29/09/14

Eu estive pensando: Você se veste de você ou se veste de outros?

Por Camila Leite


Dia desses, de bobeira pela internet me deparei com uma matéria muito boa, num blog que eu não me lembro qual, onde a autora apontava as diferenças entre a moda brasileira, nova iorquina e londrina. Era um texto rápido e bem explicativo, onde ela contava que aqui no Brasil, as pessoas esperam alguém usar e dizer que “ta na moda” para experimentar, ainda receosas, qualquer novidade. Em Londres e Nova Iorque, a idéia é fugir do que “ta usando” e buscar construir um estilo cada vez mais individual, autêntico e original. Moradora do interior e excêntrica que sou, posso afirmar com experiência de causa que nadar contra a corrente pré- estabelecida do que é uma roupa fashion, por aqui, não é fácil. 

A impressão que tenho, é que a cada estação acontece uma reunião, que eu nunca sou convidada, e decidem então o que será a tendência da cidade, sim, da cidade, porque por algum motivo, o interior ignora qualquer expressão artística que esteja acontecendo mundo a fora e se reserva a usar aquilo que as vendedoras trouxeram em excesso de São Paulo para revender aqui. Ninguém entende, ou se interessa em saber o motivo pelo qual usaram estampa de frutas na estação passada, ou estão usando tela de tule nessa. Ninguém possui referências na hora de se vestir, e ignoram qualquer tipo de conteúdo de arte ou informação que a roupa possa passar, e ai rola essa uniformização e o consumo desenfreado para que possam renovar seus armários a cada nova moda. 

Talvez, eu seja nerd até na hora de me vestir, mas acredito que vale a reflexão do “quem sou eu” e “como quero me mostrar pro mundo”, vale entender a crise econômica atual, e repensar o consumo, vale perder alguns minutos para se conhecer melhor e ganhar muito tempo na hora que abrir o armário e ver que você tem sim o que vestir. Autoconhecimento é o princípio facilitador da vida em todas as situações. Ai, quando suas roupas forem uma extensão da sua personalidade, tudo ficará mais fácil, desde aquele casamento phyno da amiga rycah, até ir tomar uma cerveja num domingo a tarde num boteco qualquer. 

Como já disse Coco Chanel: A moda passa. O estilo permanece.




Um comentário:

  1. Adorei o texto, Camila!
    É uma bela reflexão. Mas acho que realmente é complicado para a maioria das pessoas terem esse tipo de visão, infelizmente há muito alienação nesse tema (principalmente no Brasil).

    Beijos!

    Amandismo

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