31/08/14

Um post sobre autoestima, padrões e o #stopbeautymadness


Antes mesmo dessa onda do #stopbeautymadness, aqui nos meus rascunhos, eu tinha começado a desabafar sobre autoestima. Começou quando li esse aqui, da Chez Noelle, e coincidentemente eu estava passando por uma onda "de mal com o espelho". Com o início da popularização da campanha, que na verdade, já tinha uma correspondente brasileira aqui no Brasil, que é a #terçasemmake (você pode saber mais aqui) eu vi meninas lindíssimas postando suas fotos sem maquiagem e vendo isso como um mega desafio. Meu sensor de absurdos apitou. "Como assim essa menina, linda como é, está receosa de postar uma foto sem maquiagem??? Se ela está assim, imagine eu!". E então, a onda de insegurança me invadiu novamente.

Bem, eu ainda me choco com mulheres de corpos maravilhosos querendo emagrecer e, pior, conseguindo. Eu não me conformo, juro por Deus. Eu, que tenho todos esses problemas de autoestima por conta de, justamente, ser "magra demais", fico indignada. Até agora, só vi posts sobre a hashtag falando das gordinhas. Eu até me identificava, mas não rolava. Acredite ou não: ser magra ~demais~ é tão chato quanto. Não, não é qualquer roupa que fica boa. Não, não estamos um padrão - afinal, se fosse assim, toda magrela seria modelo e esse padrão só faz sucesso, veja só, em revista. Sim, ouvimos inúmeras piadas maldosas. E sabe o que é pior? Você não pode reclamar. "Você é magra, todo mundo quer ser assim". 

Eu já desabafei sobre o assunto aqui, mas vamos egocentrizar este post. Com meus 11 anos, estava em uma escola onde, claro, tinha meninos. E é claro, esses meninos eram... meninos, ou seja, faziam piadinhas e mal sabiam o que eram os sentimentos do alvo das brincadeiras. Eu tinha muitos apelidos, por imagine só, ser alta e magrela. Enquanto todas as meninas da sala já tinham peito e quadril, eu continuava com o corpo de uma criança de 9 anos. Aos 15 não foi diferente, mas já estava em uma escola diferente onde as pessoas tinham mais noção das coisas. Mas ainda assim, aquilo estava (está) enraizado. A minha melhor amiga, que era magrinha, até então, de repente virou um mulherão. E coloca mulherão nisso! As outras meninas da roda estava virando mulheres e, então, com meus 17 anos, eu tinha o corpinho de uma menina de 14, mas era a mais alta da turma. 

No ano passado, atingi o meu recorde de "gordura" e foi, de fato, o meu período mais feliz com o espelho. Por conta de um remédio que eu tomava para prevenir enxaqueca (já falei dele aqui), eu engordei e cheguei a pesar 58kg. Tenho 1,71 de altura e continuava magra, mas estava feliz. Eu tinha "perna" e tinha "bunda" (isto, é claro, pra mim hahaha). O remédio, nada mais era que um tratamento de 3 meses e era a segunda vez que eu o fazia, então, quando parei eu não poderia mais voltar a tomar, já que meu organismo tinha se acostumado a ele. Resultado? Fui emagrecendo novamente. Os conhecidos começaram a reparar e cada "Nossa, você está emagrecendo! Não tá comendo?" que eu ouvia me machucava bastante. Como se não bastasse, alguns problemas foram acontecendo e, adivinhem só, emagreci mais ainda. Quando fico ansiosa, nervosa, triste, etc, adivinhem só? Tranco. Não consigo comer nada, nem mesmo um pote de Nutella. 

