08/09/13

A noite mais fria do ano


Eu deveria estar dormindo no momento que eu tive uma lembrança de nós dois. Eu sorri, enquanto me encolhia nas mil cobertas que eu tinha colocado nessa noite. Diziam que era a mais fria do ano. E o lugar ao meu lado da cama estava desocupado, eram somente lembranças de você. Me virei de costas, só pra não dar chance pra mais lembranças virem e me sucumbirem a novas risadas - ou pior, lágrimas. Assim eu estava nessa noite que eu sentia a falta daquele calor do seu corpo com o meu, mais do que qualquer outra. Como ficava até bonito de ver, nem o cobertor a gente brigava por ter. Era tão fácil nós dois, que ainda não estava claro pra mim.

Me virei novamente esperando que o sono me alcançasse. Em vão, porque toda vez que eu queria que ele chegasse, você vinha de metido roubar mais um sorriso meu. Como isso era possível, eu ainda não sabia. Ou não queria admitir o que estava acontecendo comigo. Fazia já algum tempo que o lugar ao meu lado estava desocupado e eu não tinha intenção de colocar alguém ali.

Eu fiz uma carreira de travesseiros nas minhas costas, só pra não dar ao trabalho. Chame isso de covardia, eu não me importo, se não for pra ter lembranças, é o melhor que eu consigo fazer agora.

Estendo a mão ao celular e ele indica que já passa da meia noite. Duas horas você e suas lembranças entraram no meu quarto e se acolheram na minha cama. Porque era tão difícil dizer adeus a ela? Assim como você fez a tantos meses atrás e não olhou mais de volta.

Por algumas noites eu passei contando os minutos e esperando a campainha tocar. Você dizer que precisava voltar e que ficaria aqui, mas elas não vieram. Aquele espaço que era um pedaço pequeno do meu coração que ficou vazio, não era a parte que mais doía, era a que mais me fazia falta quando não estava preenchida pelos barulhos do dia. No segundo mês eu já tentava não pensar nisso e me rendi as lágrimas que vinham a meia noite e conseguia dormir sem a culpa que eu tinha. Mas o espaço ao meu lado ainda estava quente, como estava na noite passada. Eu não sentia falta disso como sinto agora.

Meus lábios se curvam de novo num sorriso, lembrando das noites que você me fazia ficar acordada enquanto você me detalhava o seu dia. Eu podia dizer para ir embora, acho que tinha forças pra isso, mas não o fiz agora. Podia ser a última noite que eu teria a nítida sensação que estava tudo bem, e eu queria aproveitar antes que eu esquecesse. Você pode não saber, mas ainda sinto sua falta durante o dia, não só agora. O travesseiro ainda carrega o seu perfume, mesmo depois de várias lavagens. Eu ainda guardo uma pequena flor que você me deu dentro do meu livro preferido, apoiado na minha cabeceira. A cama eu virei e desvirei, mas parece que ela marcou o seu lado junto ao meu.

Quando me viro novamente dou de cara com os travesseiros ao meu lado e para a minha surpresa eu não choro e nenhuma lembrança me alcança ali. Eles formaram uma muralha que eu encosto e me esquento. Deixando que a porta aberta sirva de saída para as memórias dos nossos dias. Elas já deixaram de ser minhas por algum tempo.

Só eu que não via. Até agora. Boa noite luzes que ali fora não me deixaram nenhuma noite. Boa noite aos carros que passam na rua em frente ao meu apartamento nos mesmos horários. Boa noite as pessoas do andar de cima, que parecem, estarem indo dormir também. Boa noite ao celular, que estava em silêncio desde muito tempo. Adeus e boa noite as coisas que antes estavam aqui e eu não enxergava mais, porque eu já estava no meu sono.

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