25/10/15

Quantas vezes a gente ama, na vida?


Em um dos episódios de Sex And The City, a Carrie se questiona sobre o amor. No meio do assunto, (acho que) a Charlotte fala algo sobre só poder amar uma vez. Todas entram em choque, afinal, vários amores já tinham passado por suas vidas. Fiquei pensando sobre o assunto, afinal, sou movida por amor e a ideia de que só pode sentir esse sentimento uma única vez parecia inadmissível e um tanto quanto assustadora, na verdade. Então, quer dizer que já gastamos o nosso amor-da-vida aos 20 e poucos anos? Isso não é nem metade das nossas vidas! Quer dizer, então, que todas as histórias furadas, os buracos no caminho e as decepções invalidaram a busca por uma nova pessoa? E o que dizer dessa perspectiva que, simplesmente, elimina qualquer esperança de que se encontre felicidade com um alguém? É impossível. Mas algumas pessoas com quem conversei acreditam nisso.

Como boa jornalista que sou (ok, ok, pode dizer "amiga mala que entra em questões profundas no meio da conversa despretensiosa no bar em que a pauta era, até o momento, o quão a batata com cheddar daquele lugar era deliciosa") perguntei para alguns amigos o que eles pensavam sobre o assunto. E você talvez se surpreenda em saber que alguns deles concordaram que, sim, só se ama de verdade uma única vez na vida. Discordei veemente, afinal, já escrevi aqui no blog que amor, na minha concepção - é um ciclo. Você se apaixona > você ama > acha que nunca sentiu algo tão forte como o que sente > passa > se apaixona de novo > ama > acha que aquela é a vez mais intensa em que provou do sentimento. Quando o amor acaba, abre-se lugar para que um outro ocupe o espaço. Tudo é mutável, passageiro. É impossível acreditar que se ame apenas uma vez.

Entretanto, existem amores que marcam mais que outros. E talvez essas marcas (sem entrar no mérito/qualificação de positivas ou negativas) sejam mais resistentes que outras. Talvez as cicatrizes sejam fundas o suficiente para confundir dor com amor. Ou então, as lembranças boas são tão vívidas que te faça misturar nostalgia com o sentimento. Mas, sabe, o que seria de nós se não pudéssemos conviver com marcas? Se não pudéssemos reviver bons momentos, mesmo que em pensamentos embaçados antes de dormir? Viver acreditando que não poderá amar novamente é como viver no escuro. Viver sem esperanças, mesmo. Não me chame de romântica ou coisa do tipo, porque os gênios do rock já disseram antes de mim que todas as pessoas precisam de amor. E precisamos mesmo.

Ted Mosby, também conhecido como "eu, se eu fosse um personagem de uma série de TV"

Eu realmente acredito que nada é completo se não tivermos amor. E eu digo amor e não alguém, necessariamente. O amor pode existir de muitas formas. Ele é combustível, sabe? Para mim, se o amor é correspondido, ele é força. Se não é, é determinação. Se o amor é novo, é arrepio. Se é antigo, é conforto e se o amor faz mal, no final, dá força e experiência. Ele sempre existe e sempre traz coisas boas, de uma forma ou de outra, independente do período (se no início ou no fim do sentimento). Eu, na qualidade de pessoa esperançosa e otimista por natureza, jamais conseguiria acreditar que só se ama uma vez.

Ama-se três, quatro, quinze, cinquenta vezes. Nos apaixonamos por motivos diferentes, amamos coisas que jamais imaginaríamos que pudéssemos amar. Em um dia, amamos alguém que é apaixonado por filmes com estética noir e tem prazer em ouvir vinil apreciando um Merlot e, no outro, estamos amando alguém que acompanha religiosamente Velozes e Furiosos e está pirando nas últimas produções do Calvin Harris com uma lata de Skol. Em um dia amamos olhos pretos e, no outro, estamos fascinados por olhos azuis. 

