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A melhor notícia do meu ano :)

Eu sei, eu sei.
Eu sumi, o BEDA flopou e a frequência de posts, neste blog, nunca foi tão baixa.

Eu sei.

Mas diferentemente de todos os meus retornos-pós-sumiço-sem-motivo, esse tem uma notícia que me fez muito feliz e que quero compartilhar com vocês que me leem desde sei lá quando e que sempre trocam palavras e afeto comigo. 

Preparadas? 
Mesmo? 

Então lá vai... 

Eu vou escrever um livro.

Não, você não leu errado! 

Estou com contratinho assinado e, em 2018, vocês poderão me levar para onde quiserem - dentro da bolsa, da mochila, etc - e ler minhas linhas sobre dores e amores impressas. Sério, demorou pra cair a ficha e talvez por isso esteja sendo tão incrível escrever sobre isso aqui. 

O livro (meu deus, ainda é muito emocionante falar isso hahaha) vai abordar assuntos do coração, como vocês já veem aqui no blog e do jeito que vocês já conhecem, então, se você curte o que escrevo por aqui, com certeza vai gostar do que vem sendo feito. Sem demagogia, publicar um livro é mesmo a realização de um sonho e eu não consigo mensurar a felicidade e o orgulho que eu vou sentir ao ver pessoas segurando algo tão meu. Tá tudo muito maluco aqui dentro - e de um jeito incrivelmente lindo haha ♥ 

Logo menos conto mais detalhes e faço convites. 

Posso contar com vocês para me mandarem energias lindas e muito amor durante esse período?

. . .

em tempo, quero agradecer muito a todas as meninas que sempre comentaram aqui e me deram coragem de assumir um projeto tão lindo desse. sério! vocês são peças fundamentais nessa baita conquista ♥ 

. . . 

nos vemos nas livrarias, em 2018.
e [esporadicamente] por aqui, no mesmo batlocal. 

Revival

Às vezes acontece de uma boa série ser cancelada sem nenhum grande motivo aparente. O enredo tá se desenvolvendo bem, a química entre os atores está rolando e toda a equipe está em sinergia. A audiência também é boa e os caminhos a serem seguidos na história são diversos e interessantes, mas por um problema de continuidade no roteiro, uma divergência entre produtores ou simplesmente por conta de novos projetos da emissora, a série é cancelada.

Acaba.
Assim, do nada.

O cancelamento repentino deixa todo mundo estupefato, olhando para o nada e perguntando o porquê. "Será que foi o figurino?", "Será que as produtoras-executivas não estavam em sintonia?", "Hum... Aposto que foi o recesso do coadjuvante bonitinho..."

Listam-se possíveis motivos. As tramas ficam sem desfecho, as perguntas sem respostas e as cenas mais esperadas acabam não indo ao ar.

Passa-se um tempo. Aparecem as críticas. "Como assim acabou dessa forma?", "Eu não acredito, que falta de vergonha na cara!", "Eu sabia que não ia durar muito". 

Surgem as lamentações. "Poxa, mas eu gostava tanto...", "Eu enxergava muito potencial, tô realmente triste", "Não é possível que tenha acabado".

Até aceita-se o término que foi enfiado goela abaixo.
Mas, quando a série é realmente boa, ela tem um revival.

Ilustra: Robin Eisenberg

O revival é uma prestação de contas aos envolvidos em toda a situação. Veja bem, não se trata de uma continuação, apesar de dar essa ideia e poder seduzir os personagens com a possibilidade. O revival é uma forma justa, sincera e coerente de encerrar um ciclo. É demonstrar respeito, carinho, amor e consideração com aqueles que fizeram toda a história.

O revival brinca com as possibilidades porque não existe mais o peso de ter que fazer dar certo. Não tem mais regras porque não existe mais construção. Pode errar a fala, pode não ter atuação, são permitidas falta de maquiagem, falhas no roteiro e grandes doses de caco e improviso. 

No revival, usa-se óculos de graduação* e qualquer banalidade é vista com um filtro de amor, paixão e otimismo. O corriqueiro vira belo porque sabe-se que não será visto novamente. O banal é irresistível porque ele não será mais rotina e um pequeno diálogo torna-se memorável porque dificilmente será repetido. 

Isso tudo é lindo justamente por sua finitude e certeza de que, depois dali, acabou. E não é porque acabou que não levou felicidade aos protagonistas. 

