08/12/15

Sobre mudanças

Carrie chegando em Nova Iorque

Talvez este seja o post mais pessoal e diário do blog até então. E justamente por isso, talvez fique longo. Espero que não se importe. 

Quando eu tinha 17 anos, li O Encontro Marcado por indicação de uma grande amiga. Na época, estava vivendo aquela turbulência da vida de adulta chegando. Mal sabia que minha vida de adulta começaria, de fato, aos 23. Eu sempre fui uma pessoa muito intensa em minhas emoções e até atribuo essa característica a minha lua em peixes (a louca da astrologia strikes again) e, por isso, aos 18 estava a beira de um colapso. Novas responsabilidades, nova rotina, novos planos. Aos 18, a meta da minha vida era trabalhar para pagar a faculdade que eu queria e viver da forma mais independente que fosse possível. Consegui. Dois dias depois de fazer 18 anos arrumei meu primeiro emprego de carteira assinada e três meses depois disso fiz minha matrícula na faculdade. Mas ainda estava surtando com toda aquela mudança. E então minha amiga me ofereceu O Encontro Marcado

Como vocês já perceberam, quando algo me impacta, eu fico obcecada. Aos 18 anos, fiquei assim com Eduardo Marciano. Me via nele e na parte "A procura" todinha. Anotava frases em meu caderno, me sentia compreendida. Era alguém dizendo coisas que até então estavam no fundo do meu peito e nem eu conseguia expressar. Foi um livro importante e que me ajudou a passar pela primeira crise de identidade que tive. E na segunda, ele também está presente. 

Vou passar pela maior mudança da minha vida até então. E a mudança não é apenas física (mesmo que estejamos falando de 600km, a principal mudança não é a de espaço), embora ela seja importante. Estou vivendo o maior "fenômeno" da minha vida até então. A insatisfação com minha cidade, o dilema em ficar longe das pessoas que amo, a dúvida sobre qual caminho seguir, como comentei neste post aqui.  

A frase do livro nunca saiu da minha cabeça e sempre que me via dividida entre alguma coisa, me lembrava dela. E meu Deus, como é difícil escolher algo - principalmente para uma geminiana. É impossível deixar o "e se...?" de lado e conviver apenas com a escolha. É difícil lidar com coisas que poderiam ter sido, mas não foram. E o primeiro grande dilema dessa minha nova fase é esse: para qual caminho seguir? Estou fazendo a coisa certa?

Assim como no livro, minha mudança pode ser dividida em duas partes. 

1- A insatisfação

Tudo começou com um pontinho no meu peito que começou a fazer com que eu me questionasse sobre algumas coisas. Começou no começo do ano, mesmo. Eu sempre soube que as oportunidades na minha cidade, para minha área, eram limitadas, mas apesar da vontade sempre existir, achava que não aconteceria. Eu tinha família, um sobrinho chegando, um namoro longo. Mudar não era opção, portanto, decidi fazer algo diferente por aqui. "Criar a oportunidade" que eu buscava. Me juntei com a Marina, planejamos por meses o IT e nos dedicamos ao projeto o máximo possível entre cursos e empregos integrais. Maio chegou, o lançamento do IT foi lindo e as coisas pareciam encaminhadas. Mas, no segundo semestre, tudo começou a tomar um novo rumo. 

Eu terminei meu namoro longo, a rotina em casa mudou drasticamente, vi outros novos caminhos se apresentarem. Aquele pontinho virou uma mancha grande. Não conseguia me animar com o que me era proposto (e não falo profissionalmente) e comecei a me incomodar com muitas coisas. Várias vezes rascunhei posts cheios de insatisfação aqui no blog, mas não publiquei por medo de alguém daqui se sentir ofendido. Além de me sentir limitada, a maior parte das pessoas daqui me desanimavam. Além dos meus amigos, eu não conseguia manter uma conversa com ninguém e isso me fazia mal, me causava uma sensação ruim de que "eu não pertencia a este lugar". Por favor, não entendam isso como arrogância, prepotência ou algo do tipo. Por favor! Não é isso! Aqui tem pessoas maravilhosas além dos meus amigos (embora eu seja suspeita e diga que eles são as melhores pessoas do mundo), mas por ser uma cidade provinciana, alguns discursos me tiravam do sério. O negócio é incompatibilidade, mesmo. E isso tudo alimentava a mancha que, nessa fase, já tomava metade do meu peito. Eu não sabia o que queria, mas definitivamente, não queria o que estava vivendo. 


Já postei tanto essa cena/frase que daqui a pouco me interditam

E então uma luz apareceu. Uma quase-oportunidade que me fez pensar em, talvez, me mudar. "Quem sabe?", pensei comigo mesma, mas ainda duvidando disso. Eu teria que morar sozinha em uma cidade imensa. Eu, que não sei fazer um arroz e nunca lavei uma roupa na vida. Parecia distante, mas falei "Ok, vamos tentar só por tentar". Fiquei cinco dias na casa de um grande amigo e, ali, pude conhecer São Paulo de verdade. Não como turista, mas como futura paulistana. Peguei metrô cheio, corri para chegar em um lugar na hora certa. Gastei a vida inteira em um único almoço. Peguei metrô sozinha. Quando voltei pra casa, a mancha no peito se tornou luz e vontade. "Eu quero isso pra mim", decidi. E então as coisas começaram a acontecer. 