Quem somos nós para determinar as vezes em que seremos arrebatados por algo tão natural - e tão inevitável - quanto esse sentimento? Quem somos nós para definir que só vamos amar uma vez. E principalmente: quem somos nós para não conseguir amar de novo? Fico pensando no que seria da vida - e de nós mesmos - se as coisas fossem padronizadas e delimitadas. E sabe, ainda bem que é possível amar tantas e tantas e tantas vezes. Até porque, como disse Ted Mosby, love is the best thing we do. E é mesmo.

Um spoiler: Charlotte ama novamente. 

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4 comentários:

  1. Respondendo a pergunta que dá título ao post: várias. Amamos várias vezes ao longo da vida, disso não tenho dúvidas, mas de maneiras e intensidades diferentes -- e isso faz de cada amor único. Nós nunca vamos amar outra mulher como amamos a nossa mãe; o mesmo vale para o pai, as irmãs, os irmãos, os amigos e as amigas.

    Agora, sobre o amor romântico, o amor que vem abraçado com a paixão, de mãos dadas com o gostar... este eu tenho que concordar com algumas pessoas com quem você conversou, Michele. Este eu acho que só acontece uma vez na vida, sim.

    É claro que nós podemos - e vamos - nos apaixonar uma, duas, três, cinquenta vezes e nessas experiências o outro lado vai sentir algo igual ou até mais intenso ainda por nós, mas eu não acredito, não visualizo que todas essas situações vão resultar em amor. Sou dessas que acredita em alma gêmea, entende? Não penso em um "felizes para sempre" em todos os casos, mas penso sim que existe alguém, um único alguém, que vamos amar e que vai nos corresponder e será lindo, absolutamente lindo.

    Tenho 21 anos e até o momento me deparei com três pessoas que fizeram meu coração palpitar, mas sei que não amei nenhum deles. Amei sim as lições que cada um deixou comigo. Amei os momentos que passamos juntos. Amo o que os três continuam representando para mim, mas amá-los -- o amor acompanhado da paixão, do gostar, este eu sei que não senti nem antes, durante ou depois do que vivemos.

    Eu não sei se consegui expressar meu ponto de vista com a clareza como sinto aqui dentro, mas reforço que acredito que o amor-romântico aconteça apenas uma vez com a gente. Talvez ele não resulte em um casamento, em um envelhecer lado a lado e aquela coisarada toda. Talvez os pares se separem e cada um siga o seu caminho, sem reencontros, sem mais esbarrões pela vida. Você pode encontrar outra pessoa, se apaixonar por ela e escrever mais uma história depois disso, mas será completamente diferente - e nem por isso menos especial, veja bem - do que sentiu por aquela outra pessoa que fez parte do seu passado.

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    1. Com certeza expressou, Nicole. E uau, obrigada por esse texto de comentário! Não só mostra que você leu o texto como pensou sobre ele e, uau, isso é tão gratificante que não sei nem como dizer.

      Eu concordo com alguns pontos que você destacou, mas sou uma eterna romântica que acredita que cada nova possibilidade é uma nova chance e assim as coisas vão indo. Acho que é uma forma mais confortável de levar as coisas hahaha

      Um beijo e obrigada ♥

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  2. Preciso dizer que acabei achando seu blog hoje por acaso e estou apaixonada. Já devorei a maioria dos posts hahaha :D sobre isso de "amor, só uma vez", eu acreditei por muito tempo que era bem assim que as coisas funcionavam.. ha. Inocente. Depois, acabei percebendo que o amor é assim mesmo. Vem e vai, e pouco importa se acham estranho ou não. O que importa é eu saber que aquilo é amor, e todo o resto faz sentido :')
    adorei o texto! um beijo,
    lê. {http://osbeneficiosdebebercafe,wordpress.com}

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    1. Ai, que bom que gostou do blog, Lê! <3
      Um beijo e vou conhecer o seu também!

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