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sobre (sua) partida


Troquei o lençol da cama,
a fronha do travesseiro
e acendi um incenso no quarto

queria tirar o seu cheiro
e rastro
de qualquer coisa
que eu pudesse olhar
ou encostar meu corpo

junto com o lençol amassado,
estavam minhas expectativas
e as metas que fizemos juntos
as de curto e longo prazo.

com os papéis que tinham sua letra,
ia embora também toda a minha vontade

de ter você,
de fazer parte da sua vida
e de seus dias.
de te entender, de te arrancar um sorriso
de mexer no seu cabelo e de te chamar para deitar.

engoli o choro quando percebi
por fim
que eu não queria que voltasse

nem para meu quarto,
muito menos para minha vida.

fechei a porta.

não só do cômodo que nos abrigou por algumas noites,
mas principalmente,
do meu coração.

Sobre você, Dylan e eu


Quando te conheci, estava recém-apaixonada pelo Dylan.

Eu amava genuinamente tudo o que ouvia dele. Enxergava perfeição em cada uma de suas palavras e acreditava que toda aquela euforia era algo extremamente novo e jamais sentido. Disse, algumas vezes, que eu “me envolvi com Dylan na hora certa”. O amor ter acontecido naquela ocasião explicava perfeitamente o porquê do não encantamento (não) sentido antes.

“Timing”

“Tinha que ter sido naquele momento”

“Era pra ter sido daquele jeito” 

Com você, foi mais ou menos assim, também. Tínhamos que ter nos conhecido naquela terça-feira de abril e não em outubro. Tínhamos que ter dividido aquele pão de batata na madrugada, não podia ter sido um lanche. Estávamos acontecendo rápido e, mesmo bagunçado e veloz, tudo fazia perfeito sentido. Se encaixava de um jeito que a gente até acreditava ser inédito.

Era amor embalado com alguns de seus mais intensos arranjos. 

Tinha que ter sido naquele momento. 

Era pra ter sido daquele jeito.   

-

Nossa história começou no dia em que assistia Im not there e, enquanto eu procurava a legenda certa, comentei uma foto corriqueira do seu Instagram. Ela teve sua primeira ruptura pouco antes de ouvir One Too Many Mornings naquela segunda-feira. Tinha que ter sido aquela música para aquele momento, não era apenas uma coincidência gostosa proporcionada pelo shuffle do Spotify.

Era destino – como eu gosto de romantizar.

-

Nosso amor aconteceu na minha fase de extrema paixão pelo artista.

Nossa história terminou com outras de suas palavras.

--

Por mais que você não tenha me apresentado Dylan, inevitavelmente ele me lembrará de você. Não é porque você me disse que era apaixonado por folk, ou porque já me mostrou um vídeo tocando uma de suas músicas.

É porque o Dylan narrou nossa história.

Curta e veloz.

Mas nem um pouco insignificante.

5 coisas legais que aconteceram nesse tempo

Está autorizado me cumprimentarem com um "oi sumida" com esse post sim. Como bem disse no texto anterior, tô numa fase meio bagunçada e que, consequentemente, me deixou meio ausente do blog. Confesso que ainda estou na tentativa de escrever algo pra me "aliviar" desse turbilhão todo, mas enquanto não sai um textão do jeito que vocês gostam, vim fazer aquele momento diarinho para contar cinco coisas legais que aconteceram comigo nesse tempo longe de casa. 

1. Cortei o cabelo


Eu nunca cortei tanto o cabelo e confesso que fiquei bem surpresa com a minha falta de drama sobre o assunto. Eu sou um pouco dramática quando o assunto é picumã, daquele tipo que chora quando corta 3cm além do combinado, coisas assim. Com toda essa fase conturbada e etc, me deu uns cinco minutos, marquei o corte, fui no dia seguinte e pei: to amando. Até minha mãe que é daquele tipo que acredita que beleza e sensualidade feminina estão atreladas ao comprimento do cabelo, adorou! Para ser sincera, fazia tempo que não me achava tão bonita e acho que, desse tempo longinho, foi de longe a coisa mais marcante que rolou. Engraçado como nós, mulheres, colocamos peso no cabelo, né? Um simples corte se torna um ato de revolução pessoal e passamos a considerá-lo um  verdadeiro marco. Que bobeira, né? Cabelo cresce e nossa beleza vai muito além dele. :)

