27/10/11

Emma: comédia de enganos e desenganos

Um dos motivos que fazem de Jane Austen uma autora tão popular é a facilidade de com que a leitora sente empatia por suas heroínas. As imposições sociais da Inglaterra regencial e as dificuldades financeiras são algo que as jovens enfrentam ao longo dos capítulos (além de serem problemas presentes na biografia da própria escritora). Isso é válido para a responsável Elinor e para a romântica Marianne, as irmãs Dashwood de "Razão e Sensibilidade", assim como para a dócil Fanny Price de "Mansfield Park" e para a perspicaz Elizabeth Bennet de "Orgulho e Preconceito". Sua única protagonista a se destoar nesse quesito é Emma Woodhouse.

Rica, inteligente, bonita, admirada pela vizinhança de Highbury, ela é mais independente do que qualquer personagem feminina de sua criadora. O contraste é perceptível no seu conceito sobre casamento. Enquanto que para as outras mocinhas o matrimônio significa segurança, fuga ou ascensão social, para Emma é simplesmente algo desnecessário.

No entanto, na tentativa de dissipar o tédio e a solidão - e arranjar a vida das pessoas queridas, Emma se distrai formando e desfazendo casais, como se tratasse de um jogo bem intencionado. E ao manipular a vida de seus conhecidos, ela é quem tece todos os conflitos de sua história, até se tornar vítima de suas próprias maquinações.

COMÉDIA DE COSTUMES
Publicado em 1815, o romance é uma sátira aos costumes da época e para críticos atuais pode ser classificado como percussor das comédias românticas. Sua narração, pontuada por uma ironia fina, segue a ótica da protagonista. Seus enganos sobre as intenções dos outros personagens vão se desvendando conforme o progresso da leitura.

Austen teria afirmado que com “Emma” havia escrito uma heroína de quem ninguém além de ela mesma iria gostar. A inglesa estava enganada, a aproximação entre protagonista e leitora é inevitável. Emma é sua personagem mais humana, com defeitos proporcionais às suas qualidades e preconceitos muito semelhantes às idéias que nós próprias concebemos sobre as outras pessoas.

Ainda que a Inglaterra do início do século XIX não seja um espelho do mundo no segundo milênio, o livro ainda é agradável de ler, como os outros romances austenianos. E a razão é a mesma: identificação com personagens.

ADAPTAÇÕES
Como “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito”, “Emma” foi adaptado diversas vezes. Duas versões de 1996 e uma de 2009 traduzem o romance para a linguagem audiovisual. A primeira tem Gwyneth Paltrow no papel principal, na segunda Kate Beckinsale encarna a heroína casamenteira, e a terceira é uma minissérie televisiva com Romola Garai.



A atriz Gwyneth Paltrow em cena com o filme 'Emma'

A comédia “As Patricinhas de Beverly Hills”, que transporta a trama para o universo dos anos 90, seria a adaptação mais inusitada não fosse “Emma e os Lobisomens”. Seguindo a febre de “mash-up” literários (misturas de livros clássicos com terror e comédia), o romance de Adam Rann povoa a vila de Highbury com criaturas sanguinárias.

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