16/12/15

Quando eu descobri que não tinha inimigas

Foto: Shutterstock

Li esse post da Clara Averbuck no Lugar de Mulher e quis fazer um. Quis fazer um parecido, porque como comentei aqui no blog uma vez, eu nem sempre fui bacana, gente boa e cheia de empatia como sou hoje (ainda bem que sou modesta haha). Eu já fui escrota, já fui preconceituosa, já fui maldosa. Mas graças ao tempo a gente não só muda, como também evolui.

Já tive muita rixa com minas. Muitas muitas muitas. Vivia numa extrema competição em que eu tinha que me achar (e me achar é diferente de ser) a mais bonita, a mais legal, a mais inteligente, a mais bem sucedida. Na minha cabeça, eu precisava provar para as inimigas que eu era melhor que elas. Porém, depois de um bom tempo, descobri que não era para os haters que eu precisava provar algo: era para mim mesma. E a partir daí, vejam só, eu descobri que não tinha inimigas e não tinha hater. Eu era apenas mais uma pessoa nesse rolê bizarro e cheio de altos e baixos chamado vida. 

Acho que eu criava essa coisa de hater porque era tão insegura que precisava acreditar que alguém dedicava um tempo da sua vida me observando. Por carência, talvez, eu queria acreditar que uma pessoa queria ser como eu. Que tinha inveja. Que me acompanhava. Que perdia horas do seu dia me desejando coisas ruins. Não que não existam pessoas negativas que eventualmente mandam uns pensamentos que não são legais pra gente, mas a minha viagem era além. Eu, uma anônima de Araçatuba, sem lenço nem documento, realmente acreditava que tinha pessoas que queriam ser como eu.

Pois é. 

O dia em que eu descobri que não tinha haters foi em outubro do ano passado. Tarde, eu sei, mas antes assim do que nunca. Foi quando tive umas zicas na vida que parei para pensar que, opaaaaa: nobody cares. Ninguém se importa se ganhei na loteria, ninguém se importa se fui para o inferno. Acreditar que eu vivia em uma espécie de Gossip Girl não só era infantil como utópico. E então acordei para a vida. 

Esse dia me mostrou que eu não tenho que ser a mais bonita, mais legal e mais inteligente para ninguém além de mim, na minha concepção. Entendi que eu precisava pensar "preciso ser o máximo de mim que posso ser" e só. Eu não estava em uma competição. Eu não vestia uma faixa no braço com um número estampado e nem estava correndo para quebrar uma fita na linha de chegada, porque na verdade, nem eu sabia o que seria o fim da corrida, o sucesso ou o pódio.

Quando descobri que não tinha inimigas, a vida ficou mais leve porque passei a conviver com elas. Parei de olhá-las como tal. Eram minas que, com certeza, também tinham inseguranças, medos e problemas, como eu. Talvez elas também pensassem que tinham haters, invejosas e etc. Talvez eu fizesse parte desse grupo na cabeça delas - e eu queria muito que elas soubessem que eu não estou. Nesse dia, entendi que todas as pessoas são bonitas, talentosas e etc, cada um a sua maneira. Cada uma cumprindo com seus próprios propósitos. Cada uma dando o melhor de si mesma para se autosatisfazer.

Demorou, mas finalmente aprendi que pessoas felizes não têm tempo para se ocupar com as coisas dos outros e, muito menos, tempo para querer conquistar algo só pra provar algo à alguém, ter cinco minutos de satisfação pessoal e, depois, cair no limbo de dúvidas e sentimentos vagos que permeiam pessoas inseguras. Aprendi também que todo mundo tem problemas e todo mundo precisa de forças. Consegui enxergar que a energia que eu direcionava para tentar fazer algo para "dificultar o dia das inimigas" era a mesma que eu deveria canalizar nas minhas realizações. Eu finalmente enxerguei que as coisas legais que acontecem comigo só interessam a mim - assim como as ruins.

Sabe, quando você descobre que não tem haters, a vida fica boa e fica leve, porque você é a única pessoa para quem precisa provar algo. E posso te contar uma coisa? Nesse caminho todo, a pessoa que melhor entenderá um fracasso e reconhecerá seu mérito, veja só, é você mesma. E acredite: isso basta.


