. 19/06/2018 .
Budapeste seria um destino interessante por si só. A beleza da capital húngara e a história de sua fundação já seriam suficientes para entrar no roteiro de qualquer pessoa apaixonada por viagens. Mas para Rafael ela tinha um atrativo muito mais específico que o Castelo de Buda - e ele se chamava Attila.

Os dois se conheceram pelo Instagram. Alguns likes e comentários depois, começaram a conversar por meio das mensagens diretas do aplicativo. Não demorou para que trocassem contatos mais pessoais – como o WhatsApp – e começassem a se falar todos os dias. A vontade de conhecer a pessoa com quem falava tanto e sobre tudo aumentava a cada dia e, quando menos percebeu, Rafael já estava incluindo a Hungria em sua viagem pela Europa. Apesar de parecer uma premissa de filme romântico com final feliz, Rafael sempre foi cético demais para criar expectativas. Encontrar Attila seria consequência de uma viagem incrível – e apenas isso – porém, contou para o garoto sobre seus planos para, quem sabe, marcarem de se conhecer.

E então,
marcaram. 

Imagem: Min Liu
Quando desembarcou na capital húngara, avisou o até-então amigo de Instagram e combinaram um encontro para, finalmente, se conhecerem.

“Como amigos”, pensava Rafael.

Combinaram um ponto de encontro no meio do caminho dois para seguirem, juntos, até o Csendes Létterem, um barzinho que Attila escolheu. Quando se encontraram, inevitavelmente, Rafael sentiu coração acelerar. Ele estava fisicamente perto da pessoa que por mensagens, sabia mais sobre seus segredos do que amigos que cresceram com ele. Ali, a centímetros de distância, estava o homem que, por meses, acompanhou tudo o que acontecia em seus dias, relatados da mais sincera forma.

Era Attila. 
Ali. 
Perto.

“Finalmente!”, foi o que conseguiu dizer, em inglês, após sair do abraço do húngaro.

“Finalmente”, respondeu de um jeito gentil e igualmente feliz pelo encontro.

Caminharam até o Csender Létterem e Rafael ficou encantado com a decoração do lugar. Os vários elementos distintos juntos deixavam o bar com um ar “casa de vó” e a luz baixa criava o aconchego que procuravam.

Dividiram uma mesa pequena, no canto do bar, e começaram a conversar como se não se falassem há meses. Os assuntos eram os mais diversos possíveis: desenhos animados favoritos, dicas de como tomar café e segredos não confidenciados a ninguém antes. As pernas se tocavam sutilmente, sob a mesa, e os olhares se cruzavam com facilidade. Rafael sentia algo parecido com um choque a cada vez que conseguia enxergar o brilho nos olhos de Attila.

“Vamos para outro lugar? Aqui fecha cedo”, sugeriu o húngaro.

Rafa concordou e, andando, foram a um novo local. Durante todo o trajeto, momentos de silêncio permeavam trocas de olhares cada vez mais longas. A vontade era de beijar Attila ali, no meio da rua, mas não sabia como aquilo seria aceito culturalmente. Decidiu esperar chegarem ao novo bar para ter certeza de que a vontade era recíproca.

O novo bar era ainda mais legal que o primeiro. Decorado com enormes águas-vivas coloridas nos tetos e com mesas de fita K7, sentaram em um canto um pouco mais afastado, pediram mais alguns drinks e continuaram conversando.

A cada sílaba pronunciada, mais Rafael ficava encantado. Naquele momento, entendia todos os livros de romance que já leu na vida, pois conseguia sentir todas as emoções descritas naquelas obras. Sentia o coração gelar, elefantes no estômago, a garganta ficar fechada e o rosto arder quando os olhares se encontravam.

“Sabe...”, Attila começou, se aproximando delicadamente de Rafa, que acabava de deixar sua bebida na mesa, “Esse bar tem muitas pessoas e eu, normalmente não faria isso, mas...”, o húngaro se aproximou do brasileiro, “...eu estou com muita vontade de te beijar. Muita mesmo”.

Rafael sorriu e, sem pensar muito, permitiu que as borboletas de seu estômago tomassem voo. 

Abraçou Attila e se beijaram ali, sob uma água-viva amarela.

-

O segundo encontro não aconteceu, mas mesmo tendo passado alguns anos e estando a 9.796 km de distância, para Rafael, aquele beijo ainda foi o momento mais mágico de sua vida.