O revival é gentil e fala muito, mesmo sem utilizar palavras.
Passa mensagem de um jeito despretensioso e conforta como um abraço. 

Indiretamente, o revival diz que o amor continua, ainda que você mude o canal,

ainda que fora do ar.

//

*óculos de graduação: um termo que o Ted usa em How I Met Your Mother para falar de "últimos momentos" que, na condição de "últimos", são observados de um jeito mais doce, amoroso e que em nada condiz com a realidade. 


E S S E  P O S T   F A Z   P A R T E  D O  B E D A  2 0 1 7 !
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Sobre amores e sapatos

Eu me apaixonei por um sapato. Ali, em meio a vários outros modelos, foi ele que fez meus olhos brilharem da forma mais intensa e genuína possível. Era pra ser meu, foi feito pra mim e não tinha nenhuma outra explicação. Foi amor à primeira vista. 

Sem nenhuma surpresa, eu passei a usá-lo sempre – sempre mesmo. Ele era tão bonito que eu não conseguia escolher nenhum outro. Ele combinava com qualquer composição que eu fizesse, com qualquer humor que eu estivesse e sempre me deixava feliz e confiante. 

Era meu sapato favorito no mundo e eu não me imaginava usando outro. 

Pouco tempo depois, ele começou a machucar os meus dedos. Começou incomodando o dedinho, depois foi machucando a unha do dedão e, quando menos percebi, ele me causava muita dor até no tornozelo. Era intenso e até me tirava algumas lágrimas, mas ainda assim, meu amor por aquele modelo era maior que o desconforto causado. 

Insistia em usá-lo constantemente. Era o sapato que eu mais gostava na vida, não aceitava a ideia de que ele pudesse me machucar. 

Ilustração: Grace Lee


Mas machucava.
E o que era apenas desconforto, virou uma dor lancinante.

Após meses de tentativas e de sentir dor em calçá-lo, respirei fundo, reuni todas as minhas forças, coloquei-o no fundo do armário e tranquei. 

Era hora de testar outros modelos. Nenhum era como ele, mas ao menos, eles não me faziam sentir dor.
...

Com o tempo, fui aprendendo a priorizar o conforto. A amar a sensação de pés descalços na areia ou do delicioso conforto de um chinelo com meia. Fui me apaixonando pelas sensações e me acostumando, felizmente, a viver sem dor. Salto alto saiu da minha lista de paixões da mesma forma em que as botinhas divertidas assumiram o primeiro lugar na minha lista de amores. 

Eu era outra pessoa além do estilo e do senso estético e o que eu usava antes não tinha nada a ver com o que via no espelho nos dias atuais. 

Anos depois, ao mexer no fundo do armário, encontrei o sapato que há tanto já amei. Não conseguia imaginar que um dia aquele modelo, que em nada combina com o que sou, pudesse ter sido tão importante na minha vida. Não entrava na minha cabeça que eu preferia machucar meus dedos a deixá-lo de canto. 

Mais que isso. Não conseguia entender como foi que um dia eu pude amar tanto algo que nunca foi feito para mim. 

Fechei o armário e sorri. 

A dor causada pelo aperto daquele sapato me fez aprender o que deveria ser priorizado e o quanto eu poderia ser mais leve se tivesse mais movimento. 

Sorri sozinha ao perceber o quanto mudei e o quanto aquilo, que já foi a minha vida, não tinha nenhum outro lugar a não ser a presença em fotos antigas.

[E o fundo do meu armário trancado].

(Meus) cancerianos

O primeiro era felicidade e gargalhada. Não importava muito o motivo, sempre acabávamos rindo. Rindo alto, daquele jeito nenhum pouco sensual como os nossos livros favoritos descreviam sorrisos - mas de uma forma altamente contagiante. A barriga doía e precisávamos nos inclinar para conseguir lidar com a força daquele riso.

O segundo era reflexão. Nossas conversas regadas a boas cervejas sempre me traziam conclusões às quais eu jamais chegaria sozinha. Pareciam óbvias demais, depois de ditas por ele. Sempre me apresentou serenidade e cuidado. Inclusive, ele tinha essa mania de cuidar das pessoas que se aproximavam dele e comigo não foi diferente. Sorte a minha. 

A terceira era companheirismo. Bom ou ruim, com sorriso ou dor no peito, ela estava lá para tentar me lembrar de quem eu era e o que eu merecia. Ao mesmo tempo em que lidava com suas próprias tempestades, me lembrava sempre de levar um guarda-chuva na mochila. Me fazia feliz com apenas duas palavras e compartilhava dos mesmos sonhos que eu.

