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Pertencimento

Já tem um tempo em que venho pensando sobre pertencimento. 
Sobre se sentir em casa. 
Sobre fazer morada. Sobre fazer parte.  
Sobre pertencer.

Comecei a pensar no quanto o verbo pertencer pode soar pesado.
E um pouco traiçoeiro, se analisado isoladamente. 

Pertencer.
Ilude com a similaridade com a palavra perto.
Depois brinca com o Ser. 

Pertencer.

O significado é tão pesado quanto o jogo de sílabas.

Começa com propriedade.
Termina com fazer parte.

A interpretação positiva ou negativa da palavra é subjetiva.
Às vezes, tudo o que alguém quer na vida é fazer parte.

É pertencer.

A alguém. A um grupo. A uma filosofia.

Em outras, o problema da vida de alguém é justamente pertencer.

A alguém. A um grupo. A uma filosofia.

Falta a identificação. 
Sobram as amarras.
Fica o pertencimento.


Em alguns casos, o terror está na falta dele.
Do pertencimento.
Dos significados.
Da segurança.
Da sensação de estar em casa.

É mais ou menos o meu caso.

Tenho problema com os dois significados.
Propriedade e fazer parte.

Sinto que não pertenço.

A ninguém. A nenhum grupo. A nenhuma filosofia.

A nenhum lugar, principalmente. 

O que poderia ser sinônimo de leveza e liberdade, aprisiona.
Amedronta. 
Cria muros. 

A gente não se sente em casa nunca.
Não consegue fazer morada.
Não consegue só ficar.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que fugimos dele,
queremos encontrá-lo.
O pertencimento. 

Procuramos significados, 
mas fechamos os olhos quando eles se mostram visíveis. 

A gente quer fazer parte. 
Quer se deixar ser casa.
Quer fazer morada.

Em algum lugar.
Em alguém.

Mas é difícil.
Porque para pertencer, é preciso ficar.

E como ficar, se não sentimos que pertencemos a este lugar?

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texto velho, esquecido há meses por aqui, mas que na falta de post novo, serve pra lembrar que o blog existe :) 

5 motivos para não assistir GirlBoss

Lembro quando o livro #GirlBoss foi lançado. Todas as blogueiras e empresárias que eu admirava estavam lendo, amando e, naturalmente, endeusando a Sophia Amoruso, CEO & Founder da NastyGal. Não teve como: quando percebi, estava extremamente curiosa pelo livro da capa rosa e com o título de hashtag. Chegou no Brasil, comecei a devorar e... Parei no meio. Sim, igualzinho quando você está morrendo de fome, pede o maior lanche do restaurante e quando ele vem, está tão cheio de picles que, mesmo tirando, você não consegue mais comer. Perde o apetite, sabe? Foi bem assim e o motivo foi bem mais específico do que esse meu exemplo gastronômico. Com as chamadas para a série da Netflix, eu confesso que fiquei interessada novamente, afinal, é outra narrativa e tudo que é produzido pelo nosso canalzinho tem uma ótima qualidade. Vi os teasers, vi o elenco e, quando ficou disponível, devorei em duas noites. E então, saiu este post. 


Me desculpe se você está empolgadíssima para a série, mas esse post te apresentará 5 motivos para não assistir GirlBoss.

Aviso: quase não tem spoilers, só cito de levinho umas passagens e uns personagens, mas pode ir de boa. 

1. É mais uma história de uma garota branca, privilegiada e que atribui o seu sucesso ao seu esforço

Eu não sei se já cheguei a falar sobre política ou minha visão sobre o assunto, aqui no blog, mas caso você não me conheça bem o bastante, um aviso: não acredito em meritocracia - e tanto o livro quanto a série é sobre isso. Por mais que a gente veja uma Sophia sem grana pra pagar o aluguel, pra comer e etc, vemos também uma mina branca, gata, magra, morando sozinha, com carro e que teve a opção de largar a faculdade. Tudo isso, por mais que na ótica retratada pela série, possa parecer difícil de ser considerado privilégio, é. Ela tem pra onde correr se tudo der errado, sabe? Ela só não o faz por que é rebelde demais pra assumir seu fracasso (o que também é louvável, é claro). É legal ela ter essa garra de se bancar sozinha, ser independente e etc? DEMAIS. Só que não é justo você atribuir o sucesso apenas ao seu esforço quando, no caso, ele está lado a lado com uma série de vantagens, né? 

2. Nós podemos entender que para alcançar o sucesso, você precisa ser um idiota com todo mundo 

Ok, pode não ser exatamente isso, mas é o que podemos tirar do comportamento extremamente escroto da Sophia. Ela não só trata todas as pessoas que a rodeiam de forma extremamente rude e egoísta, como simplesmente toca o foda-se para os sentimentos até mesmo da melhor amiga (Anne, btw, melhor personagem), que dedica todo o seu tempo livre para ajudá-la. Eu entendo o quanto você tem que acreditar em si mesma pra fazer suas coisas darem certo, mas desde quando isso é sinônimo de ser uma imbecil com pessoas que apenas perguntam qual é o destino do seu vôo de um jeito fofo e natalino? 