E portanto, 
eterno.

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Leia o primeiro post da série: 

#1- Sobre o lençol azul-marinho

. 18/06/2018 .
Laura saiu correndo do táxi, deixou dois reais de gorjeta para o motorista e apertou, timidamente, o número 37. Menos de dois segundos depois, ouviu uma voz fina e suave pelo interfone.

“Quem é?”

“Oi, sou eu”, ela respondeu da forma mais óbvia possível.

O portão abriu.

“Destrancou?”, perguntou a voz do outro lado do interfone.

“Sim! Estou subindo”.

Enquanto atravessava o hall de entrada, arrumou a meia-calça (que insistia em descer), checou o cabelo pela câmera do celular e aproveitou para dar uma última olhada na maquiagem quando entrou no elevador. Respirou fundo e, com o solavanco do elevador antigo parando no terceiro andar, focou em seu encontro. Não precisou nem chegar na porta do apartamento com capacho do Pac Man, para sentir um cheiro maravilhoso de comida.

Estralou os dedos, como fazia sempre que se sentia nervosa, antes do dono da voz do interfone abrir a porta com um sorriso digno de comercial de creme dental. Ainda que estivesse usando um avental ridículo com a estampa de um corpo masculino cheio de músculos, estava incrivelmente lindo pelo simples fato de ser ele, o Rodrigo do Facebook. 

Laura e Rodrigo tinham se conhecido em um grupo na rede social e conversado por dias no WhatsApp. Era o primeiro encontro e eles não tiveram tempo de ter milhares de conversas e discussões profundas antes de decidirem sair juntos. Eles se gostaram, combinaram e lá estavam.

Ao entrar naquela sala minúscula, mas muito bem decorada, Laura ouviu o último álbum do John Mayer tocando bem baixinho. O som da música misturado ao documentário da TV criou uma atmosfera extremamente charmosa e descontraída. Enquanto se sentava, Rodrigo tirava a massa do forno e, logo após deixá-la esfriando na pia, sentou-se ao lado da garota, que estava com as mãos inquietas. Quando finalmente pararam de discutir sobre a Seleção Brasileira e a escalação para o amistoso contra Portugal, ele sorriu e, olhando diretamente nos olhos dela, deu o primeiro beijo da noite. Não demorou para que fossem para o quarto e se misturassem aos lençóis azul-marinho do estudante de psicologia. O desejo que sentiam um pelo outro era muito mais forte que a fome e o cheiro delicioso que vinha da cozinha. Só podiam saciar uma das vontades e a escolha foi unânime. 

Algumas várias horas depois, voltaram à cozinha e esquentaram o jantar.



Enquanto comiam, dividiram sonhos, metas de longo e curto prazo, o desejo de ir para a Tailândia e de dar banho em elefantes. Laura contou sobre sua marca de lingeries. Rodrigo, sobre o seu projeto de mestrado. Descobriram inúmeras afinidades, desde o amor por coentro até a falta de paciência com Game of Thrones. Conversaram, se entregaram e se envolveram de uma forma simples, legítima, orgânica. Quando menos perceberam, dormiram de mãos dadas até serem acordados pelos raios solares que invadiram o quarto por causa da falta de cortina.

Nas primeiras horas da manhã, Rodrigo levou café na cama para Laura – banana com aveia e mel, capuccino e suco de laranja – e fez questão de chamar o Cabify para a garota que, a essa altura, já tinha colocado novamente o seu vestido que ia até o meio das coxas. Com um sorriso imenso, Rodrigo agradeceu pela noite e, com um olhar terno, Laura sorriu sinceramente, acenando um sim com a cabeça.

O segundo encontro nunca aconteceu, mas o primeiro, para Laura, já teria valido à pena só pelos olhos grandes e castanhos de Rodrigo. Mas foi pela legitimidade da entrega, pela troca de afinidades, pelo beijo. 

E pelos lençóis azuis-marinhos.

. 13/06/2018 .


Esse talvez seja o publipost mais aleatório de toda a história desse blog, mas eu te garanto que estou fazendo o meu melhor para ele ser legal, divertido e que me traga mais benefícios que o dinheirinho que vai me salvar nesse fim de mês. Eu até posso repetir o discurso de que eu só aceito publis que condizem com o mood e temática do blog, mas dessa vez eu serei extremamente sincera: veio um publi de air track gymnastics for sale e eu, no alto dos meus R$ 0,63 na conta-corrente e com o dólar a R$ 3,72, não tive outra escolha se não ser dizer:

"toca pro pai e respira"

Por isso, amigas e amigos que me acompanham há tanto tempo neste site, é que nesse post você descobrirá duas coisas importantíssimas. A primeira é o que é um air track. A segunda é por quê seria incrível você ter um. 


