15/04/14

Pela liberdade de ser quem você quiser - principalmente no interior


Uma das coisas mais legais do trabalho da Kipling no Lolla foi conhecer pessoas de várias partes do País. Tinha a galera de Manaus, a galera do Sul e os paulistanos. Não tinha como não falar de moda em nossas conversas paralelas e não teve como eu não constatar algo que eu já sabia: Araçatuba, ou mais precisamente o interior, é extremamente quadrado e atrasado quando o assunto é expressão na hora de se vestir. Aqui existem regras furadas do que você pode ou não usar e acaba que todo mundo se veste igual, como uma espécie de uniforme. E isso é péssimo. Quando citei alguns exemplos, ninguém acreditou. Me senti vivendo em um lugar que estacionou no século XX. Ou em um lugar onde ninguém tivesse acesso a informação além da televisão. 

Os exemplos que dei?
"Botas? Só na Expô! Experimenta colocar sua bota de cano alto com um vestido para ver se não vai ouvir pelo menos um comentário do tipo "Ai, tá indo pra Expô?", "Nossa, com vestido???". Coturno com shortinho? No way, coturno ~é só no frio~ (oi?). Blusa? A da moda é a ciganinha. Saia? Peplum ou bandage. Tem o cabelo colorido? Não é expressão, quer chamar a atenção. E é emo, ainda por cima. (pois é). É homem e usa pulseira? Hm... Sei não. Usa relógio colorido? VISH. É homem e está de calça xadrez? Ah não, esse passa longe da heterossexualidade. E a menina que colocou bota com vestido florido? É louca! Bem como aquela que usa camiseta de super-herói com um short rasgado. Certeza que não tem roupas, coitada. Nossa, e essa calça de couro? É dessas roqueirinhas sujinhas, né?" CARA, juro que esse exemplos são coisas que eu já ouvi e se você, de cidade grande ou não, se sentiu incomodado, imagine para quem vive aqui. 


Aqui é tão complicado, tão cheio de rótulos que chega a ser difícil manter uma personalidade. Aliás, essa palavra está cada vez mais escassa. Até quem se diz apaixonado por moda ou estudante do assunto não consegue sair desses padrões imposto por meia dúzias de pessoas e lojinhas do centro. E o pior: "cagam" a mesma regra: bota só no frio, xadrez é na Expô, etc etc etc. O que me revolta (acho que revolta é a palavra certa) é que são pessoas jovens, da nossa faixa etária, que têm acesso a qualquer informação e continuam consumindo e pregando esse tipo de regra, ou até mesmo, preconceito contra algo diferente. Eu quero usar turbante, quero usar meias acima do joelho com saias xadrez. Quero usar minhas botinhas independente do clima, desde que eu me sinta confortável. Quero usar legging estampada independentemente se você acha legal ou não. Não quero ter um guarda-roupas com blusas de cetim com alças de correntes douradas só porque é o dress-code das baladinhas locais. Eu quero me expressar através do que visto, mas não quero os olhares de desaprovação. Sério, araçatubenses e pessoas do interior que se chocam com diferenças: usem os recursos que têm! A internet do celular já é suficiente para você conhecer e entender que as pessoas, na teoria, devem ser diferentes e devem possuir uma singularidade. E se não entender, pelo menos, aceite: as pessoas são diferentes!

Esse post é apenas um desabafo que surgiu depois que eu li esse post (maravilhoso) aqui e um complemento a esse aqui, que eu fiz ano passado (ou retrasado, não me lembro). Eu quero a minha moda e não seguir uma receita produzida apenas para me sentir aceita. Se o preço a pagar são olhares tortos, que seja. Mas é revoltante pensar que ser você seja tão difícil por fatores geográficos e culturais.

*e sim, na foto sou eu usando uma combinação que sou apaixonada, mas só usei ~confortavelmente~ porque fui no lugar mais "alternativo" da cidade. e que nem fica na cidade, na verdade. 

