15/12/14

A gente sempre sabe

 
Eu sempre fui uma pessoa clara. Apesar de geminiana (indecisa) e de me dizer indecisa sempre, eu, no fundo no fundo, sempre soube o que eu queria. Tem um texto da Martha Medeiros que fala exatamente isso. Depois colo ele aqui. Mas enfim. O fato é que a gente sempre sabe o que quer. 

O negócio é que eu sempre fui clara, mas não decidida. Sempre interpretei meus sentimentos com toda a clareza do mundo, só não fazia nada sobre eles. Eu sabia o que queria fazer, o que não gostava, o que me fazia bem e o que me jogava no chão. Era transparente como água. Mas as decisões nunca vinham.

Quando a tia gordinha te pergunta se você gosta de uva passa no arroz e você não tem intimidade o suficiente para dizer que "NÃO, POR DEUS, MULHER!", você esboça um sorriso amarelo e diz "ok". Ou ás vezes um "Tanto faz". Depende da sua disponibilidade em ser legal.

Mas você sabe que não é ok. Nem tanto faz. 

Quando perguntam para você sobre o que achou daquele quadro do Romero Britto para o Neymar, e você está falando com o maior fã do Romero Britto, você sorri e diz "Genial", quando sua vontade era dizer "Uma grande m...".  Você não o diz em respeito aos sentimentos do outro, por mais que vá contra os seus.

Quando o namorado te pergunta se você o ama a ponto de mudar por ele, você responde que "Sim". Mas sua vontade era dizer "Socorro, me leve daqui!". Você insiste. Um pouco porque tem medo dos seus próprios sentimentos e, muito, por medo de machucar a outra pessoa.

O fato é que sempre sabemos. Sabemos o que sentimos, o que queremos. Afinal, quem, se não nós mesmos, para entender nossos próprios pensamentos e sentimentos?

Ás vezes esses sentimentos podem parecer ruins até para serem pensados. Você pode se sentir egoísta por ter eles tão alojados em sua cabeça. Mas eles estão ali, influenciando suas vontades, sua vida. Queremos colocar outros sentimentos por cima dessas certezas - que no fundo, sabemos que são certezas - apenas para não machucar o outro. Ou nos machucar, porque isso acontece, também. 

Mas não adianta. Não importa o que você faça ou quanto tempo adie.
A gente sempre sabe o que quer. Ás vezes nós é que não aceitamos. 

* * *

"Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.
Ela sabe.

Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.
Ele sabe.

Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.
Sabemos, sim.

Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe em nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.

Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.

A verdade grita. Provoca febre, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona e finge esquecer. Mas há uma verdade única : ninguém tem dúvida sobre si mesmo.

Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz.

E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!

Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.
Sabe.

Eu não sei por que sou assim.
Sabe."

- Martha Medeiros

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