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Boazinha demais

- ...e foi isso!

- Você sabe por que isso aconteceu, né? Você é boazinha demais!

Se eu ganhasse R$ 1,00 a cada vez que eu escutasse a frase acima quando eu termino de contar uma situação em que eu fui prejudicada de alguma forma, neste momento, eu estaria escrevendo esse post do meu estúdio em Londres.


Eu sempre escutei isso como a causa de alguns dos meus problemas. "Também, você é boazinha demais", me diziam sempre que eu terminava de contar alguma situação em que saia chateada. Não demorou para que eu passasse a enxergar o "ser boazinha" como algo ruim.

Porém, lá no fundo, mesmo me forçando a deixar de acreditar nas pessoas e tentando ser um tiquinho mais egoísta, eu me sentia bem por acreditar. Me sentia fraca por ser considerada a "boazinha", mas ao mesmo tempo, eu conseguia enxergar isso como uma qualidade. Mesmo que eu evitasse falar sobre isso. 

Um dia, em um domingo, um amigo me perguntou:

- Me fala uma coisa que você goste muito em você e não mudaria. Qualquer coisa!

Pensei muito.

- Sou boazinha e acredito nas pessoas. Feliz ou infelizmente.

- Você sempre responde "Feliz ou infelizmente", contestou.

Dei de ombros. A verdade é que vivemos em um mundo em que ser bom e acreditar nas pessoas não é regra: é uma exceção e prejudicial. Sempre que você conta uma história em que acreditou em uma pessoa, em que foi um pouco altruísta ou que deixou de fazer algo no qual seria o único beneficiado, não agem com normalidade: sempre te julgam. Ou taxam você de trouxa, ou até te elogiam.

Porém, a reação esperada, que é a normalidade, nunca acontece.

Você já parou para pensar nisso?

Estamos vivendo em um mundo em que somos condicionados a esperar o pior das pessoas e, caso contrário, você é taxado de ingênio. Bobo. "Bonzinho demais". E isso é tão, mas tão triste, que me deu vontade de escrever. Sinceramente, não consigo deixar de acreditar nas pessoas, de ser otimista e de esperar ações legais ao invés de decepções e, sabe, se a decepção vem, no fundo, eu me sinto bem porque percebo que não fui "corrompida" com toda essa descrença nas pessoas.

Por mais ingênua que possa parecer, eu escolhi acreditar.
Ser boazinha.

Feliz ou infelizmente.

Né?

Como usar roupas verde militar

O militarismo voltou com tudo e eu sou uma eterna apaixonada pela tendência mais vai-e-vem do nosso inverno. O assunto já foi pauta de um post no blog da Kipling mas, gosto tanto da trend, que trouxe para o MOBIC também - e faz tanto tempo que não falo sobre coisas não-umbiguísticas que achei bem válido. Na verdade, eu trouxe um grande moodboard para servir de inspiração e misturinhas que eu adoro fazer. Vem comigo!

Estilosos e moderninhos, os itens que carregam o verde militar, hoje em dia, são peças de desejo. Parka militar, saia verde ou até mesmo uma blusinha comum podem deixar qualquer look mais simples com uma pegada mais descolada, basta usar a criatividade. Eu já coloquei a parka em minha wishlist mas, enquanto ela não chega, eu apostei em uma t-shirt engraçadinha e já saí por aí com o verdinho hype da estação. 


Eu sou apaixonada por algumas composições meio que padrão - e na verdade, estou meio obcecada por elas. A paleta de cores listras + verde militar tem o meu amor eterno, assim como a camel + verde militar tem toda a minha fidelidade. Veja só outras inspirações de paletas de cores que dão super certo com a tendência!


Verde militar + listras:



Verde militar + camel



Verde militar + preto




Viu? Apesar de parecer difícil, combinar o verde militar é superfácil. Vai da sua vontade e criatividade! ;) E aí? Estavam com saudade de posts menos pessoais aqui no blog? Me contem! O feedback de vocês é sempre muito importante para eu continuar acertando no conteúdo.

