22/08/13

O dia que eu perdi


"Hey, baby"

Você me chama ao pé do ouvido quando ninguém estão olhando. Eu fico rindo desconcertada e solto uma mecha do cabelo, na esperança de ninguém ter visto meu rosto vermelho. Dá pra ainda escutar a batida da música mesmo estando do lado de fora. Você senta ao meu lado e começa a dizer alguma coisa sobre querer ver meu rosto. É de propósito? - eu quero perguntar. Você me falou que não estava afim de nada agora, eu lembro quando reparo que seus olhos estão mais azuis do que a última vez que eu os vi. Deve ser a lua cheia aqui fora

Mesmo ainda querendo colocar a touca que eu tenho na frente do rosto, dou um sorriso de lado e continuo tamborilando os dedos acompanhando a música. Você não diz nada por algum tempo. E eu não me atrevo olhar, iria dar muito na cara. Muito.

De repente meu estômago começa a embrulhar e o resto do corpo a esquentar. "Hey" você volta a dizer no meu ouvido. Eu quase tenho um ataque do coração, enquanto você fica rindo do meu choque. Você é impossível, incorrigível e completamente louco. Mas ainda assim estava ao meu lado, sabendo - depois de eu disser num português audível até pra quem estava dormindo na casa ao lado - que eu iria te jogar na piscina pra fazer calar a boca. E quando eu penso nela...

Não que eu não quisesse admitir, eu já agia assim fazia um tempo. Toda aquela coisa de não se importar, mas fazer toda a diferença você estar aqui. Ou o fato de não falar mais como eu fazia quando te conheci. Porque eu vi o seu jeito e sabia que estava indo pra um caminho sem parada. Uma montanha russa de vários quilômetros e vai-e-vem, mas sem parada pra respirar. Você só iria dar corda.

Seu sorriso não sumiu em nenhum momento das minhas ameaças, ao contrário, você pedia pra crer. Como se eu fosse cair "baby" - eu pensei de novo.

Você começa a puxar papo de novo e eu me vejo respondendo tudo com facilidade, o que antes era impossível (meu estômago estava cheio de borboletas). Alguém disse a você que eu estava estranha, deixando de falar e responder mensagens. Há-há! Percebeu como é? Eu respondi que sim, estava tirando umas férias de tudo. Você não disse mais nada e eu continuava a não te olhar. Deus sabia que eu podia ficar por horas analisando as tonalidades da sua íris, as covinhas nas maçãs do rosto quando você sorri, seu estilo meninão quando na verdade já havia passado muito disso. Não foi difícil admitir que você é do tipo que fazia meu coração amolecer e me fazer suspirar como uma adolescente de colegial.

Seu ombro tocou o meu, me obrigando a perder a linha. Se você estava me chateando? Não, eu disse em seguida. Você falou que isso era bom. Mesmo eu sabendo que não adiantaria dar uma resposta, eu sabia que você era o meu tipo, mas não queria ser o cara. Percorri os olhos procurando por uma saída, estava ficando quente demais aqui.

"Hey, baby." Você diz de novo. Eu acabo rindo. Me viro e pergunto - de uma vez por todas - se você sempre fazia isso com toda mulher que não estava nem ai pra você. Você esperou pra responder, mas eu não deixei de sorrir. Passando os braços nos meus ombros, eu congelo. Meu coração passou a ser a única batida que eu escutava. Até a sua voz chegar e distorcer a sintonia. Se você soubesse como eu estava. Como eu me dizia que não estava certo. Que eu não devia. A gente não devia. Não mesmo.

Eu desejei não me sentir assim. Uma adolescente colegial perdendo a razão por um meninão como você. É. Eu admito que perdi.

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