- Michele, o que é um air track? 

O Air Track é uma pista inflável para acrobacias e saltos e que proporciona a realização de vários movimentos de forma dinâmica e desafiadora. Esse acessório (?) pode ser usado tanto para recreação e diferentes experiências corporais, como também para o aperfeiçoamento de saltos e acrobacias para competições. Inclusive, em alguns lugares pelo mundo, o air track já tá sendo categoria de competições. Se eu fosse blogueirinha de moda ainda, poderia dizer que esse post é quase um trend alert, mas vou dar uma segurada, né? rs

- Mas Michele, como é um air track?

O Air Track não é nada parecido com um trampolim - tenho certeza de que você pensou em um, quando eu comecei a falar sobre. Na verdade, ele se parece muito com um tapetinho de ginástica, só que mais gordinho, mais extenso e mais legal. 

- Me dê imagens? 

Sim, te dou imagens! Infelizmente essas fotos não condizem com a aesthetic do blog, mas nem sempre a vida manda coisas que combinam com nosso feed, né? Se nem boy tá rolando, imagina um publizinho, não é mesmo?

 

Agora eu vou te falar porquê você precisa colocar um air track no seu cart (ai que Narcisa Tamborindeguy), mesmo que você não tenha enxergado ainda uma real necessidade além do motivo real para uso. 

  1. Para você ficar pulando, oras
  2. Para fazer futebol de sabão (meu sonho)
  3. Para você ficar dando estrelinha 
  4. Para testar com o mozão e ver que que acontece hahaha

É isso, gente. Espero que tenham gostado desse publipost descarado (mas que foi feito com amor), que tenham curtido saber mais sobre o commercial air track mat e, principalmente, que tenham gostado de saber que a cerveja do meu fim de semana está garantida graças a você, anja. 


Beijo beijo,
Michele

E S S E  P O S T  É  U M  #PUBLIDOAMOR
isso significa que ele foi patrocinado, mas foi feito com
o cuidadin que cê já conhece, tá? 

. 12/06/2018 .
Esse post estava nos rascunhos há uns dias e eu juro que ele não tem nada a ver com o Dia dos Namorados. Mas, caso você esteja com a autoestima abalada por causa da data criada pelo pai do João Dória (se era por isso, já pode ir melhorando depois dessa informação), eu já te garanto que "não ter um amorzinho" não deve, nem de levinho, mudar o a forma com que você se olha, se cuida e se trata. Agora, se você, assim como eu, só está em dias ruins por causa da TPM, esse post cairá como uma luva.

Esses dias eu estava me sentindo muito feia. Quando adolescente, sempre tive problemas graves de autoestima, mas que com muito trabalho, não existem mais há pelo menos uns três anos. Hoje, eu curto muito o que vejo no espelho, me acho linda e não ligo de falar porque foram anos me odiando para ter que fingir que, agora, minha relação comigo mesma não é boa. É boa sim, obrigada. Porém, como nós, mulheres-que-menstruam, somos vítimas de alterações hormonais, nem sempre todo esse amor sobrevive à TPM e, em dias como esse, é bom saber o que fazer para não esquecermos do quão maravilhosas somos. Tá nessas também? Então olha as dicas que, na maioria das vezes, funcionam comigo!


1. Beba água


Quando comecei a reclamar, no trabalho, sobre o quanto estava me sentindo feia, pra baixo e etc, minha amiga falou "Bebe água. É sério!". Ela disse que isso tinha embasamento científico e eu, jornalistona, fui procurar. E não é que Tamira tinha razão? Nossos neurônios necessitam de um certo volume de água para continuarem trabalhando bonitinho. Se eles não têm o básico, não conseguem transmitir os impulsos necessários para nos sentirmos gatas e felizes. Louco, né? Além disso, beber água deixa a pele bonita, o corpo funcionando bonitinho e ainda previne mil coisas ruins que podem rolar em casos de desidratação. Agora, já sabe: começou a ficar numa bad sem motivo? Bora tomar água. 

