30/03/15

Sobre empoderamento e como o feminismo está mudando minha vida

Créditos: GWS // Apoie as irmã - link do texto no final do post
Hoje em dia, "empoderamento" é uma palavra até que comum, graças ao destaque dos movimentos feministas na internet, mas faz pouco tempo que eu realmente entendi o significado da palavra (empoderar, dar poder) e da sua importância para todas as mulheres. Mas, antes disso, deixe eu contar um pouco da minha história antes de conhecer o feminismo. 

Eu sempre fui daquele tipo de pessoa que gostava de gongar (em off, em grupos de WhatsApp com amigas, etc) determinadas pessoas. Adorava sentar em meu próprio rabo e apontar os defeitos alheios. Com muita vergonha, assumo que fazia disso pautas entre conversas, práticas corriqueiras e, consequentemente, um hábito. Ás vezes me arrependia quando algo saia "do controle", ia pedir desculpas para o alvo da vez, mas depois voltava e fazia tudo de novo. Como se eu, que já sofri bullying - e sofri pra caralho com isso -, que sou a personificação da insegurança, fosse perfeita. Como se eu pudesse apontar o defeito de alguém. 

Até me dava um peso na consciência, sabe? Mas até quando eu queria parar, alguém puxava o assunto. E aí eu falava, falava, falava. E na maioria das vezes, era de outra mulher. Até que eu conheci o feminismo. O feminismo prega que nós, mulheres, devemos nos ver como irmãs. Juntar forças, afinal, o mundo já é ruim o bastante com nosso gênero. Comecei a prestar atenção em minhas palavras e em meus atos. Quanto mais lia sobre o movimento, menos vontade eu tinha de falar mal da pessoa x ou de comentar o cabelo da y. Em outubro, que foi um mês bem foda do ano passado, eu realmente parei com o mau hábito. Eu estava com tantos problemas, tantas coisas, que pensei "É sério mesmo que diante de tantas coisas, eu vou querer gastar meu tempo e energias com isso?". E aí parei. Parei de achar que vivo em um filme como "Meninas Malvadas" e que preciso de inimigas. Não, eu não preciso - e se realmente não tiver, mais sortuda serei. Inimigos, só que tem, são os heróis da Marvel.

Material lindo que foi distribuído no "chá" feminista que rolou em um pub da minha cidade ♥ 
O feminismo me mostrou que essa rivalidade entre mulheres é algo que colocaram em nossas cabeças. "Querem nos enfraquecer", nos desunir. Querem que realmente tenhamos em mente que "fulana quer ser como você", quando na verdade, fulana e o resto do mundo estão cagando para você, suas roupas, seu namorado, sua vida e suas viagens, sua comida e seu trabalho. É triste aceitar que você não é o centro do mundo e que as pessoas, raramente, se importam com você. E quem se importa, já está do seu lado. É triste imaginar que não somos protagonistas de Gossip Girl, mas não é mais triste pensar que somos o tipo de pessoa que fazemos algo para "provocar" outra

Em um evento de discussão feminista que rolou na minha cidade, eu fui e perguntei (fiz várias perguntas, como disse, sei pouco ainda sobre o movimento) sobre o empoderamento. Me explicaram que o empoderamento é você ajudar a mulher a perceber que ela é linda, talentosa, foda. Ela é assim a sua maneira, da mesma forma que você também é. Uma não precisa anular a outra. Uma não tem que ser feia para a outra ser bonita. Uma não tem que ser incompetente para a outra ser talentosa. NÃO. Nós todas somos incríveis e temos que nos dar as mãos.

Desde então, desde o outubro que eu passei por situações tensas e voltei minhas energias para outras coisas, minha vida mudou. Não consigo ver outra mina como rival, ou algo do tipo. Vejo como irmã, alguém que precisa me dar as mãos para que, juntas, a gente consiga enfrentar o mundo. Mesmo que ela insista em uma competição, mesmo que ela insista em uma rivalidade. A vejo como irmã e, sempre que puder, vou empoderá-la. Porque precisamos disso. E energia boa dada, sempre vem em dobro. 

- Leia também: ♥ Apoie as irmã ♥ | GWS - Girls With Style

Ps: outra coisa que vem me fazendo muito bem, aliviando, me deixando mais empática, com vontade de empoderar outras mulheres e, principalmente, me aceitando e me amando como sou, é um grupo lindo que foi criado depois do evento feminista que citei ali em cima, na minha cidade. Se você for de Araçatuba, ou de cidades próximas, e quiser fazer parte e discutir, conversar e entender, é só me chamar que eu te convido. ♥ 

Acompanhe o MOBIC (e a Mih) nas redes-sociais!
Twitter  ♥ Facebook ♥ Instagram ♥ Youtube

5 comentários:

  1. Mi,esse seu interesse pelo movimento e enfim, desprendimento de picuinhas menores tbém é resultado do processo natural de amadurecimento. Vc vai ver, qdo chegar nos 30 então, terá tanta coisa que achará menor, que não tem tanta importância. Eu me identifiquei muito lendo seu texto porque quando eu era mais nova, digo a uma década atrás no começo dos meus vinte, eu era assim também. Fazia muita tempestade em copo dagua, outra coisa que acho que fui melhorando muito com a idade. Nós mulheres temos sim que nos ajudar. Eu hoje em dia não falo mal de nenhuma mulher (acho super desnecessário e improdutivo) mas conheço amigas (ainda hj de 30 pra cima) que não conseguiram se libertar deste triste esteriótipo, q comparam roupas, falam q fulana é mal vestida, feia...nossa, eu sempre penso, gente, let it be, deixa a pessoa ser do jeitinho dela, o q importa é se é uma pessoa, boa, íntegra ou não...enfim, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que as pessoas consigam se odiar menos.
    https://micheledasletras.wordpress.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza, Mi! Isso tudo tem muito a ver com amadurecimento também!

      E QUE LINDO, VOCÊ CRIOU UM BLOG! <3
      já vou lá fuçar tudinho!

      Excluir
  2. "Uma não precisa anular a outra. Uma não tem que ser feia para a outra ser bonita. Uma não tem que ser incompetente para a outra ser talentosa. NÃO. Nós todas somos incríveis e temos que nos dar as mãos."

    Salvei aqui para a vida! <3

    ResponderExcluir
  3. "Querem que realmente tenhamos em mente que "fulana quer ser como você", quando na verdade, fulana e o resto do mundo estão cagando para você, suas roupas, seu namorado, sua vida e suas viagens, sua comida e seu trabalho. É triste aceitar que você não é o centro do mundo e que as pessoas, raramente, se importam com você." A MAIOR VERDADE! E a partir disso foi criado o "recalque", "as invejosas", "as inimigas". Quanto ego.

    ResponderExcluir

MY OTHER BAG IS CHANEL © , All Rights Reserved. BLOG DESIGN BY Sadaf F K.