Beijo e até o próximo post!


Maio

Maio sempre foi o mês mais esperado do ano, pra mim e, sim, é pelo meu aniversário. O irônico dessa ansiedade é que eu não gosto de aniversários. Acho, também, que é justamente pelo fato de eu esperar tanto pelo dia 24 que eu me sinto um pouco frustrada quando ele vem. No final do dia, eu percebo que foi mais um como qualquer outro. O sol nasceu, se pôs e nada diferente aconteceu nem na minha e nem na sua vida. 

É um dia que me deixa sensível e, por isso, eu tenho a sensação de que o o mundo resolve me testar no dia 24/05 e tudo o que pode acontecer para me deixar chateada, acontece. É sério, se você me encontrar em um rolê e nos sentarmos para conversar sobre a vida, me pergunte ao menos três histórias ruins protagonizadas em aniversários. Mas ainda assim, mesmo com essa birra, eu sempre espero maio. 

Maio, pra mim, é o que marca o começo do meu ano.


Coloco tanto sentimento no quinto mês do ano que, normalmente, ele é atípico. Por mais que eu brinque sobre inferno astral - e por mais que eu acredite nessas coisas -, sei que é um mês difícil porque eu sinto tudo de uma forma muito intensa. Coração pequeno para muito sentimento, sabe? Eu sempre senti demais, seja alegria ou tristeza. Não sei trabalhar com sentimentos rasos e sou louca por definições, já que elas permitem com que eu me expresse. 

E mais que isso, que eu possa expressar o que sinto. 

Maio sempre é importante e é quando coisas marcantes acontecem e influenciam algo a no máximo dois meses depois. Sempre, sempre ligados ao coração. Em 2015, tive dois extremos no meu quinto mês: o nascimento do novo amor da minha vida, que é o meu sobrinho, e a partida de um outro amor da minha vida, que era o meu avô. Coincidentemente, o nascimento foi no começo do mês, meu aniversário no dia 24, a partida do meu avô no dia 27.

Começo, meio, fim. 

Em um mês, eu tive uma clara representação da vida e do nosso ciclo. Algo extenso demais para alguém que tem o coração que transborda facilmente. Não consegui não pensar em como tudo é finito e efêmero. A felicidade é tão efêmera quanto o sofrimento e é por isso que conseguimos sobreviver, né? 

Um ano depois e eu tenho um olhar diferente sobre tudo isso. Maio me mostra, sempre, que as coisas mudam. Me mostra que ao mesmo tempo em que algo termina, algo novo e incrível começa. Me lembra de ser forte a cada vez que as coisas mais difíceis acontecem. Me faz ser positiva mesmo quando já perdi algumas esperanças.

Maio me lembra que a vida é assim, um ciclo. E é quase reconfortante lembrar de que tudo passa. 

Mesmo as coisas boas. 

Cinco coisas que não te contaram sobre morar sozinha

Morar sozinha é uma experiência e tanto. Alguns de vocês já passaram por isso muito antes que eu, seja mudando de cidade para estudar, ou vivenciando intercâmbios incríveis. Minha mudança foi um pouco diferente, já que ela foi direto para a vida adulta, com direito a aluguéis saindo do meu próprio bolso, compras nada glamourosas compostas por pão, couve-flor e farinha de trigo, e rolês sendo repensados. Pois é, vida adulta tem lá suas vantagens, mas sair de casa é bem complicado. Estou nessa há 4 meses e vou contar cinco coisas que, provavelmente, não te falaram sobre sair de casa. 

1- Você sempre ficará sem dinheiro


É incrível! Você recebe, puff, pagou contas e tá dura. Recebeu de novo, puff, pagou mais contas que surgiram e continuou dura. E não importa se você resolveu guardar um pouco para finalmente comprar aquela bota incrível que você viu no shopping: seu banheiro vai entupir e sua botinha maravilhosa ficará para, quem sabe, mês que vem. 