2. Ouça músicas felizes


Vocês já conhecem o meu amor por playlists e é claro que eu tenho uma playlist para melhorar um dia ruim. Na verdade, quando acordo meio down, a primeira coisa que eu faço é ouvir Love On Top da Beyoncé, mas caso você não seja tão fã da deusa, você pode clicar aqui e conhecer minhas outras opções para sobreviver a um dia de bad. Mas já vou avisando que, se não tem Love On Top, tem Flawless. 

3. Faça uma máscara facial

Mais do que simplesmente fazer uma máscara facial, essa ação promove algo muito importante e que, por muitas vezes, deixamos passar batido com todo o nosso ritmo louco: o self care. Fazer uma máscara facial é um momento só seu em que você se olha no espelho, observa todos os detalhes do seu rosto, descobre suas pintinhas, se faz carinho... É um momento tão gostoso e tão seu que não tem como ficar mal depois de uns minutinhos assim. O melhor de tudo é que você ainda fica com a pele maravilhosa depois desse ritual.

Outra opção de máscara facial caseira

Se você não tiver uma máscara facial legal e quiser usar isso de desculpa para pular essa dica, eu já digo que aqui não, paixão. Com duas colheres de café e uma colher de mel, você já faz um esfoliante maravilhoso que vai remover várias celulazinhas do seu rosto e te deixar com uma pele super macia. É sério! Faz e me conta! ;) 

4. Bote o corpinho pra jogo


Antes de torcer a cara pra mim, ou me apontar o dedo dizendo "Aaah bonita, logo a senhora querendo me mandar fazer exercício?" eu me defendo e digo que, vez ou outra, eu faço algo para balançar o esqueleto, seja uma dancinha (ah lá Beyoncé sendo citada de novo), uma yoga wannabe, ou algum vídeo de zumba que eu assisto por aí. Não é nenhuma novidade que o exercício faz com que a gente produza endorfina e, consequentemente, nos deixe mais felizinhas, certo? Então, sabendo disso, por que não dar uma suada para deixar que o nosso próprio cérebro melhore essa TPM infernal? 

5. Coma algo bem gostoso

Reprodução: Sparrow

Não tem como ser triste de barriga cheia, então, faça esse carinho em si mesma. Escolha uma comidinha bem gostosa, faça um doce bem enjoativo e aproveite, mais uma vez, esse momento com você mesma. Aproveite sua refeição ao máximo e sem pensar em dieta, caloria, ou o que quer que seja. Lembre que sobremesa vai para o coração e o deixa quentinho. <3

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Espero que fique bem :)

Beijo beijo,
Michele

. 11/06/2018 .
Atenção: esse post era de 2013 e foi atualizado por motivos de: vou ter um jantar de Dia dos Namorados com três amigas, vamos trocar presentes e eu mesma recorri a ele. Então, fica a dica! ;)


Era pra eu ter postado esse post no dia 30, mas várias coisas aconteceram, outros posts foram passando na frente desse e quando vi, ele estava lá embaixo nos rascunhos. Mas antes tarde do que nunca, venho com um novo Guia de Presentes para o Dia dos Namorados. Se você não viu os anteriores, de anos atrás aqui no blog, joga ali no search do blog (inclusive, vocês podem usar e abusar dessa ferramenta maravilhosa), vai curtir porque esse guia é diferente do que já estamos acostumadas. Se você quer fugir das lojas Imaginarium-wannabe nesse dia 12 e quer apostar em algo mais fofo e pessoal, cola comigo que é sucesso.


Siga as nossas dicas e não faça coelhinhos de meia!

Optar por presentes personalizados é legal porque:


1) você gasta menos, é uma super opção ser dinheiro for o problema durante a data

2) fica algo bem mais pessoal, já que você fez pensando estritamente na pessoa

3) é divertido fazer - desde que não haja o desespero.

Se você e seu namorado ou namorada conversaram e decidiram que o dia 12 deste ano será comemorado com presentes feitos por vocês, vou dar três dicas legais e breguinhas (porque se não for pra ser breguinha, a gente nem namora). Olha!

1- Scrapbook

Nível de dificuldade de 1 a 5 corações: ♥ ♥ ♥
Você vai precisar de: um scrapbook, papéis off-set coloridos, adesivos, post-it, cola bastão, botões, linhas coloridas de bordado, glitter e qualquer outra frescurinha linda que você quiser.

