10/10/13

Deixa eu falar: "Corpo perfeito? Ela é uma caveira, certeza que é doente!". Pera lá!

A polêmica da semana, na internet, é o corpo da modelo Izabel Goulart. Se você estava em uma bolha recentemente e perdeu todo o bafafá, a tia te explica: o portal da revista Marie Claire reproduziu uma foto do Instagram da Izabel Goulart com a legenda (ou título): "Exibindo corpo perfeito". BOOM, isso foi o suficiente para que a internet inteira falasse sobre um só assunto. Até aí, ok, mas o que me chamou a atenção - e incomodou bastante - foi a "demonização" do corpo da modelo. Não entendeu? Eu explico. 

A foto da discórdia
Ao invés dos comentadores (furiosos) dispararem contra a revista e a forma de abordagem dela, ou seja, glorificando um determinado tipo de corpo que, convenhamos, não é algo que qualquer pessoa consegue ter - nem eu que sou magrela e não engordo por nada conseguiria ter esse tipo de corpo - eles dispararam contra a modelo e seu tipo físico. "É anoréxica, certeza!", "Perfeito? Onde? Ela é doente!", "Certeza que vomita depois que faz qualquer refeição", "Modelo ~é tudo~ doente". Foram comentários como esses que me entristeceram. 

As pessoas passaram a atacar o "objeto", não o argumentador. Não contestaram o fato da revista reforçar esse padrão que, pra mim, é super ultrapassado, tendo em vista que vivemos o "fenômeno fitness" , contestam o tipo físico da menina, julgam e, o pior, atribuem doenças. Aí você me pergunta: "por que se doeu tanto?" e então eu te respondo: assim como as gordinhas ganham apelidos, são estereotipadas e etc, as "magrelas" também são, só que, como se não bastasse, as pessoas dão doenças a elas (a nós). Que atire a primeira barra de chocolate branco com cookies a menina que pesa no máximo 50kg que nunca ouviu da tia-avó "Nossa, mas você não come não? Sua mãe deveria te levar em um médico, você deve estar doente", "Mas emagreceu de novo? Você anda vomitando, né?", "[para sua mãe] Você tem que levar essa menina no médico!". Pois é, se você faz parte do grupo das caveirinhas, com certeza entende - e já ouviu isso um dia. 

Imagens do blog Negahamburguer e seu projeto incrível "Beleza Real"
Eu não concordo com essa glorificação do corpo extremamente magro. Não gosto, não acho legal taxar ele de "corpo perfeito e o resto precisa de ajustes". Também não concordo com nenhum tipo de padronização e concordo menos ainda com essa necessidade das pessoas tacharem um "biotipo" de ruim, associá-lo a uma doença ou distúrbio. Eu vi diversos posts em diversos blogs sobre o assunto, mas todos de um único ponto de vista, não vi nada do "ponto de vista da magrela". É difícil porque muita gente não entende que, assim como qualquer outra mulher (seja ela, magra, alta, baixa, gordinha, de pé chato, nariz grande, olhos azuis ou com sardas), as magras também têm suas neuras, inseguranças e insatisfações. 

Não adianta em nada você atacar a pessoa para expor o seu ponto de vista. Voltando a Izabel, ela está exageradamente magra? Sim. Mas ela cumpre com o seu trabalho. Assim como o computador é minha ferramenta de trabalho, o corpo é a dela. É a mesma coisa: quando precisamos executar um determinado trabalho, fazemos ajustes. E apesar de parecer o contrário, ela pode (sim) estar fazendo isso de maneira saudável. Tenho certeza que achou essa frase um absurdo, então, é aí que aponto o real problema: será que não estamos preocupados demais em julgar a pessoa pela sua forma física diferente da nossa e falar mal de algo para nos sentirmos melhores? Será mesmo que o problema está no corpo da modelo, ou é na sociedade e nos veículos que impõem (porque deixamos) o que é certo ou errado, bonito ou feio? Vamos direcionar nossos argumentos a quem realmente precisa ouvir. E de verdade, esse alguém não é a modelo. 

Michele é magrela, tem 1,72, pesa 55 kg e se quiser ver ela
 brava, diga "Nossa, como você emagreceu!". 

Leia também: 5 Maneiras de Ser Feliz sem Parâmetros

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11 comentários:

  1. Lindo post, Mi, parabéns mesmo! :3

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  2. Oi Michele!

    É a primeira vez que leio um post "sob o ponto de vista da magrela". Ainda hoje passo por toda essa neura -dos outros- sobre o meu corpo. Tenho 1,60 e nunca cheguei aos 50kg. E, desde criança, ouço que sou doente, fraca, que a culpa é da minha mãe e por aí afora. Acontece que sou muito bem resolvida do jeito que sou, e as pessoas simplesmente precisam parar de achar um padrão ideal de corpo. Mesmo quem não defende o estereótipo do biotipo magro/malhado, acaba tomando outro biotipo como verdade absoluta, e isso simplesmente não existe, assim como não existe um único padrão para cabelos, boca, peitos, bunda... isso me cansa e passa a sensação e que todos esses críticos são muito infelizes com suas próprias vidas.
    Parabéns pelo post!