2- O Impulso

O meu amigo, o que me abrigou em sua casa, me disse que quando ele decidiu ir para São Paulo (ah, ele também era de Araçatexas) as coisas começaram a acontecer para que sua ida desse certo. Foi assim comigo também. Quando voltei determinada a me mudar, tudo rolou. E estou falando sério! Mais de uma oportunidade se apresentou. Eu brinquei com a minha mãe "Se não for de um jeito, vai de outro". Coloquei como meta e a avisei. "Vou em 2016, fica vendo! Começo o ano lá!". Ela não botou fé. Até o início dessa semana.

Enchi o peito, tomei coragem, dei dois passos para trás para tomar impulso e... Tudo deu certo! Cá estou de mudança! Nas próximas semanas corro para lá, visito alguns lugares, escolho o que for mais perto e melhor. Já estou separando algumas coisas, comprando outras e já avisei a todos os amigos queridos. Assim como a segunda parte do livro, estou indo para o meu encontro. O encontro comigo mesma, afinal, será assim por um tempo. Eu comigo mesma. Assim como Eduardo, vou vivenciar meu próprio enfrentamento. E acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é se enfrentar. É tentar se encontrar.

O mais incrível dessa nova fase é, definitivamente, não saber o que vem depois. E eu nunca estive tão animada na vida. É um misto de adrenalina, felicidade, medo, ansiedade e frio na barriga. E eu sempre procurei por essa sensação de trezentos elefantes dançando tango no meu estômago.

{ Estou muito ansiosa e se você já passou por isso e quiser trocar uma ideia pra me dar um pouco de tranquilidade, por favor, me chama que eu vou! hahaha } 


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11 comentários:

  1. Mih! Qie incrível que você tá vindo pra cá! Vai ser mara, você vai ser só. Eu tô passando por isso também. Não mudando de cidade, como você, mas indo pra meu primeiro apê, saindo da casa da minha mãe. Dá um frio na barriga e uma ansiedade gostosa ao mesmo tempo! E, ó, se você precisar de alguma coisa, é só falar! <3

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    1. Você é muito maravilhosa, Maki! <3 obrigada pelo apoio e ajuda!

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  2. Menina do céu, você me entende. <3 Minha experiência foi quase a mesma, tirando o fato de a minha cidadezinha ser até bastante perto (2h de viagem) daqui de Sampa e de eu ter cortado relações com ela absolutamente. Não tenho mais contato com ninguém ou nada da cidade além da família e um ou outro restaurante, apareço por lá um fim de semana por mês e é só. Tem gente que nasce pra cidade pequena. Que adora conhecer todo mundo, saber quem carregou quem no colo, depender da amizade e do favor alheio ao invés da própria capacidade para conseguir uma oportunidade boa de trabalho (era isso o que me matava). Eu me sentia uma orca presa num aquário de peixe beta, a cidade inteira me dava claustrofobia.
    São Paulo é uma distopia maravilhosa. A cidade acaba com você de vez em quando e mesmo assim você só consegue pedir mais. Eu não quero nem sonhar em sair de perto desse monstro de concreto, cheguei por conta própria e pra ficar. É uma experiência incrível, você vai curtir muito!

    Sentimentaligrafia

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    1. Marcela, você definiu muito o que eu sentia com essa frase "Eu me sentia uma orca presa num aquário de peixe beta, a cidade inteira me dava claustrofobia". As vezes até me sinto um tanto quanto ingrata, mas eu realmente não conseguia mais respirar. Obrigada pelas palavras e por me mostrar que está tudo bem não se identificar com um lugar. <3

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  3. Admiro muito tua coragem e fico torcendo por ti, pq a mesma sensação de não pertencimento que vc tem/teve, eu sinto pela minha cidade. Assisti um vídeo no canal de Camila Coutinho hoje e lembrei dessa tua mudança. A diretora de moda da Teen Vogue é de Araçatuba, daí ela conta um pouquinho como chegou a revista. Minuto 04:09 https://www.youtube.com/watch?v=3paDdCejkeQ

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    1. Obrigada, Mari! <3 e muito obrigada pelo vídeo! É muita inspiração!

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  4. gostaria de dizer que me arrepiei lendo seu texto, cada linha, e olha ja me senti assim, esse ano as coisas não deram muito certo, mas ainda, so por enquanto não sabemos o motivo, mas sei que lá na frente tudo vai se encaixar e eu vou entender que é tudo no seu tempo. Boa sorte nessa nova fase, se descubra, se reinvente, se conheça e se ame muito e cuide de si, que tudo dê certo, e quando não der, que você tenhas forças pra levantar e seguir lutando. Ja te admirava antes, agora ainda mais pela coragem <3 feliz vida nova.

    escrevendodepijama.blogspot.com

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    1. Muito obrigada pelas palavras, Rapha! De verdade! <3

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  5. Eu estou passando pelo mesmo momento. Também sabia que o mercado de trabalho era super limitado para mim na minha cidade, tinha (ainda tenho na verdade) um namoro longo e não pensava em me mudar nunca. De repente vi uma oportunidade de me mudar para um lugar longe (1200 km) e estou de mudança marcada pra sexta-feira.
    Desejo sorte e determinação! Vai dar tudo certo! Um beijo! :)

    http://sobrenovacriacao.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, Even! E boa sorte para você também! <3

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  6. Mulher, que texto lindo. Chegou num ponto desse ano em que eu estava me sentindo assim, só que profissionalmente. Mas agora, aos 47 do segundo tempo de 2015 consegui mudar o jogo e estou animada (feliz, motivada, inspirada, e todos os melhores adjetivos que você consiga imaginar) para o ano que virá. Muitas expectativas boas, mas tentando manter my feet on the ground(but my head's in the clouds). Então sucesso pra ti! Que você consiga continuar motivada e superar os desafios. Beijo e ótima semana pra ti!

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