Tirei a ideia de fazer um scrapbook do filme "Tudo Acontece em Elizabethtown"

Um scrapbook é a coisa mais linda que alguém pode fazer para um namorado ou namorada. Eu fiz para o meu ex-namorado no aniversário dele. Fiz uma espécie de timeline da vida dele e coloquei várias fotos, papéis, passagens de viagens, bilhetinho de cinema, flor, enfim! Scrapbook é lindo mas é muito trabalhoso. Como é tudo muito "único/exclusivo" e demanda tempo, você pode acabar recorrendo também a alguma loja de brindes personalizados para te dar um help. Vale a pena, mas requer bastante tempo e paciência.


2- Uma Mixtape 

Nível de dificuldade de 1 a 5 corações: 
Você vai precisar de: um cd virgem, ou uma fita k7 e muita disposição



Quando eu fiz o scrapbook, eu fiz um CD também - e coloquei dentro do scrapbook ahahaha. Fazer uma playlist com as músicas que te lembram o namorado é legal porque, provavelmente, são músicas que ele gosta também e vocês vão poder ouvir juntos. Na época, era bem mais simples, fácil e rápido de fazer, hoje em dia nem tanto, mas garanto que continua legal.

Ah! Como esse post é antiguinho, as pessoas ainda usavam/compravam CDs, então, a minha dica hoje seria uma mixtape, com fita cassete mesmo. Além de ficar muito ~vibes anos 90~ e cool, consequentemente, por mais que seja trabalhoso, com certeza vai se tornar um presente inesquecível.

Nesse link aqui, você descobre como gravar mixtapes em pleno 2018. Corre!

3- Quadro

Nível de dificldade de 1 a 5 corações: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Você vai precisar de: tela, pincéis e muita tinta


Foto: Reprodução/Instagram @titimuller_

Eu acho lindo quem consegue pintar alguma coisa, porque eu não consigo, definitivamente. Se você consegue, esse é um super presente. Também dá um super trabalho, mas poder fazer do presente uma obra de arte - nem que seja obra de arte só pra ele - e ainda se divertir, não tem coisa melhor! Se você não é nenhum Picasso, mas gostou da ideia, você pode fazer um quadro pra ele usando alguma frase ou ilustração que ele goste. Você pode pintar a moldura (em gesso ou mdf) e deixar o presente mais pessoal. Lá no blog da Kipling tem um tutorial incrível de como fazer essas moldurinhas - sem contar nos exemplos incríveis.

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Pronto! Dei três opções que são super possíveis de serem feitas no prazo que temos!
Inspiração é o que não falta!

. 10/05/2018 .
Era 2014. Eu estava quebrando a cabeça para decidir qual seria a pauta da minha matéria para a disciplina de Jornalismo de Revista. Essa era a matéria pela qual sempre estive ansiosa, afinal, escolhi o curso justamente por ser apaixonada por revista. Talvez por essa paixão, nenhuma pauta que eu escolhia parecia ser boa o bastante para ser "a minha matéria de revista", já que pra mim, estampar uma revista, ainda que laboratorial e circulação restrita a faculdade, era sério demais para eu me contentar com qualquer coisa. Como a "pauta perfeita" não chegava, decidi fazer sobre "diabetes em jovens e adolescentes" e usar o meu até-então namorado como personagem principal. 

O texto se arrastava, a apuração era um saco, a entrevista com o endocrinologista era extremamente séria e eu não me enxergava lendo a matéria que estava escrevendo - e isso ia contra todos os meus critérios de criação. Sabia que precisava mudar de assunto e, com o deadline, se aproximando, eu já estava com uma quantidade pesada de material para a tal reportagem sobre diabetes. Foi somente quando algo ruim aconteceu comigo que a "pauta perfeita" apareceu: quando descobriram meu namorado no Tinder. 

Ilustra: Sabrina Arnault

Lembro até hoje: eu estava sentada na cadeira do salão, enquanto minha tia arrumava o meu cabelo para as fotos de preto da faculdade, quando meu melhor amigo me perguntou se "tudo estava bem com meu namorado". Já gelada, perguntei o porquê da pergunta e ele me disse que enviaram um print dele no Tinder, ativo há seis minutos. Vi a imagem e meu coração gelou. Era o meu namorado usando a foto que eu mais gostava ali, no Tinder, ao mesmo tempo em que ele me mandava mensagens perguntando sobre o horário da minha saída da faculdade naquela noite.