2- Ficar doente é ainda pior quando você mora sozinha


Estou vivendo isso agora e, vou te contar uma coisa: não tem ninguém pra fazer canja pra você, ninguém pra ligar na farmácia, ninguém pra tirar sua temperatura. Ficou doente morando sozinha e precisa ir ao pronto-socorro? Agradeça aos céus pela existência do Uber e vai na fé - com muita bateria no celular para jogar joguinhos e toda a paciência do mundo. Uma dica de ouro: antes de mudar, certifique-se de você tem hospital e farmácia perto. O Uber fica barato! hahaha #dicadeouro 

3- Você vai falhar miseravelmente em tudo, no começo 


Primeiro jantar, primeira vez que lavar roupas, primeira ida sozinha ao trabalho... Primeiras vezes são traumáticas em um geral, mas quando você está sozinha é ainda pior. Quando me mudei, eu não sabia fazer absolutamente nada de comida, no máximo fritar um ovo. Minha mãe sempre me alertou e eu sempre disse: quando precisar, aprendo. Bem, demorou mais do que eu gostaria de assumir. No meu trabalho, eu sempre brincava que esperava ficar morreeeendo de fome para comer minha própria comida - e o pior é que era verdade hahaha. Depois você vai aprendendo a deixar o arroz por mais cinco minutos no fogo, a colocar um pouco mais de alho e que brócolis salva qualquer refeição gordurosa demais. E tcharam: 4 meses e eu realmente gosto da minha comida. Sobre a roupa... Eu não dei uma de Rachel e manchei todas as minhas roupas com uma meia rosa, porém... Perdi meus dois blazers favoritos - SIM, O VERDE!!! - manchando-os com... Amaciante! Já chorei, reclamei, mas né, vida que segue.

2- Ou você vai ao mercado, ou você vai ao mercado


Eu estou numa semana bem ruim porque fiquei doente com todas as ites: conjuntivite, bronquite e São Paulo me presenteou com sinusite. Ok, fiquei bem quieta na minha cama por dois dias, toda trabalhada na compressa de água quente e remédios. Até que, hoje, percebi que minha geladeira ficou vazia e eu não tinha nada pra fazer no jantar. O que fazer senão se encapotar inteira e ir, no frio, comprar carne, frango, banana, maçã e macarrão, não é?

1- Você aprende a dar valor em coisas minúsculas


Eu até comentei sobre isso nesse texto aqui, mas aqui quero dar mais detalhes. Morar sozinha te mostra como o simples fato da sua mãe chegar cansada do trabalho e ainda fazer o jantar é digno de nobreza. Crescemos com as mães fazendo essas coisas e achamos naturais, que "não desgastam", mas meu Deus, como desgastam! Hoje, chegando cansada do trabalho e ainda ter que cozinhar faz com que eu me lembre da minha mãe toda vez. Então, parece bobo, mas dê valor para essas pequenas coisas. São verdadeiras provas de amor cotidianas. E olha, nesse frio, com as ites atacadas, eu não desejo nada mais que uma canja da minha mãe - que ela fazia, sem reclamar, independente do cansaço de um dia de trabalho pesado.

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Ah! As partes boas de morar sozinha que todo mundo já imagina, como liberdade, fazer o que quer na hora que quer, deixar a cama desarrumada por dias e etc são todas verdadeiras. E são essas mesmas pequenas coisas que fazem que toooodo o perrengue valha a pena. ♥

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Silence is a Scary Sound. Será?

Quando criança, eu sempre gostei de ficar sozinha. Me sentia mais feliz brincando comigo mesma do que tendo que conviver com outras crianças. Meus passatempos favoritos, naquela época, eram um pouco diferentes dos programas que minhas amiguinhas gostavam: eu preferia desenhar e pintar a ter bonecas, gostava de brincar de escolinha - e dava aula para ursos de pelúcia - e eu realmente adorava ficar lendo livros de conhecimentos gerais que meu pai comprava. Quando fiquei um pouco mais velha, acho que no ensino fundamental, comecei a entender que as pessoas não enxergavam a solidão com bons olhos. Estar sozinha era sinal de fracasso, então, passei a ter a obrigação de me incluir, afinal, eu não poderia ficar sozinha. 