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13 comentários:

  1. No mesmo dia em que escrevi esse post, depois de aparecer no shopping com tudo preto, jaqueta de spikes e coturnos, reparei em três meninas que estavam na fila de uma loja: o cabelo era exatamente da mesma cor, o mesmo quantidade e tom de luzes, as blusinhas das três eram de cetim, com bordado no decote, shorts rasgados e rasteirinhas com laço/spikes... Não tenho problema nenhum com pessoas que se sentem confortáveis nessas roupas, mas gostaria de não levar olho torto por me sentir confortável no meu look preto... A mente fechada do interior me mata. Eu também sinto tanta raiva as vezes, e uma frustração descomunal com a falta de conhecimento de tudo de todos. Internet existe para que, né? Nem os que estudam moda tentam expandir os horizontes.. Acho tão triste as roupas que acho legais são apenas aceitáveis em lugares 'alternativos' (quando no resto do mundo a palavra alternativo nem relevância tem mais).

    Enfim, muito obrigado por ler o post e tamos juntas nessa! Por um Brasil (interior) sem olho torto :)

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  2. E só mais uma coisa! 'Alternativos' também caem muito em clichês, não são só as 'patys' não (o exemplo que usei ai em cima foi de um look, paty). Quantas vezes as alternas saem com looks totalmente iguais também?

    Beijinhooooos

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    1. Ai, como não concordar com cada vírgula sua? ♥

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  3. Nossa, descreveu Araçatuba por completo mesmo. Tão triste isso.
    Não abro mão do meu vestido com bota e uso coturno o ano todo, sempre ouço esses comentários que você citou, mas nem me incomodo.
    PS: Meu namorado tem uma calça xadrez e adora

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  4. Outro dia mesmo eu sai de xadrez e me falaram que "ainda não tava frio" pra isso UAHAUHAUAHA eu dou risada pra não chorar, porque as coisas chegam ao extremo ~nosinterior~.

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  5. É daí pra pior.

    Outro dia saí de xadrez e me afirmaram que ainda não estava "frio o bastante" (?) pra isso. Mesmo coisa pras (digníssimas!) botinhas. Dou risada pra não chorar, porque aqui ~nosinterior~ o negócio é extremo mesmo.

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    1. Sim gente. Eu nunca vi precisar de uma estampa pra usar uma estampa hahahaahahah

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  6. Vocês estão se limitando por causa de mentes medíocres? Eu aprendi a ouvir a opinião de todos e filtrar aquilo que pode vir a ser útil e o resto e resto. Sei que não vivemos sozinhos no mundo e que as regras da sociedade devem ser, no mínimo, observadas. Mas fazer isto consciente de que se trata de uma limitação regional é tornar-se apenas mais um. Talvez a maioria das pessoas possam te olhar estranho se você estiver com um look que seja diferente, mas pense também naqueles que querem expressar-se de uma forma diferente do considerado aceitável por estas paragens e, vendo-a vestida de uma forma que você se sinta bem consigo mesma, possa vir a influência-la a fazer o mesmo. Então amanhã serão duas se vestindo do jeito que querem e talvez mais duas optem pelo mesmo caminho.
    Ousem ^^

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  7. É uma pena que as pessoas em geral se preocupem tanto cuidando da vida alheia no lugar de viver a própria! Mas isso não é exclusividade da sua cidade, mesmo em Curitiba, "cidade grande", sempre vejo uns olhares tortos quando passa alguém na rua vestindo algo diferente do que é considerado padrão. O que acho uma bobagem completa, afinal quem tem que se sentir bem com a roupa é a pessoa que está usando, e não quem está olhando!

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  8. Capitais tb tem isso , na verdade acho q o Brasil por completo. Só que agirá vivemos um novo fenômeno : muitos querem ser diferentes ou 'fashion' e acabam sendo iguais.


    www.larydilua.com

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