Acelerando um pouco os fatos, eu desculpei o namorado mesmo que estivesse bastante mal com a história. Então, decidi que transformaria todo aquele sentimento ruim em algo produtivo. Fiz uma matéria sobre o Tinder em Araçatuba (era novidade, na época, e não tinha tanta adesão) e um box destacado com o título "Peguei Meu Namorado no Tinder", onde eu não só entrevistava a melhor-amiga do meu namorado (que tinha passado por algo do tipo), como eu mesma dei um depoimento anônimo para a reportagem. Resultado: minha matéria foi uma das mais comentadas e tinha chamada destacada na capa. 

Mas o que eu quis dizer, afinal, com esse melodrama que foi vivenciado ao som de The Black Keys? É que essa foi a minha primeira lição prática sobre "como transformar coisas ruins em coisas incríveis".

Ilustra: Sabrina Arnault

Mais tarde, cerca de um ano e pouco depois, meu namoro com essa mesma pessoa finalmente chegou ao fim e, sem nenhuma dúvida, posso dizer que foi o término mais dolorido da minha vida. Eu realmente pensei que toda aquela dor jamais passaria (e quem lê esse blog há mais tempo, sabe que é verdade). Eu precisava me distrair, precisava desviar minhas atenções e, principalmente, precisava agir. Me perguntei: "o que eu quero mais do que superar esse namoro?" e a resposta veio com mais facilidade do que eu pensava e com mais força do que eu esperava: "Me mudar para São Paulo".

E foi assim. Juntei toda a força que eu tinha, somei com a vontade de esquecer meu ex-namorado e fiz tudo o que podia para mudar de cidade. Criei minhas oportunidades: fiz uma lista com vários apartamentos à venda, conversei com minha chefe da agência e perguntei sobre a possibilidade de transferência para a unidade de SP, me inscrevi para o Curso Abril de Jornalismo e fiz uma entrevista no grupo detentor da Kipling. Me segurei nas minhas únicas três chances como quem se agarra a uma corrente quando se está à beira de um precipício. Eu precisava que aquele plano desse certo e sabia que ele dependia só de mim.

Ilustra: Sabrina Arnault

Com muito mais felicidade do que surpresa, se me permite a prepotência neste caso, as três coisas deram certo. E toda a dor que eu sentia pelo término de um namoro pesado se transformou em gratidão, afinal, eu tinha a ciência de que aquilo só aconteceu porque eu precisei transformar algo doloroso em algo produtivo. Precisei canalizar minhas energias, direcionar meu foco. Foi quando fiz minhas malas que aprendi que as coisas acontecem porque precisam acontecer e que nossa força está em lugares em que nem imaginamos. Que a mudança é uma coisa linda, mesmo que a gente não consiga enxergar sua beleza de forma imediata. E eu não estou falando de imóveis online.

Desde então, no decorrer da vida, outras situações do tipo foram acontecendo. Umas mais intensas, outras mais suaves, mas todas elas me mostrando que a vida é esse caos todo onde uma coisinha de nada pode ser fundamental para todo um futuro que está por ser construído. Em 2017, tive mais um exemplo. Vivi mais um término e, diferentemente do último que me lembrava, eu já sabia o que tinha que fazer pra passar: eu precisava me lembrar de algo que eu quisesse muito - ainda mais do que esquecer uma pessoa.  Então, veio a coragem de mandar meu livro para uma editora grande e um mês depois, recebi a notícia de que ele seria publicado. Mais uma vez a dor serviu de impulso para algo lindo. Mais uma vez o término de um ciclo se mostrou belo. 

Ilustra: Sabrina Arnault

Assim, passei a enxergar a vida de uma forma quase Pollyanna. Quer dizer, é óbvio que a frustração chateia, que as decepções machucam e que dor-de-amor-dói-pra-caramba-mesmo, mas eu aprendi que quando a gente consegue enxergar algo além da neblina e se esforça para sentir alguma coisa que faça esquecer o ardor do machucado recém-feito, conseguimos transformar as coisas. E a vida. [A nossa, principalmente].

"O mundo não é uma fábrica de realização de desejos", já disse John Green em um de seus mais famosos livros adolescentes - e não é mesmo. Mas ela vai ensinando os macetes para você sobreviver a ele. Às vezes com paciência e outras nem tanto, mas ele nos mostra que todas as coisas se transformam.

E principalmente, nos transformam também.