04/01/13

Crítica: As Vantagens de Ser Invisível

Sam: "Por que eu e todos que eu amo escolhemos pessoas que nos tratam como nada?" 

Charlie: "Nós aceitamos o amor que acreditamos que merecemos."



“Mais 1.385 dias”, conta Charlie ao sobreviver a seu primeiro dia no colegial. Ensino médio costuma ser um período marcante para a história de um adolescente moderno. Essa época pode ser também uma tortura massacrante quando se é introvertido e passivo, como é o caso do protagonista de “As Vantagens de Ser Invisível”.


Baseado no romance homônimo de 1999, o filme lançado em setembro de 2012 tem roteiro e direção assinados pelas mãos de Stephen Chbosky, as mesmas que escreveram o material original.

Tanto o livro como a adaptação cinematográfica são ritmados por uma narração epistolar bastante franca. Interpretado por Logan Lerman (“Percy Jackson e o Ladrão de Raios”), Charlie poderia compartilhar experiências da adolescência com seu melhor amigo Michael ou com sua tia Helen (Melanie Lynskey, a Rose de “Two and a Half Men”, numa performance ao mesmo tempo sensível e sombria). Contudo, as duas pessoas até então mais próximas do garoto estão mortas quando ele completa 15 anos.


Por isso o adolescente desabafa somente em cartas para um amigo anônimo. Seus monólogos soam como uma conversa com o espectador do filme, e assim mergulhamos em sua cabeça, conhecemos sua instabilidade mental e estabelecemos um vínculo com ele.

O isolamento do protagonista quando ele se aproxima de dois veteranos: o extrovertido Patrick (o excelente Ezra Miller, de “Precisamos Falar Sobre Kevin) e a bela Sam (Emma Watson, um nome que dispensa apresentações, mas vamos lá – a Hermione da saga “Harry Potter”). Irmãos de criação, os dois acolhem Charlie como um novo membro de seu grupo de amigos desajustados.


A partir de então, o adolescente é iniciado em um mundo embalado por boa música, ao som da qual seus amigos giram em divertidas coreografias em bailes estudantis, interpretam de cenas “Rocky Horror Picture Show” e atravessam túneis de braços abertos sobre caçambas de picapes. Ao mesmo tempo, Charlie é introduzido às drogas, ao álcool, e à sexualidade. Afinal, ao contrário de muitos filmes juvenis, “As Vantagens de Ser Invisível” não é ingênuo ao lidar com as experiências comuns a um jovem normal.

Não é difícil partilhar da empatia que Charlie sente por Patrick e Sam e vice-versa, talvez até por que com suas interpretações sólidas o trio de atores dê vida (de fato) a seus papéis. Porém, o fato de serem carismáticos não os livra (assim como não poupa quase nenhum outro jovem do filme) de relacionamentos amorosos tóxicos, que os diminuem.

Essas descobertas, as boas e as ruins, são essenciais para amadurecimento do protagonista e para a compreensão de seus traumas não superados. Mas também esses fatos agridoces fazem com que ele corra o risco de ter em um segundo colapso psicológico. Com canções de nomes como David Bowie, The Smiths, Sonic Youth e Cocteau Twins, a trilha sonora nostálgica se encaixa com os altos de baixos do estado de espírito do personagem.


Fitas cassetes, o hábito de escrever cartas, a ausência de contatos por redes sociais, o cenário e a moda revelam o filme se passa nos anos 90, nos Estados Unidos. Porém os obstáculos que Charlie e seus colegas tentam ultrapassar são universais. Os mais jovens podem relacionar mentalmente a ficção e sua realidade, enquanto que os mais velhos vão relembrar a transição da infância para a idade adulta. Faixa etária à parte, no momento da conclusão do filme, é difícil não se sentir, por alguns minutos que seja, infinito.


 Rafaela Tavares é estudante de jornalismo, completamente apaixonada por música,   literatura, seriados norte-americano e principalmente cinema. Além de amar escrever,  tem uma quedinha por ilustração e, de vez em quando, desenha por diversão.

3 comentários:

  1. Depois de ler quero assistir djá, rsrs.
    Amei o post, a maneira como descreveu, parabéns!

    bjoks

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  2. Esse filme é maravilhoso!! Imagona só o livro?Estou começando a ler ele!!

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  3. Garota que post incrível! Quero assistir com certeza.. parabéns :)

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