2. Completei 25 anos 

Eu sempre tive uma coisa com os 25. Ainda quero fazer um texto só sobre isso, mas para vocês entenderem um pouquinho, com 17 anos eu fiz uma lista de coisas que eu queria conquistar até essa idade porque, pra mim, 25 é uma idade que te torna verdadeira adulto - mal sabia, eu, que eu viraria adulta com menos que isso hahaha. Por essa lista de metas e expectativas, sempre pensei que eles , os 25, teriam um peso imenso, mas apesar do meu tradicional mau humor até o dia do aniversário, a chegada do novo ciclo foi bem gostosa. Comemorei o 24/5 com meus melhores amigos, mais os amigos do trabalho, no karaokê, fui convidada para ser madrinha de casamento da Nat e cantei todos os clássicos vergonhosos possíveis em uma quarta-feira atípica. No dia 27, eu comemorei com mais amigos, em um hostel, e também foi bem gostoso. Fiquei tão feliz em perceber que tenho pessoas queridas perto de mim independente de onde eu for... :) 

3. Tive recebidos 


A gente até tenta deixar de ser blogueirinha, mas fazer o quê, né? hahahahaha Mas falando sério, fiquei super feliz quando recebi essa coisa linda da ToSave, pois mais minha cara impossível. Não é Dior - bem que poderia, né? haha - mas é um inspired bem divertidinho, já que a estampa é na parte interna da peça, o que deixa a frase bem sutil (não que eu tivesse problemas em usar um "we should all be feminist" escrito em vermelho sangue). O precinho é mega honesto ♥ e o bom é que como é uma loja chinesa, você compra, esquece e quando chega, parece presente. O link da camiseta é esse aqui.

4. Me apaixonei perdidamente por Bob Dylan

Citar isso como marco, nesse post, me faz perceber muito claramente o quanto tempo estive ausente, isso porque meu amor arrebatador começou no fim de fevereiro. Mas vamos à história! Eu sempre me interessei pelo Bob Dylan porque - ai, o motivo é muito idiota, já peço desculpas agora haha - ele faz aniversário no mesmo dia que eu. Por esse motivo super plausível, eu tentava ouvir seu trabalho e simplesmente não curtia - não sei, não rolava. Conseguia entender toda a importância de suas letras, mas aquela pira de "nossa, que foda!" não rolava comigo. Era tipo um cara que você sempre olha em um lugar que você sempre frequenta, sabe que ele é interessante porque suas amigas têm uma queda por ele, mas nada te chama a atenção. Bob Dylan era o carinha, no meu caso. 

Pois bem, um dia eu estava lendo O Guia do Mochileiro das Galáxias e tinha uma frase de Blowin' The Wind em um contexto bem legal e PÁ. Uma faísca. Imediatamente comecei a ouvir a música, uma levou a outra e o amor finalmente aconteceu. O mais engraçado é que aconteceu como o amor geralmente acontece: aos poucos e construído com cuidado, respeito e admiração. 

Fiquei obcecada, como vocês já sabem que rola quando eu me interesso por algo. Devorei discografia, vi documentários e, por fim, o Victor, um dos meus melhores amigos e um dos maiores fãs do Dylan que conheço, fez uma espécie de guia para eu imergir em seu trabalho. O mais legal é que por ser uma das pessoas que mais me conhecem na vida, ele foi elencando os álbuns de acordo com a possível relevância para mim. Se vocês se interessarem, posso publicar aqui, btw. Enfim, cá estou escrevendo esse texto ao som de Chimes of Freedom e com um relacionamento seríssimo com esse cara. Mas ó, não sou ciumenta: vocês podem se apaixonar por ele também, tá? 

5. Recebi amor pelo correio 


A Mih é uma das leitoras mais antigas aqui do blog e sempre comentou coisas lindas que me deixavam super feliz. Além de me dar conselhos e ser fofa, ela dividia comigo suas experiências, o que me deixava ainda mais feliz com tudo isso. Uma vez, no ano passado, ela me enviou uma carta linda e um livro que me fez muito bem na época - e que, veja só, eu estava precisando ler algo daquele tipo - e nesse ano, ela me enviou uma caixa de presente de aniversário. Gente, sério: ♥ não tenho nem o que dizer, só consigo definir com corações infinitos. Além de me presentear com um livro gracinha (Fangirl, da Rainbow Rowell), ela me deu dois dos meus filmes favoritos da vida, em DVD, (Antes do Amanhecer e Antes do Por do Sol), uma caneca super fofa do Literalmentes - o blog dela - e um potinho de cookies feitos por ela

Eu achei tudo isso tão, mas tão lindo, que eu não coube em mim. Além dessa fofura e dessa demonstração do quanto me conhece só pelo blog, ela me mandou um cartão lindo em que dizia coisas que me deixaram com o coração quentinho. O que ela fez é um exemplo do que eu falei nesse post aqui. Vocês não têm noção do quanto ações assim são poderosas e podem mudar todo um dia ruim. 

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E com vocês? Quais foram as cinco melhores coisas que aconteceram desde a nossa última conversa?

Um beijo e até breve, 

Mih