18/10/14

Saia do óbvio - crie o seu próprio estilo!

Por Camila Leite


Eu estava lendo um texto da Jana Rosa por esses dias – leio, me inspiro, escrevo. Quase todos meus textos começam com “eu estava lendo...”- em que ela contava como se descobriu na moda, como ela se libertou da padronização e todas aquelas parada chatas de ser igual que a gente já falou sobre. Enfim, após ler o (maravilhoso!) texto da Jana eu fiquei pensando sobre como eu construí meu estilo e sobre o que me influenciou. Os micos fashion que eu paguei  - e ainda pago sempre -, sobre o quanto a moda me aprisionou, depois me libertou, me faz ganhar alguns trocados e me permite muita diversão. 

Tudo começou muito cedo, eu era adolescente numa escola nova, querendo ser aceita. Eu me lembro do meu enorme e volumoso cabelo cor de fogo, eu me lembro da saia de pregas jeans e do all star de cano alto e cadarço pink. Ah, como era bom ser “emo suave”, usar moletom mesmo com 40ºC. Por sorte, quase 80% da galera da escola também tinha tendências emo - que eu não vou explicar em detalhes, porque to ligada que ceis são conhecedores do estilo - eu conseguia me enturmar, pegar roupas emprestadas com as amigas e ser aceita, mas ai vieram as férias de verão. Quando voltamos pro colegial ninguém mais era emo, na verdade, no colegial ninguém mais tinha estilo nenhum, todo mundo se limitava ao jeans e uniforme e eu ficava muito incomodada com aquela falta de personalidade visual nas pessoas. Foi tudo assim, sem graça por longos três anos. 


Acabando a escola, eu arrumei emprego numa loja do shopping, talvez eu ainda mantivesse algum resquício de emice, pois todos na loja me zoavam com isso e meu guarda roupas se limitava a preto, branco e cinza. Trabalha aqui, faz curso ali, acompanha alguns desfiles pela internet, tinha acesso a revistas de moda diariamente e eis que a vontade de repaginar meu estilo gritava. Eu me apaixonei pelo estilo boyfriend, era pra mim e usei muita calça saruel – desculpa mundo! Infelizmente, a gerente da loja era tipo uma Queen B. e forçava todas as vendedoras a se vestirem como ela, mas ai eu fiquei de saco cheio dela e de todas aquelas garotas usando coral (que era a cor do momento), fiquei de saco cheio de gastar tanta grana com roupas de shopping e fiquei de saco cheio do emprego. 

Raspei o cabelo pela primeira vez e o que ficou eu descolori. Fiquei horrível, aquela ainda não era eu, mas eu estava em busca de mim, e era preciso passar por uma fase de transição. Foi ai que comecei a frequentar brechós, garimpar muita coisa antiga e me encontrar em cada peça daquelas, meu cabelo foi ganhando alguns centímetros e eu começa a me reconhecer no reflexo do espelho. Eu comecei a me tatuar, entrei na faculdade, me foquei em mim e nas minhas vontades, deixei a moda um pouco de lado, apesar do meu namorado sempre reclamar que eu visito mil blogs todos os dias. 

É claro que eu acompanho as tendências, mas hoje capto melhor aquilo que combina comigo e não pago mais de R$50,00 numa peça de roupa nem se for pra festa do ano. Eu me divirto muito com a moda hoje, desde customizar/criar uma peça, até ter a cara de pau de subir numa passarela ( e olha que eu tenho 1,60 de altura!). Ouço muito frases do tipo: “Eu queria ter essa coragem de experimentar”. “Tudo que você veste fica bom”. “Essas coisas só combinam com você.” E a única resposta que eu posso dar, é que eu aprendi a acreditar em mim, acreditar no que eu to com vontade de usar e fim. Às vezes, eu chego em casa e descubro que aquele look ficou péssimo. Mas tá tudo bem! Eu experimentei e aprendi. Alguém fotografou e eu faço acreditarem que era algo conceitual. (HAHAHAH!) 

Eu demorei um tempo pra entender meu estilo “retro/avó/boyfriend/piriguetevintage”, mas eu não me limito a me vestir “apenas assim”, eu arrisco

Por fim, vou deixar um conselho, arrisque e saia do obvio! Se todo mundo ta usando vestido de festa com salto, por que você não arrisca usar com um coturno? Se todo mundo ta usando bolsa de palha grande durante o dia, por que você não arrisca usar uma clutch de palha com o tubinho preto na balada? Crie seu estilo, sua personalidade visual, sua marca. Divirta-se! 

Nota: Lembre-se de acreditar e sempre criar um personagem, que é muito culto, viajado, descolado, meio gótico, que passou uma temporada em Berlim, entende de música, cinema, fotografia, gastronomia e por isso se veste de uma maneira conceitual/Cult/européia – Essa desculpa que você vai usar quando cagar no look. <3


2 comentários:

  1. Camila eu só te conheço de vista e pelo face, mas posso dizer que seu estilo é incrível mesmo, só uma pessoa com muita personalidade para se arriscar e mandar um "foda-se" bem gostoso pra esse povinho de Araçatuba que pensa que moda é só aquilo que tem nas vitrines. Parabéns pelo texto, pelos looks que você faz e muito obrigada pelo incentivo! Super beijo ;*

    Mutações Faíscantes da Porto

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  2. Delícia de texto! Lembrei que quando eu era mais nova eu detestava usar algo que estivesse em alta e por mais irônico que fosse, quando começava a usar (e encontrava a peça em algum brechó ou pedia para minha mãe costurar) na estação seguinte ela entrava em alta. Hoje eu não ligo, gosto de vestir com aquilo que me identifico, sou do tipo "básica, estou indo para aula de yoga, mas nem tanto" hehe Sempre quis usar vestidos com estampas divertidas e mais saias, e estou na temporada para provar.
    Beijos!

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