    Beijos
    http://lidydutra.com

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    1. É exatamente isso, Lidy!

      Sofremos com a neura dos outros e, numa tentativa de "derrubar esse padrão", acabam pegando o "tipo físico" pra cristo, associando ele doenças e outras coisas negativas.

      Tudo seria mais simples se as pessoas fossem mais felizes e mais leves.

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  3. Nossa, Mih... aplaudindo esse post de pé! Sou magrela e comemorei esses dias o fato de ter conseguido chegar aos 48kg pela primeira vez na vida. As pessoas não percebem que ser magrela tem tantos defeitos quanto ser gordinha. Todo mundo te achando doente ou que é falta de comida (alô!) é foda. Fiquei de saco cheio (e preocupada, queria ficar bem PRA MIM, e faria isso da maneira mais saudável possível. Não sair comendo porcarias só porque os comentários não eram legais), entrei na academia e ando seguindo uma dieta para aumentar massa muscular. Mas o melhor do post é: cada um sabe do corpo que tem - desde que seja de maneira saudável. As vezes ela tem esse biotipo e ao invés de se informar, é mais fácil para a maioria acusá-la de anorexia e outras doenças. Enfim, é isso. Gostei mesmo, parabéns. :)

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    1. Cris, pode parar que você é a mais linda do mundo! Hahahaha

      Muito obrigada ♥ sei que você entende e é realmente complicado.

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  4. Até os meus 18 anos sempre pesei 49, 48... medindo 1,68, não pq eu não comia, simplesmente pq não engordava! Agora que to fazendo atividade física e com 24 anos, to pesando 55, finalmente estou no padrão "normal". O que mais ouvia das minhas tias avós era exatamente isso "tao bonita, so precisa engordar um pouquinho" "vc nao come nao?" e por ai vai! Me sinto mto mais feliz hj que as pessoas falam "nossa, vc engordou" "que corpao" e etc, mas custou pra conseguir ficar assim! As magrelas sofrem mto também!

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  5. Nunca imaginei que um "Nossa, como você emagreceu!" pudesse soar ofensivo. Mas pode.
    Sobre a modelo (eu estava em uma bolha e juro que não fiquei sabendo disso), acho que os comentários ocorreram (com maior intensidade e em maior quantidade) por causa dos recentes acontecimentos de uma menina anoréxica que morreu.
    O que cabe aqui é uma frase da Clara Averbuck na sua coluna pra Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/deixem-as-gordas-em-paz-9363.html): "Não estamos jogando supertrunfo da opressão." E não estamos MESMO. Todas as mulheres sofrem pressão sobre o tal de "corpo perfeito" - o que for que isso signifique...
    O único porém é que, embora não sejam culpadas pela padronização do "magro" como "ideal", as modelos tem que entender que ao "venderem" seus corpos (a ideia do corpo como instrumento de trabalho, no caso) nas passarelas/revistas/outras mídias, estão inculcando um padrão de "beleza" que não condiz com grande parte das meninas do Brasil (do Mundo, talvez?!). Isso não é culpa delas, reitero, mas faz falta ver modelos “plus size” (Oi?! Gorda não é – ou não deveria ser, pelo menos – ofensa) na mídia – e sendo igualmente elogiadas.
    E eu vou parar por aqui pq parece que eu quero reescrever a Odisseia... rs

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    1. O que também faz muito sentido, Ana! Uma amiga (também Ana) me indicou um livro que fala justamente sobre padrões de beleza em geral e em como isso tudo está ligado ao machismo, afinal, há quem sofre por ter o corpo no padrão, fora dele e até as "gostosonas".

      Vou pegar o nome e te mando no Twitter, se quiser! ;)

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  6. Muito bom o texto! Também não concordo com isso de atacar a modelo, ela é uma pessoa e só... quem ta errada é a sociedade, que fica impondo padrões impossíveis para as pessoas, quando devia estimular cada mulher a se aceitar e se ver bela dentro de seu biotipo. Eu não sou magrela, mas também não sou daquelas que pensam "magrela não sofre", até porque, atualmente, todas as mulheres sofrem com essas ditaduras de padrões. Inclusive, vejo gente magra se matando pra ganhar coxas com esse "fenômeno fitness" que você citou.
    Falando em "modelos" e "padrões", tem uma modelo plus size que anda ganhando muitos fãs por gostar de ser como é... ela também faz umas campanhas para estimular a autoestima das gordinhas no instagram... o nome dela é Tess

    https://www.facebook.com/TessMunster

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  7. Adorei o post! Palmas!
    Também sou 'magrela' (meu peso varia de 47 a 50 kg) e entendo MUITO bem o seu ponto e super apoio.
    Temos que parar de julgar e começar a aceitar que cada um é diferente e que é isso que faz o mundo um lugar legal! :)

    tatimunhoz.blogspot.com.br

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