Na quinta ou sexta série, eu realmente não me encaixava no meu grupo de amigas. Eu gostava delas, mas eu simplesmente não me encaixava, na maioria das vezes. O medo de ficar sozinha me tornava dependente e fazia com que eu "aceitasse" qualquer tipo de amizade, sendo boa ou não para mim. 3 anos e, após uma discussão boba - mas que foi intensa, para mim - pedi para minha mãe me mudar de escola. Na escola nova, eu estaria sozinha e, justamente por ser nova, essa reclusão seria aceitável. Eu poderia ficar no meu canto lendo algum livro e ninguém me julgaria. Seria o paraíso.

A diferença é que, com o passar das semanas, eu comecei a me sentir inclusa e feliz. Tinha pessoas que eu realmente me identificava e, de fato, era melhor do que estar sozinha. Me pergunto como minha vida seria, hoje, se eu não tivesse tido essa primeira atitude de enfrentar o medo de ser/estar sozinha.


Após a escola, veio a vida amorosa. Meu primeiro namoro foi aos 17 anos e éramos amigos que nos víamos todos os fins de semana. O namoro durou três anos, quando comecei a perceber - aos 20 - que queríamos coisas diferentes na vida. Terminei e simplesmente emendei um outro namoro. Eu tinha pavor em me imaginar sozinha - com quem eu ia ver séries? Para quem eu escreveria? Quem me ajudaria a lidar com meus conflitos? - e, por isso, não dei o menor tempo para mim e nem para o meu ex-namorado que estava se recuperando de um término. O segundo namoro durou 1 ano porque eu não sabia direito o que estava fazendo, mas sabia que aquilo não era o melhor para mim.

Eu precisava me conhecer, afinal. 

Quatro meses depois, embarquei em outro relacionamento. Logo quando eu estava começando a conhecer a Michele-sem-homem-nenhum e me apaixonando por ela. Estava construindo uma personalidade 100% minha quando, mais uma vez, passei a viver na sombra de outro alguém. Com esse terceiro namoro eu comecei a me anular a fim de evitar brigas. E, então, decidi ficar sozinha.

Sozinha sim, solteira também.
Decidi que enfrentaria o silêncio e a solidão. 

No começo, não vou mentir e dizer que foi fácil. Eu pedia para as pessoas me tirarem de casa. "Me convida pra ir na praça, mas me convida!", implorava. Ficar em casa, em um domingo, parecia a pior coisa do mundo - e foi mesmo, no começo dessa minha "jornada de autoconhecimento". O silêncio era um barulho assustador. Mas os dias foram passando e, a cada um deles, coisas novas sobre mim mesma eu descobria. Descobri pessoas maravilhosas - e eu sempre gosto de ressaltar o quanto eu sou grata por atrair tantas pessoas incríveis. Descobri que meu foco é absurdo, quando eu quero. Descobri que a melhor coisa do mundo é seu humor depender apenas de você. Descobri que rir é muito mais fácil que chorar. Descobri que não vale a pena deixar de ser você nem por cinco minutos, se for por outra pessoa. Descobri que eu sou o centro do meu mundo e que eu era a única pessoa a quem eu precisava agradar. 

Hoje, pedi comida chinesa e, no biscoitinho da sorte, tirei a seguinte frase: "A solidão só é agradável quando se está em paz contigo mesmo". Refleti tanto que acabou saindo esse post. A solidão é boa, conforta e inspira. Basta que a gente saiba aproveitá-la. E o silêncio não é um som assustador, não. É uma situação que faz com que a gente ouça nossos próprios pensamentos. 

E que a gente se conheça de verdade.