Hoje estou com meus 1,71 de altura e com 51kg. Tô bem magrinha mesmo. Não tenho mais o mesmo apetite de antes, não consigo mais comprar cerveja (juro, estou tendo que mostrar o RG toda vez e quando não estou com bolsa, eu simplesmente não posso comprar hahaha) e minha autoestima está tão sólida quanto um pudim. E como estou chateada, o que acontece? Exatamente, não como direito. Daí começou o movimento que me encaminhou para diversos posts incríveis sobre os problemas e me mostrou que, infelizmente, ninguém está 100% feliz com o espelho. Gostei de poder externar esse sentimento chato porque sempre que reclamo disso, escuto coisas como "isso é síndrome de Patinho Feio e você não é mais o patinho feio" ou então que "quero confete". Não, eu não quero confete e nem que elogiem. Eu só queria conversar, porque ao ler cada desabafo feito nos blogs que acompanho, mais confortável para escrever aqui eu me senti. E justamente pela empatia que vocês passaram nos posts de você, me expus tanto aqui no MOBIC. E sendo assim, só me resta agradecer. Ao movimento, às blogueiras e a você, que me leu até aqui. ♥ 

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4 comentários:

  1. Esse processo de autoestima é realmente complicado. Não é só sobre os padrões. Até porque tudo depende do que a gente considera "momento bom". Acho é que devia ter opção de doa-se e aceita-se gordura. Tô doando minha pacinha mas queria peitin, HAHA. Ou só uma autoestima mais alta mesmo pra gente ser tudo feliz sempre.

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    1. Ba, o mundo seria REALMENTE INCRÍVEL se rolasse esse lance de transferência de gordurinhas UHAIEHAIHEIAHIAHIAHEIAHEIAH 01 sonho!

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  2. Li um pouco da história da minha vida nesse post, hehe.
    Também sou "magrela demais" e te juro que seu peso atual é meu projeto de vida, tipo, meu sonho seria pisar na balança e o primeiro número que aparecesse fosse 5.
    É imcrível como nada é suficiente, já que ser bem magra também é feio, mas você não pode reclamar porque alcançar a magreza por si só já é uma "vitória" - urg, até me engasga isso. Pra você ter uma idéia meu apelido na infância/pré-adolescência era Vareta, e era "feio" gostar de mim.
    Mas calma, Mih. Você é linda. Nós somos lindas. Eles que tão malucos, e espalham essas maluquices por aí.
    Vou criar um movimento: skinny bitches united! hahahaha
    Beijo!

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  3. Todo mundo que foi magrela um dia se identifica com seu desabafo. Todo mundo fazia piadinha e criava apelidos quando criança, e era um saco! Mesmo que alguém falasse "queria ser magra que nem você", a gente pensava apenas no quanto era chato comprar roupa, não poder usar sutiã (sério, eu detestava não ter nada nessa área) e não se sentir bem com algumas roupas porque ficava parecendo um menininho.
    Atualmente não sou tão magra assim (sou baixinha, e idade + hormônios me ajudaram a ganhar um peso), mas tenho ainda cara de mais nova do que sou, e isso é outra coisa chata! Ser tratada como sendo mais nova do que você é as vezes é bem ruim também, como o fato de você ter de comprovar a sua idade, ou ainda, pessoas que acham que você é burra por "não ter idade ainda pra saber das coisas".

    Bem, e o que eu acho disso tudo? Eu acho que esses novos movimentos de aceitação são bem legais, mas eles ainda estão muito carregados de preconceito, e as vezes o grupo de aceitação não aceita a gente. Mas a mudança não deve começar pelos outros, deve começar com a gente. Você é magra porque é essa a sua constituição - o seu DNA. Culpe a sua familia, culpe a biologia, mas não tem jeito. Você pode até ganhar um pouco de peso, mas as vezes o processo é tao lento, e a espera do resultado nos deixa tão ansiosa, que não vale a pena. Não digo que você não deva tentar, mas acho que antes nós devemos aceitar como nós somos - nós devemos nos auto-afirmar. Considere o seu tipo físico aquilo que faz o que você é: é a sua característica física, aquilo que todo mundo pode ver. Faça disso a sua marca, a sua assinatura. Você sabe que você é magra mas é saudável, não sofre disturbios alimentares, então se alguém fizer comentário você pode ou corrigir ou simplesmente não levar em consideração. É dificil, mas todos os nossos problemas estão arraigados nessa nossa mania de levar em consideração opinião alheia de quem não sabe quem nós somos, que não sabe sobre a nossa vida.

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