29/01/16

Abandonei a investigação e decidi ser leve

Qual foi a última vez em que você conheceu alguém realmente desconhecido? Qual foi a última vez em que você se permitiu conhecer alguém por ela mesma? Aposto que não conseguiu responder. É, eu também não. A internet facilita a nossa vida para muitas coisas, mas também cria problemas que eram inexistentes há alguns anos. A síndrome de Sherlock Holmes Encanado é um bom exemplo disso. Deixe-me explicar essa patologia que eu mesma batizei. 

Foto: Shutterstock

Hoje eu li esse texto porque uma grande amiga postou. Ela gosta muito dessa autora e eu até gosto de uns textos dela, também. Conforme ia lendo, me identificava em cada palavra. Se você não quiser clicar, vou resumir: o texto fala do quanto mulher investiga a vida do boy quando há o interesse. Investiga álbum de família, já sabe quem é a ex-namorada (e o que ela faz, do que gosta, do atual dela) a família e o cachorro. E eu já fiz tudo aquilo centenas de vezes. Um simples date virou meu objeto de estudo e eu não sosseguei até descobrir cada vírgula de sua história até o momento da nossa troca de telefones. Pois é. Porém, ao final da leitura, senti uma leveza extraordinária, porque aquilo não me pertencia mais. 

Escolhi a leveza à investigação.

A duras penas eu percebi que esse tipo de coisa me fazia mal. Eu estava conhecendo uma pessoa e impedindo que ela pudesse me mostrar o que ela realmente gostaria de mostrar. Quer dizer, eu não sou a mesma que era há dois meses, imagine só há alguns anos? Eu não gostaria que alguém me avaliasse, por exemplo, por um texto com ideias quadradas que eu escrevi há cinco anos. Então, por que eu vou avaliar alguém por coisas que ela viveu/fez/escreveu há alguns meses? 

Eu aprendi que esse comportamento me fazia mal - e provavelmente faz a você também. Essa síndrome traz neura ("Então essa é a melhor amiga?  Ela é muito bonita, vou precisar me arrumar mais. Uau, essa é a ex? Nossa, ela faz intercâmbio em Madrid e eu estou fazendo um cursinho online. Será que ele me acha menos capaz? Hum... Ele tem amigas demais, quem é essa de biquíni abraçada com ele? Nossa, essa é a casa dele? O que ele vai pensar do meu apartamento de 48 m²?), dúvidas, potencializa a insegurança e ansiedade. Por mais segura que você seja, se você está fazendo essa varredura na vida do date, tenho uma notícia:

Você não é tão segura assim.  

Hoje, eu vejo isso como um autoflagelo. Tem um episódio de How I Met Your Mother, que me marcou bastante, em que o Ted fala sobre a bagagem que toda pessoa carrega, como todos nós temos algum histórico e quantas pessoas já passaram em nossa vida, essas coisas. Parece óbvio, mas as vezes esquecemos que toda pessoa tem uma história e essa história nos trouxe até aqui. Você pode gostar da ex-namorada dele ou não, pode curtir a banda que ele tinha aos 15 anos ou não: ele só te encantou, hoje, porque vivenciou essas coisas ontem. Quando estamos apaixonadas parece chato pensar que ele (ou ela) teve uma vida incrível antes de você, mas teve. Assim como você. 

Temos história, mas também temos folhas em branco para serem escritas. 

Quando um cara despertava meu interesse, eu fazia a louca da CIA. Hoje, tento desencanar, até porque, se for pra rolar, vai e pronto. Conversando com um amigo eu disse que, a partir do momento que você entende que tudo na vida afetiva é interesse, você desencana de todo o resto. Hoje, se eu gosto do cara, eu faço questão para não fuçar suas coisas - eu não quero conhecer sua história de uma forma tendenciosa (porque eu vou interpretar as coisas como eu quiser). Quero que ele ressalte suas conquistas e quero que ele esconda seus fracassos se achar necessário. Quero conhecer essa história contada pelo protagonista. 

Hoje, eu não demoro pra responder uma mensagem da mesma forma que não espero por ela. Ah, e se eu quiser, eu mando o WhatsApp e se o cara responder boa, se não responder, é porque não rolou interesse mútuo e tá tudo bem. Eu posso até me sentir mal e todas as coisas que rolam quando nos sentimos rejeitadas (ou algo do tipo), mas somos adultas o suficiente para deixar isso de lado, ou aprender a lidar e não procurar alguém no Facebook que possa estar roubando a atenção que seria nossa. 

A vida é mais bonita quando você se permite ser leve. E os relacionamentos são ainda mais gostosos, viu? 


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5 comentários:

  1. Mi,q orgulho!vc tem noção q tenho amigas de 30 e poucos q ainda não perceberam tudo isso!? Cara,elas poderiam ser mais Mi viu,e realmente aprender com os erros. E o mais legal de qdo vc chega nesse estágio é q vc se sente tão livre,tão autossuficiente que eventualy o cara certo acaba cruzando com vc.

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  2. Que saudade que eu tava dos seus textos por aqui! Concordo muito com tudo que você disse aí em cima, eu também tinha essa mania de investigação, não só pra caras, mas pra qualquer pessoa que eu conhecesse. Hoje estou com a mesma pessoa há muitos anos, mas sinto falta daquela surpresa de descobrir algo novo sobre aquela pessoa, sabe? Acho que se eu tivesse que começar de novo, teria feito diferente.

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  3. Like this photo :)
    BLOG M&MFASHIONBITES : http://mmfashionbites.blogspot.gr/
    Maria V.

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  4. Muito bom o texto Mih! O medo de "ser feita de idiota" as vezes é tão grande, que leva a pessoa a investigar tudo, pois talvez estando "por dentro" de tudo que já aconteceu, a probabilidade dele mentir sobre algo e você não saber é menor. Mas aí perde toca a mágica do momento que é conhecer alguém, que é uma das melhores partes.
    É um processo difícil, a mão coça com vontade de stalkear, mas só quem consegue se livrar disso sabe o quanto vale a pena! <3

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