01/08/14

Não era amor, era cilada - ainda bem!


Você o conheceu e seu coração disparou. As pernas tremeram e você precisou segurar sua melhor amiga da forma mais discreta possível enquanto suas pernas insistiam em não te obedecer. Você poderia jurar que conseguia ver a aura dele. Era amarela, definitivamente iluminada. E ele te iluminava. Era como se naquele bar de mesas de madeira e toalhas floridas tudo ficasse, de repente, escuro e você só conseguisse enxergá-lo. 

- Vamos nos ver de novo? - Ele perguntou baixinho enquanto sua amiga acertava a conta. O sorriso dele te jogava no chão e pisava em cima. Você não conseguia esconder os dentes e não tinha forças para formular uma frase com mais de duas palavras. 

- Eu adoraria. - Você respondeu tentando parecer natural, mas sabendo que suas pernas e suas mãos, a essa altura já menos trêmulas, estavam te entregando. 

Era o começo de uma linda história de amor. Nos encontros seguintes ele te prometeu o mundo, amor e potes de Nutella e você acreditou. Era seu príncipe encantado, finalmente! Finalmente estava se apaixonando, depois de tanto tempo sem conseguir gostar de alguém. Finalmente estava pensando em passar os domingos com alguém que não fosse a Netflix. Você já conseguia ver todo um futuro ao lado dele: viagem para a praia de moto, show da banda favorita com um casal de amigos que também gostavam daquele vocalista de bigode. Um gato que ficaria uma semana na casa de um, outra semana na casa do outro até que, por fim, se casassem. 

Era a história perfeita, não fosse o fato dele ser um grande de um cuzão. Depois do seu mundo cair e ficar em pedaços, você conseguia ler, nitidamente em um outdoor feito com Comic Sans (porque nada é tão ruim que não possa piorar) a frase de um grande pensador da nossa geração que traduzia toda a sua desgraça em uma fase. "Não era amor. Era cilada". E amiga, esse texto é pra você, porque todo mundo já foi protagonista dessa música do Molejo



Você vai cair em muitas ciladas no decorrer da sua vida. Tudo bem, não precisa ser tantas, né? Mas acredite, cada cilada vai te dando skills para conseguir reconhecer as próximas. É a história do dedo na tomada. Mesmo que você seja teimosa e queira enfiar o dedo novamente para testar com a desculpa de "Ah, vai que naquele dia tinha um fio solto?", você vai com um pouquinho mais de desconfiança. E quando levar o choque de novo, vai aprender a lição. Mesmo que enfie mais sete vezes, uma hora aprende. Não estamos aqui para julgar sua capacidade de aprendizado rápido e sim para te confortar: muitas ciladas aparecem e você não pode querer morrer depois de cada uma delas. Pode querer matar, mas é bom se segurar, você não vai querer ser presa (por mais que você devesse receber um prêmio por matar o vagabundo) né? Ao invés disso, leia esse post do Oda que vai te ajudar. 


As ciladas são necessárias. Pode parecer papinho de autoajuda furado, mas elas são necessárias. Precisamos borrar o rímel e ouvir a mãe xingando por ter manchado a fronha branca com o delineador que, oh, não era tão à prova d'água como dizia a embalagem. Nós precisamos passar pelas ciladas para conseguirmos identificar o que é verdadeiro. O que é bom. O que nos faz realmente felizes. Imagine se tivéssemos passado ilesas por essa? Como conseguiríamos priorizar as pessoas? Dar o valor certo a quem realmente merece? Faça um exercício: pense naquele primeiro carinha que te prometeu o mundo e te deu a sola do sapato. De preferência, pense no primeiro carinha que fez isso - isto é, se conseguir se lembrar, porque a gente esquece rápido, para você ver como tudo, no final, é insignificante - e pense em como sua vida seria hoje caso tudo tivesse dado certo. Você, provavelmente, não estaria como está, não teria vivido tudo de bacana que já viveu e olhe lá tivesse ficado tão feliz como agora. Ou vai ficar amanhã. 

Pensar que "quem perdeu foi ele" não ajuda, também. Porque uma hora alguém vai virar a cabeça dele, vai fazer as pernas dele dançarem uma música independente e ele ter que se apoiar no melhor amigo. Assim como foi com você. A vida é assim e ela seria muito mais fácil se automaticamente nos apaixonássemos por quem se apaixona pela gente. Mas os corações precisam ser quebrados e, às vezes, nós precisamos quebrar alguns. Precisamos tropeçar para que o tempo nos mostre o jeito certo de correr. E a vida é assim.

O jeito é viver.

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Um comentário:

  1. EU TO NUMA CILADA! Mas fazer o que se gosto né... a gente briga, briga, briga.. aí ele vem atrás, me liga, fala besteira (eu não consigo me segurar e dô risada) e aí querendo ou não tudo volta ao normal. Acho que só mudando de cidade vou conseguir me desligar dele, mas por enquanto.. tá f*** :\

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