04/12/14

Eles querem moda


Chapéus, coturnos, gravatas borboleta, leggings estampadas e turbantes. Provavelmente você imaginou os itens citados em composições de editoriais de moda ou em blogs famosos, mas não os imaginou em looks do dia a dia – ainda mais no interior de São Paulo. O diferente, mesmo que fashion, ainda causa estranheza, por mais que o clima da cidade seja propício para o uso de chapéus e óculos maiores. Porém, os olhares tortos e as expressões surpresas não incomodam – e nem influenciam – o estilo de jovens araçatubenses que não seguem a moda – eles a fazem. Como na música de Madonna, a única coisa a seguir é a ordem Express yourself


CAMILA LEITE, 22 anos, não passa despercebida: com o cabelo platinado e o corpo repleto de tatuagens coloridas, ela tem um estilo vintage. “Um estilo vó”, como ela mesma descreve. Com um guarda-roupas repleto de saias cintura-alta, estampa de poás (bolinhas) e florais, ela garante que sua principal fast-fashion é o armário da mãe e da avó. “Eu tenho dó de gastar dinheiro com roupas, então, pego muita coisa que foi delas, além de fazer as minhas próprias”.


Com um closet minimalista, composto por bastantes tachas, couro e coturnos, a estudante de Design de Moda LUISA CINTRA, 19, acredita que a moda é uma extensão de sua personalidade. “É uma via de mão dupla, você expressa sua identidade e ao mesmo tempo é inspirado pela personalidade de outras pessoas. Acima de tudo, é um instrumento para aumentar a autoestima, descobrir-se cada vez mais e aprender a gostar de si mesmo”. Recado dado na música Fashion de Lady Gaga: “looking good and feeling fine.” 


O musicista EDUARDO CARRIJO, de 23 anos, acredita que a moda está diretamente ligada à personalidade da pessoa. “O que uma pessoa veste diz muito sobre o que ela gosta e pensa”. Com o guarda-roupa repleto de achados em brechós, Eduardo não costuma comprar roupas em lojas comuns e, se o faz, customiza, deixando-as com a cara dele. 

No interior, o que é diferente, causa estranheza. Segundo a psicóloga Eliana Lalucci, isso é devido a um fator tanto cultural quanto geográfico. Em Araçatuba, a cultura preservada tende a definir como as pessoas pensam, agem e se apresentam socialmente. “Como é uma cidade que tem muitos migrantes, a cultura foi altamente calcada na elite dominante, que veio para enriquecer e que, enriquecendo, passou a ditar o que pode e o que não pode”, explica. 

Eduardo garante que ser alvo de olhares nunca o incomodou de fato. “Os olhares não me inibem de forma alguma. Se me sentisse desconfortável, não seria minha verdadeira essência”. Já Luisa vê o assunto de forma diferente. “Aquela legenda autoafirmativa de foto de Facebook, naquele estilo “danem-se os outros” é a maior mentira. Os seres humanos são empáticos, então se importam sim com o que os outros pensam de si. Até hoje, tenho receio de usar uma peça menos comum quando vou para a faculdade, mas faço um esforço para me aceitar e ir em frente, porque se expressar não é nenhum crime”. 

Há quem diga que as pessoas que optam por expressar-se por suas roupas nada mais querem do que chamar a atenção. Camila discorda. “Eu nunca procurei chamar a atenção, na verdade, sempre procurei me encaixar, ser igual. Como mudei de cidade umas 15 vezes, nunca tive um grupo fixo de amigos para seguir e era difícil acompanhar os costumes de cada lugar. Acabou que eu fiquei assim, mas sem esforço ou necessidade de destaque. Sou bem reservada e, na verdade, gosto de passar despercebida”. 

Eduardo diz que gosta sim de chamar a atenção, mas não faz disso o foco principal na hora de montar seus looks. “Eu gosto de me destacar no sentido de não ser igual aos outros, mas isso é consequência. Eu não me visto para chamar a atenção, me visto porque gosto e sou assim”. 

QUANDO O ESTILO VIRA NEGÓCIO
O estilo e a sede pelo único pode ser a chave de um empreendimento de sucesso. Cada vez mais difícil achar algo que destoe das saias pied-de-poule e das blusas de cetim com alça de corrente, Luisa viu na carência do mercado regional a oportunidade de construir um negócio. “O interior é muito carente de lojinhas alternativas, e quando tem algum produto mais interessante, ou é muito caro ou não é à pronta-entrega. Então  tive a ideia de me guiar por esses dois princípios: o de proporcionar coisas diferentes e por um preço acessível e que não seja necessário esperar por 60 dias”. Assim surgiu a loja virtual Moss Store, que possui um acervo de cerca de 50 itens entre bolsas e acessórios escolhidos especialmente pela dona.

Camila também aproveitou a facilidade com a customização de suas roupas para abrir um negócio. Assim surgiu a RainbowStore que oferece a possibilidade das pessoas terem roupas bastante vistas em blogs gringos e em sites como o Lookbook na Terra do Boi Gordo e por preços acessíveis. “Como eu sempre fiz minhas roupas, minhas amigas sempre pediam alguma coisa. Vi nisso uma oportunidade. Hoje eu atendo pessoas do Brasil inteiro”, conta. A loja é online e atende clientes na página do Facebook.

// matéria publicada, originalmente, na revista laboratorial da faculdade, a Pretexto


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2 comentários:

  1. Acho legal usar roupas que já foram da mamãe ou da vó! =D

    Blog do Sofá

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  2. Eu sou do interior e me identifiquei muito com o post! Eu gosto de usar algumas coisas "diferentes" e sempre me olham torto ou dão uma risadinha aqui e ali. É tão chato quando eu saio na rua e vejo todo mundo vestindo praticamente as mesmas coisas hahah

    Beijinhos =*
    http://dirtyaliens.blogspot.com.br/

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