3. Sophia tem 0 respeito com o trabalho alheio 

Eu acho engraçado que hoje em dia a gente fala muito sobre empatia e etc, aí vem uma série que nos mostra uma mina jogando dinheiro pro alto com um negócio que acaba prejudicando outras pessoas. Calma, eu vou formular melhor pra não parecer que estou vivendo em Wonderland e que o capitalismo não existe! O que eu quero dizer é que ela nunca sequer demonstrou respeito pelo negócio das outras pessoas, como quando o pessoal do fórum vintage fala com ela. Ela simplesmente fala "são negócios, vida que segue" e continua fazendo o seu. O que é irônico é que ela sempre prezou por sua autenticidade e etc, quando na verdade, ela até já sofreu uns processos por plagiar pequenos designers e etc - isso na vida real, mas que não dá pra deixar de lado quando a gente começa a assistir. É meio controverso, sabe? Outra cena que incomodou muito, na série, é quando ela simplesmente entra numa loja de fast fashion, que está vendendo um vestido que ela tem estoque, e ela simplesmente desmonta o manequim e ignora a vendedora completamente. Oi? 


4. Ela precisa humilhar as pessoas para se sentir bem consigo 

Eu tenho certeza absoluta que você, em algum momento da sua vida, já teve uma amizade tóxica assim. Sabe aquela pessoa que quando você conta que vai viajar pra Maceió nas próximas férias, faz cara de desgosto e fala que vai pra Abu Dhabi e que aquilo é turismo de verdade? Então. That's Sophia. Ela se considera - ou precisa se considerar - tão acima das outras pessoas que não pensa duas vezes antes de humilhá-las, como fez com o vendedor do brechó em que ela faz seu primeiro achado. Ou até como fez com o Shane no hotel, criticando o trabalho dele, a forma com que ele o executa e ainda dizendo categoricamente que jamais se sujeitaria a algo do tipo. Eu assisti aquilo e só consegui me perguntar QUAL A NECESSIDADE, NÉ? Mas enfim, seguimos. 

5. A série é mais do mesmo

Eu até entendo que não é todo dia que temos uma história de uma mina de 23 anos construindo um império online e tal, mas tirando isso, gente, que série mais do mesmo. Me senti assistindo Malhação com palavrões e gritos. Tudo muito mais do mesmo e que te permite cochilar uns minutos, voltar a assistir e nem precisar voltar porque, de fato, você não perdeu nada. 

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Como sou justa, 2 motivos para assistir: primeiro, RuPaul



Que representa bem o meu sentimento ao assistir a série.


Segundo: a produção é impecável

O que eu já esperava da Netflix, né? Além da trilha sonora ser absurda de boa, a edição da série é incrível, a fotografia é legal e, obviamente, os looks são fantásticos - o que acaba tornando a série "assistível" para quem é apaixonada por moda. Mesmo cheia de críticas, não dá pra finalizar a maratona sem querer fuçar o guarda-roupa e dar uma ousada na próxima composição. Aposto que você fará o mesmo. ;)

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Se você me achou chata e quer ver mesmo assim, vem ler o post da Babee que te conta um pouquinho sobre o livro pra você se inteirar antes de começar a maratona Netflix. 

Sobre relacionamentos abusivos

Não ia falar nada sobre o assunto "Relacionamento Abusivo" porque eu já falei muito sobre ele no Facebook e na vida, mas é complicadíssimo ver gente falando que uma pessoa está em um relacionamento assim porque quer. Então, cá estou para dizer o óbvio: não, você não consegue simplesmente sair, mesmo quando tem consciência do que tá rolando. Não, não importa se todos os seus amigos se colocaram à disposição e se sua família te apoia. É importante, mas não muda nada. 

Não importa se você leu mil links pesados que praticamente descrevem a sua vida. Nada importa quando o medo fala mais alto que a coragem. Relacionamento abusivo é um negócio que dói na alma, porque ao mesmo tempo em que você enxerga o amor da sua vida, você enxerga o medo personificado, o receio de dizer algo errado, o pavor de um tom de voz elevado. A pessoa deixa de ser a sua pessoa no mundo para ser o motivo do seu pânico, você entende?


Pra sair desse tipo de relação que tanto confunde e prende, é preciso uma força extraordinária que você só sabe que tem quando realmente é preciso usar e, infelizmente, quando você precisa usá-la, é porque as coisas ficaram pesadas demais para o seu peito e coração. É sofrimento dentro, pra quem passa. É sofrimento fora, pra quem acompanha. É difícil. Amargo. Enlouquecedor. Pesado - de verdade.

Então, antes de dizer que só passa por essas coisas quem quer, quem "não tem vergonha na cara" (como li, infelizmente), tente colocar-se no lugar da pessoa que vivencia esse tipo de relação. Imagine-se amarrada e jogada no mar e que uma pessoa que ao mesmo tempo te salva, te afoga. Ela te deixa respirar aliviada por três segundos e, logo em seguida, coloca sua cabeça debaixo d'água de novo. Imagine o medo. De agressão, de não conseguir sair daquela dependência e daquele filme de terror. Triplique.

É mais ou menos isso.

Se você ama alguém que está passando por algo assim: por favor, não saia do lado dessa pessoa. Pode parecer que ela não te escuta, mas acredite, ela está escutando. É tudo mais difícil do que você imagina.

Se você vive algo do tipo, o meu conselho é: VOCÊ SAI DESSA. VOCÊ CONSEGUE, VAI POR MIM. Eu sei que parece que não e sei que parece que seu mundo vai cair, mas olha, a vida é muito mais vida quando ninguém te faz mal. 

fiz esse texto no Facebook e achei que devia trazer pra cá também. mas prometo que o próximo post será levinho e fofinho porque to com amorzim no coração :)