do marasmo da solteirice. Assim que você termina um relacionamento, você quer recuperar o tempo "perdido", quer provar para todo mundo que está muito bem, obrigada; quer mostrar que agora você tá solteira e ninguém vai te segurar e todos os clichês funkísticos que ouvimos e concordamos internamente. Tá tudo bem, todo mundo passa por isso e longe de mim dizer que essa fase é ruim - muito pelo contrário, convenhamos. Mas depois de qualquer movimento ou tempestade, vem ela: a calmaria e o comodismo. 

Quando a emoção do novo status passa, você desacelera. E desacelerar é tão maravilhoso quanto aquele guitarrista que é a cara do Jared Leto. Hoje, o que eu mais gosto em ser solteira é o fato do meu humor não depender de ninguém a não ser eu mesma. Nenhum mau humor vai estragar o meu dia bom; eu não preciso convencer ninguém a fazer algum programa que eu queria e não existe negociação. Eu quero, eu vou, fim. É muito bom viver por você mesma e, depois que você se acostuma a isso, fica difícil querer deixar algo mudar esse marasmo todo. Mas os primeiros encontros surgem - e eu realmente não sei se eu perdi a paciência, o interesse ou se é medo de, sei lá, perder essa tranquilidade.

Primeiros encontros são ruins em 80% dos casos. Você está nervosa. Você não é 100% natural (porque está nervosa). Você não conhece a pessoa direito. Você não quer comer muito porque, né, ninguém come temaki no primeiro encontro quando o look consiste em uma camisa branca que você escolheu por medo de ousar. Primeiro encontro é composto por amenidades. "Será que chove?", "Você viu Annie Hall?", "O que você gosta de fazer nas horas vagas?", "Qual livro da saga Harry Potter é o seu favorito?". Risada forçada. Cruzada de perna ansiosa. Vontade interna de sumir. Até rolar o primeiro beijo. 

Porém, até rolar o primeiro beijo, rola aquela expectativa infernal. "Será que ele tá curtindo?", "Será que ele tá na mesma vibe que eu?", "Ele encostou a perna na minha. É um sinal?". Primeiros encontros podem ser resumidos naquele episódio em que o Ted finalmente conhece a Slutty Pumpkin: Expectativas e ansiedade. Ai, posso voltar a ver How I Met Your Mother comendo chocolate, de pijama, na minha cama?


Quando o primeiro beijo (finalmente) acontece, é como se toda a tensão acabasse. Ali você já tem o desfecho da noite: se foi bom, a noite pode continuar sem aquela atmosfera pesada. Se foi ruim, tchau e bênção, já dizia um sábio sertanejo. O primeiro beijo é o que define se todas as horas gastas em conversas mornas e comentários engraçadinhos valeram a pena ou não. Na maioria das vezes até vale, mas aí vem as expectativas pós-encontro e adeus sossego. Eu, ansiosa como sou, gostando ou não do date, fico agoniada com os próximos dias: se eu gostei, espero mensagem. Se eu não gostei, fico gelada quando ela vem. É terrível de um jeito ou de outro. Acaba-se o sossego. Lua em peixes, sabe como é. 

A cada vez que surge um primeiro encontro, eu travo. Penso em desistir, por mais legal que o cara possa parecer. Meu medo de sair dessa minha maravilhosa zona de extremo conforto é maior que o interesse de conhecer alguém incrível. Ou de ter uma noite legal. Ou de, quem sabe, acabar a noite com um grande amigo que eu não pensava que ganharia. Mas aí penso em desmarcar. Inventar que meu irmão passou mal e preciso cuidar dele. Sabe? Acho que não consigo mais ver a graça na adrenalina do primeiro encontro. Aliás, eu nunca gostei de adrenalina, para ser bem sincera. 

Será que passa? 

4 comentários:

  1. Mih, socorro. Primeiros encontros são a pior coisa do mundo. Pode acontecer tudo, inclusive nada. Pode dar muito certo, mas também pode dar muito errado. A gente pode pagar aquele micão fatal e se culpar pelas próximas vidas. Deixo aqui meu ódio por primeiros encontros.

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  2. Namoro há 9 anos e, honestamente, aconteceu por acidente porque ele era meu melhor amigo, porque eu NASCI com preguiça de primeiros encontros. Eu nunca terminei de ver Friends porque lá tem primeiros encontros o tempo todos e eu tenho preguiça até por ELES! Mas força, miga, vida segue, deus no comando.

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  3. Sinto a mesmíssima coisa que você. Me dá ansiedade, me dá preguiça da conversa mole. Me dá tudo menos vontade de estar ali =/

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  4. "Você viu Annie Hall?" Não entra na minha lista de amenidades... rsrsrs

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