11/02/15

Até então


E então eu me vi sozinha com uma garrafa de cerveja barata pela metade em uma das mãos e o celular na outra. Eu queria ver uma chamada perdida, um e-mail não lido, algumas mensagens no Whatsapp que não foram respondidas.

Mas não tem absolutamente nada. 

Eu estou sozinha. Definitivamente. 

A verdade é que eu me sinto sozinha muito antes de você levar todas as suas coisas daqui e de me dar esse gigante pé na bunda. Quer dizer, desse pé na bunda. Meus últimos meses se basearam em pés na bunda e eu nunca sabia quando era real. Sofria imensamente a cada um deles, mas eu sempre tinha uma coisinha de que “daqui duas horas tudo estará bem”.

Mas dessa vez não está. 

Não tem chamada perdida. Não tem e-mail não lido. 

Dou um gole no resto da cerveja imaginando que é uma garrafa de vodca. Graças a Deus a minha conta não tem um só tostão, se não, a essa altura, eu já estaria bêbada. Muito bêbada. E provavelmente vomitando, coisa que nunca fiz por beber demais. 

Eu te odeio. 

Odeio por ter me deixado assim, de olhos pequenos, boca inchada e com essa dor no peito que parece não passar nunca. Aliás, essa dor no peito vem me acompanhando há tempos. Mas agora parece que tem uma faca encravada logo abaixo da minha garganta. Eu te odeio por não ter me dado o valor que eu merecia. E eu merecia, viu? Te odeio por ter dito que me amava e, pior, por ter me feito acreditar e amá-lo. Eu te odeio por ter me feito sentir coisas que eu nunca tinha sentido e, agora, ter me deixado na merda. 

Eu te odeio por ter me dado as costas.
No momento em que eu mais precisava de suas mãos.

Mas é sempre assim mesmo, não é?

As coisas acontecem de uma vez. A vida não quer saber se você acabou de ser demitida, ela vai fazer você ter maior briga da sua vida com o (até então) namorado – apenas três dias depois. Ela não quer saber se é o dia da entrevista de emprego dos seus sonhos: você vai descobrir uma doença chata que tem tratamento, mas ele é lento e irritante. 

Eu queria mesmo uma garrafa de vodca. Ou até mesmo um baseado. Tudo que pudesse fazer isso passar.

“Vai passar”

Que vai passar eu sei, eu só queria saber quando. Dói tanto, sabe? O negócio é físico, mesmo. E enquanto estou aqui, colocando meus pulmões e coração para fora, eu não tenho ideia de onde quer que você esteja.

Está comemorando a solteirice recém-adquirida? 

Está ouvindo música e fumando no quarto infestado de fumaça?

Está pensando em mim?

Duvido.

Olho o celular de novo.

Nenhuma chamada perdida. Nenhum e-mail não lido. Continuo bloqueada no Whatsapp. 

Mais um gole.

Você lê essas linhas e me imagina uma pessoa deprimente. Pois bem, eu sou. 

Mas não era. 

Eu sempre fui uma pessoa decidida. Sempre quis mais do que a vida me dava. Sempre. Nada me desanimava. Se eu tinha um sonho, não sossegava até realizá-lo. 

Nunca me contentei com metades. 

Até então.

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Tenho inúmeros textos, de diversos temas (deprês, românticos, fofos, bizarros) nesse estilo e sempre tive vontade de publicá-los no blog. Não são exatamente biográficos, mas adoro escrever esse tipo de coisa. Quem me conhece dos tempos de Mih Poynter do FFADD, sabe que eu sempre adorei escrever ficção e me dedicava muito nisso. Dependendo do que vocês acharem, vamos ver mais textinhos por aqui sim. 

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2 comentários:

  1. Belo texto Michele! Me identifiquei, mas o pior foi que o pé na bunda que eu levei foi pra ficar com outra.. haha

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    Respostas
    1. É foda... não adianta dizer que passa porque, que passa, a gente já sabe haha
      Um beijo e que bom que gostou! Me incentiva a postar mais <3

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