Os três pertencem às artes. 

O primeiro se expressa por desenhos, cores e traços que representam pessoas, histórias e sentimentos. Colore a vida, pincela os dias.

O segundo faz da música sua voz. Pode não falar muito sobre o sentir, mas consegue escolher e fazer músicas que o fazem com perfeição - e talvez seus arranjos digam por ele, também.

A terceira tem afinidade com as palavras. Faz do texto sua extensão e respiro.

Essas três pessoas só tinham duas coisas em comum, além do pertencimento à cultura:
o signo e a posição de "melhor amigo".


Com o primeiro, aprendi que eu era grande demais para alguns lugares - e que eu poderia ser o que eu quisesse. Ele me mostrou que qualquer meta (ou sonho) poderia ser possível desde que eu me propusesse e concretizá-lo. Me ensinou o peso das decisões e mais um significado para a palavra família. 

Com o segundo, aprendi que eu realmente aceitava o amor que eu achava merecer e que eu merecia muito mais (mesmo). Me ensinou a analisar pessoas e situações de um jeito mais real e menos fantasioso, o que me fez crescer emocionalmente em vários sentidos. Sem querer, me ensinou que tudo acontece por um motivo, quando apareceu na minha vida depois de uma das fases mais difíceis dela. 

Com a terceira aprendi - e aprendo - que quanto mais sólida a amizade, por mais provas ela passa. Nos tratamos como irmãs, desde a cumplicidade até as brigas pela bagunça. Aprendemos que as diferenças são poucas se comparadas com a parceria desenvolvida ao longo dos anos, e que distância não é nada. Me ensina diariamente que é possível ter uma força extrema ao mesmo tempo em que dá o mais bonito dos sorrisos.

Com ambos, aprendi que assim como os caranguejos, a gente pode brincar tranquilamente com a imprecisão das marés se lembrarmos da importância de fazer morada em terra firme. Em nossas longas conversas, me lembram que as águas podem nos levar pra onde elas quiserem e, por isso, é fundamental não apenas aprender a nadar, mas mergulhar. 

Não existem águas rasas quando fala-se de cancerianos. 

Eles me mostram que nessa imensidão toda (da vida, das águas, das pessoas) e com tantos medos quanto criaturas marinhas, existem poucas certezas sobre os dias que virão. Fazem questão de me lembrar que, assim como o mar, a vida é imprevisível e não dá para adivinhar o que virá pela frente - e que por isso é imprescindível ter um ponto de orientação na hora de seguir o caminho. 

Tanto faz se é farol ou constelação.  Até porque, no meu caso, são pessoas. 

E são três. 

Mulher-Maravilha: um filme realmente maravilhoso

Sério, eu não consigo começar esse post sem definir esse filme com uma única palavra: MARAVILHOSO. Me perdoem pelo clichê de usar o nome da heroína para resumir o que achei sobre o longa, mas não tem jeito - o filme da Mulher Maravilha faz jus ao seu nome. 

Não existe outra palavra para descrever essa obra cinematográfica. Não estou dizendo que ele é perfeito em todos os sentidos, até porque teve algumas coisinhas que eu tive que torcer o nariz, mas, de modo geral, que lindeza de filme. E que surpresa boa, principalmente depois da polêmica com Batman vs Superman, que teve um hype imenso, mas que, no final, achei que deixou a desejar.

Mulher-Maravilha foi criada nos anos 40 pelo Dr. William Moulton Marston, também conhecido por seu pseudônimo Charles Moulton. Moulton era um psicólogo que ajudou a criar o detector de mentiras - transformado no “laço da verdade” nos quadrinhos -, e defendia a igualdade de gêneros. Assim, 75 anos depois da sua criação e primeira aparição nas HQs, estava mais do que na hora de a heroína ganhar um filme só dela, né?


Icebergs

Hoje em dia, o que conhecemos das pessoas não é nada muito além da pontinha de seus próprios icebergs.

Você, eu e a moça simpática que me sorriu quando pedi um café na padaria

mostramos apenas o que é fácil, leve, bonito e gentil.


Ao mesmo tempo,

reclamamos (constantemente) da superficialidade das relações,

mas...

quando foi a última vez que você teve coragem de mergulhar em águas turvas e geladas para tentar entender a profundidade de outro alguém?

É.

Eu também desaprendi a nadar.