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9 comentários:

  1. Mi, nossa que feliz que fiquei lendo esse texto!
    Eu sempre achava graça nos posts antigos que você mencionava "as inimigas" pq qdo eu tinha meus vinte e pouquinhos eu era igual. Me sinto orgulhosa tipo, sei lá, irmã mais velha de ver vc falando "Demorou, mas finalmente aprendi que pessoas felizes não têm tempo para se ocupar com as coisas dos outros"...e é tão isso! Você com seus 23 aninhos já conseguiu entender isso. Tem gente que leva uma vida toda e não consegue. Eu demorei uns anos a mais aí que você. Isso prova que você ainda evoluirá muito nesta vida, e é isso que viemos fazer aqui, evoluir.
    "Cuide bem da sua alma porque deste mundo será a única coisa que você levará." Li isso em algum texto esse ano, e achei tão tão certo. Descreve essa premissa. Quem está gastando energia com outras pessoas não está evoluindo.

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    1. Miiii! Fico tão feliz lendo isso porque, nossa, você realmente acompanha meu desenvolvimento, meus dias e sempre faz questão de me dizer coisas boas, de compartilhar um ponto de vista comigo, de até me dar um conselho ou outro. Você está aqui lendo e comentando há pelo menos uns dois anos - e como a gente muda nesse período, né? Muito obrigada por sempre estar presente, por sempre comentar, por sempre ser linda! Você é muito especial! <3

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  2. Adoro entrar no seu blog e ver que mudou algo no layout ... reparo sempre!

    Eu acho que tive sorte, porque percebi mais cedo, quando estava no 3º ano do ensino médio. Consegui percebe isso porque passei pelo 2º ano sozinha, sem amigos e alguém para conversa (membros do meu grupinho tinham mudado de escola ou turno), mas percebi que não era porque as pessoas me odiassem ou não gostavam de mim, mas sim porque eu não abria espaço para elas e não conversava com elas, quando fiz isso no 3º ano descobri que ninguém tinha tempo ou motivo para me odiar e ficar reparando em cada passo da minha vida. Antes ficava preocupada com tudo o que eu falava e a maneira que me comportava com medo dos comentários dos outros. Tinha até medo de sentar na parte da frente do ônibus achado que na hora de descer alguém ia fazer um comentário sobre mim, ou seja, totalmente insegura. Eu não sei o que aconteceu realmente no processe de mudança, mas algo aconteceu e aconteceu para melhor, porque eu parei de me importar com a opinião dos outros - que muitas vezes nem existia - parei de tentar ser algo ou alguém de destaque no grupinho e descobri que ser você e ser invisível e a melhor coisa do mundo. Mas o melhor de tudo é que eu entendi que quando merdas acontecem, acontecem porque a vida e assim e não porque o mundo ou alguém está contra mim e só me resta tentar e tentar de novo até dar certo. Como dizem " a felicidade está em nossas mãos" e não na aprovação dos outros. Amadurecer... melhor coisa!

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    1. Que linda! Obrigada por reparar e elogiar! Já percebeu que eu mudo com uma frequência não muito natural, né? hahah

      E que bom que seu amadurecimento sobre este assunto veio cedo. O meu demorou e, até então, já fui muito idiota - já fiz piadinha, enfim. É maravilhoso a gente se libertar da opinião dos outros e vivermos de acordo com o que _nós_ queremos e o que _nós_ esperamos, né? <3

      Realmente, amadurecer é a melhor coisa. E obrigada por dividir comigo sua experiência!

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  3. Sobre eu amar o texto e me identificar haha, você tem razão em tudo, amei todas as palavras e reflexões... mil beijos
    http://modismodeluxo.blogspot.com.br/

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  4. Li esse texto assim que tu publicou, mas só agora vim comentar. Eu nunca tive essa noia, mas fui prejudicada por muitas meninas que pensam que nem tu pensava. Acabei me afastando de muitas amizades por caso dessa gente azeda. Incrível como algo prejudica tanto quem pensa dessa maneira e prejudica os outros também. Hoje mal saio de casa e mantenho amizades porque tenho medo de rolar intrigas por parte de outras pessoas, quem dera se pelo menos algumas tivessem essa iluminação que tu teve ❤️ Parabéns pelo amadurecimento.

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