22/01/13

Top Cinéfilo: 6 Atos de Vingança Tarantinesca

Nunca julgue um diretor por seus fãs. Quentin Tarantino e Christopher Nolan são alguns dos cineastas atuais que contam com um exército de fãs xiitas e irritantes. Também não julgue uma fã pelos fãs mais radicais de seu diretor predileto. Mas por que essa introduçãozinha? Porque o assunto do nosso Top Cinéfilo de hoje é justamente a filmografia do Tarantino, e vou destilar desavergonhadamente todo meu amor pelo trabalho daquele invocadinho do Tennessee e não sou radical.

Pessoal, "Django Livre" está em cartaz nos cinemas do Brasil, e digam se isso não merece uma motherf**ing comemoração. E no que os personagens tarantinescos são exímios? F***ing Vingança! Aquele prato, segundo o provérbio Klingon, que fica melhor servido frio – e tomo a liberdade de acrescentar, se possível, ensanguentado - e que depois dessa introdução já deve estar quase gelado. Então, sem mais demora, vamos saborear os seis melhores atos de vingança de Tarantino pré-Django*.


Contém spoilers de "Cães de Aluguel" (1992), "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (1994), "Kill Bill: Volume 1 e 2" (2003 e 2004) e "Bastardos Inglórios" (2009).

6. Pai Mei por olho, olho por Pai Mei

Elle Driver (Daryl Hannah) fez por merecer. Ao longo dos dois volumes de "Kill Bill", flashbacks incluídos, a Víbora Assassina de tapa-olho cometeu atos imperdoáveis, às vezes enquanto assobiava “Twisted Nerve” (Eu sei que a musiquinha grudenta começou a tocar na sua cabeça).


A loira participou do massacre no casamento não consumado da Noiva (Uma Thurman), tentou matar a ex-colega durante seu coma, e envenenou o professor chinês de artes marciais Pai Mei (Gordon Liu), por ele tê-la cegado como castigo. O mestre era meio xenofóbico, mas ganhou um espaço no coração de Beatrix, sua outra discípula loira ao lhe passar ensinamentos preciosos (vide o segundo lugar do top), e como ela, aprendemos a admirar esse sábio. Por esse e outros motivos, vibramos quando a heroína arranca o único olho saudável de Elle e a deixa agonizante.

5. Stuck in The Middle With You

O assalto à joalheria dos “Cães de Aluguel” foi arruinado pela polícia, que tinha colocado um informante entre aqueles oito homens com codinomes coloridos. Esses tiras e sua mania irritante de fazer seu trabalho! O que eles merecem? Perder a orelha, ou pelo menos assim pensa o Mr. Blonde (Michael Madsen).


Por isso, quando um pobre oficial é capturado, o bandido procede com uma sessãozinha de tortura. Nós não somos tão psicóticos, por isso sentimos uma tensão próxima da agonia enquanto aquele tira é ameaçado ao som de “Stuck in The Middle with You”, até Blonde pausar sua dança para cortar a orelha de seu refém uniformizado. Justiça ou injustiça, a cena é a mais marcante de todo filme.

4. Zed está morto, baby

Quem tem medo do Gimp? Eu fico, toda vez que vejo “Pulp Fiction”, e olha que não tenho um corpo másculo para despertar a tara dele, de Maynard ou Zed. Marsellus (Ving Rhames) e Butch (Bruce Willis) tinham, por isso os dois tiveram sua perseguição mútua interrompida e, u-la-lá, terminaram num porão de loja. Meninos, nunca entrem muito afoitos em casas de penhores de ares suspeitos ou podem terminar sodomizados como Marsellus.


Butch teve mais sorte, conseguiu se libertar, agarrou uma katana (Será que era uma Hattori Hanzo?) e vingou a violação de seu ex-chefe com o assassinato dos três pervertidos. Ganhou seu perdão, o quarto lugar do nosso top e uma motocicleta muito bacana.

3. (Beatrix) Kill(ed) Bill

Bill (David Carradine) não aceitou muito bem quando sua ex-amante Beatrix quis deixar o mundo crime para curtir uma vidinha prosaica depois de ficar grávida. Ele teve de reunir seu Esquadrão de Víboras Assassinas e matar todos os convidados de seu casório. Ah, ela nunca teria muito futuro com um dono de lojas de discos!


Só que a Noiva não conseguiu perdoar o massacre, a tentativa de lhe assassinar, seu coma, a perda de sua filha. Confesso que eu também não iria, e que a personagem de Uma Thurman foi meu modelo na adolescência (e de quantas outras jovens). Tantos ex sacanas daquela década tiveram sorte de suas ex injuriadas não terem sido treinadas pelo Pai Mei. Nossas vinganças foram imaginárias, mas a de Beatrix não. Bang, bang, seu baby lhe atirou, e ela revidou com a Técnica dos Cinco Pontos da Palma que Explodem Coração. 


2. O-ren Ishii, shoubu wa mada tsuicha inai yo!

A morte de Bill é o fim da história. No entanto, o duelo entre a Noiva e O-ren Ishii (Lucy Liu) é uma sequência mais poética. Talvez seja o cenário de jardim nipônico nevado, talvez sejam as katanas. A heroína assassina decorou até uma frasezinha em japonês, tão solene o ato. “Shoubu wa mada tsuicha inai yo!” ou “Você e eu temos assuntos pendentes”, memorizem para assustar aquela amiga traíra.


David Carradine era foda, o Bill era o chefão, mas O-ren Ishii era muito mais descolada. Virou chefe do crime organizado de Tóquio, teve 88 capangas Loucos, uma guarda-costas Sailor Sádica que usa um Nunchako com esporas, e ganhou um flashback em estilo anime. Por isso a cena de sua luta coreografada no jardim, e morte com o topo do crânio decepado, fica em segundo lugar no top.

1. A Vingança do Rosto Gigante

Beatrix era meu modelo na adolescência, mas ela perdeu o lugar para Shosanna (Mélanie Laurent), quando assisti “Bastardos Inglórios”. Com sua aparência frágil, a judia órfã conseguiu vingar a morte da família com classe. Tornou-se dona de um cinema em Paris (já pensou ter um cinema só seu?) e ajudada pela sorte, conseguiu reunir o alto escalão nazista para uma exibiçãozinha.


Como ela teve vingança plena (não ouse me contradizer, Seu Madruga)? Incendiou o acervo de filmes de nitrato com todos os malditos nazistas trancados no interior do lugar. Tão surreal ver a correria enquanto a tela é ocupada pela imagem ampliada de seu rosto. Ah, os gritos cortados por seu discurso de justiça e gargalhadas! Vingança póstuma, sim, porém, existe melhor cena de justiça em toda a filmografia do Tarantino? Pessoalmente, acho que não. Ah, Shosanna ajudou os Bastardos a matar Hitler, Goebbels e a nazistaiada toda. Minha heroína!

*"Django Livre" tem belas sequências vingativas (e quase mencionei agora), mas preferi deixar a lista sem o filme, para não contaminar sua ida ao cinema com spoilers.

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