28/03/16

I've stopped believing

- Eu não acredito mais em relacionamentos, na verdade. 

- Você? Sério? 

- Sim. 

- Mas não faz sentido, vindo de você. Você acredita no amor.

- Eu sei, no amor eu acredito. Eu só não consigo mais acreditar em relacionamentos. Já não penso em casamento, embora torça por cada novo noivado que surge no meu feed do Facebook. Aguardo por términos de namoro de terceiros, mesmo que eu torça por casais que nem fazem parte do meu círculo de amizades. Não me entenda mal, eu dizer que parei de acreditar não significa que eu queira que não exista mais casais, muito pelo contrário. Eu realmente torço para que os casais me mostrem que ainda há esperança. 

- Mas se você ama alguém, você acredita que pode ter um relacionamento com ela. 

- Não necessariamente. Você consegue amar uma pessoa mais que qualquer outra coisa na sua vida mas, por uma razão que nem você sabe direito, vocês não conseguem ficar juntos. Cobrança, ciúmes, excesso de opções... Bauman explica. Essa modernidade líquida é uma merda. 

- Você realmente acha que não vai casar, juntar, ou como queira chamar? Não vai ter alguém "para o resto da vida"?


- Acho. Hoje eu acredito que relacionamentos têm prazo de validade. Três anos no máximo. 

- Você fala isso porque foi o máximo que um namoro seu durou. 

- Exatamente. Falo isso com embasamento empírico, hahaha. Mas falo também de uma forma pessoal. Quem sou eu para definir o tempo de um relacionamento alheio, né? 

- Eu não consigo acreditar que você parou de acreditar em relacionamentos.

- Eu sei. Eu também não. Mas, você sabe como eu adoro me comparar com personagens das séries que gosto, né? Tem um episódio em que o Ted fala justamente isso: "I've stopped believing" e ele até brinca que, antes, se ele visse uma menina lendo o mesmo livro que ele, na fila da cafeteria, ele logo pensaria "Talvez ela possa ser a mulher certa", mas, hoje, o máximo que ele consegue pensar é "Essa vadia vai pegar o último muffin integral". Eu estou mais ou menos assim. Todos os dias eu acredito um pouco menos. 

- Então você não está desacreditada de relacionamentos, está desacreditada das pessoas.

- Também. 

- Você acredita no amor? 

- Acredito. 

- Você acredita que pode amar alguém de novo? 

- Eu não sei. Na verdade, acreditava que sim, até um tempo atrás. Hoje eu não sei. Quer dizer, há amores e amores. A gente nunca ama alguém da mesma forma que amou outra pessoa. É sempre mais ou menos. 

- Você acredita em relacionamentos, só parou, por enquanto, de acreditar nas pessoas e que pode amar de novo. Mas pode. Essa vida é muito louca e tudo pode acontecer. Você só não pode parar de acreditar. 

- Esse meu ceticismo não significa infelicidade ou algo do tipo, por favor, relaxe, hahah. Aliás, acho que está me fazendo bem.

- Você está criando um bloqueio para autodefesa. Mas me preocupa saber que, você, logo você, não acredita mais no amor.

- Eu acredito no amor, já falei. O problema são os relacionamentos.

- Vamos conversar de novo sobre esse assunto daqui um tempo e, aí, você me fala se continua com essa descrença. Combinado?

- Combinado.

2 comentários:

  1. To me apaixonando pela personalidade da sua escrita. Muito honesta, sem rodeios, mas profunda. Lindo mesmo!

    https://isaneblina.wordpress.com

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  2. Meu Deus.
    Preciso te confessar uma coisa: sempre que via seu blog nos blogrolls da vida: eu pulava ele.
    Porque? Pelo título achava que era algo fútil sobre moda. Ou sei lá o que.
    Ledo engano, heim?
    Você escreve muito bem, compartilha vários gostos comigo, formada em jornalismo <3, ama gatinhos. hAHAH também sou apaixonada por astrologia, e adorei sua combinação! :P
    quanto arrependimento de não ter conhecido seu espacinho antes, hehe.
    me desculpe!!
    e obrigada pelo conteudo maravilhoso!
    Bjoss :**

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