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(Meus) cancerianos

O primeiro era felicidade e gargalhada. Não importava muito o motivo, sempre acabávamos rindo. Rindo alto, daquele jeito nenhum pouco sensual como os nossos livros favoritos descreviam sorrisos - mas de uma forma altamente contagiante. A barriga doía e precisávamos nos inclinar para conseguir lidar com a força daquele riso.

O segundo era reflexão. Nossas conversas regadas a boas cervejas sempre me traziam conclusões às quais eu jamais chegaria sozinha. Pareciam óbvias demais, depois de ditas por ele. Sempre me apresentou serenidade e cuidado. Inclusive, ele tinha essa mania de cuidar das pessoas que se aproximavam dele e comigo não foi diferente. Sorte a minha. 

A terceira era companheirismo. Bom ou ruim, com sorriso ou dor no peito, ela estava lá para tentar me lembrar de quem eu era e o que eu merecia. Ao mesmo tempo em que lidava com suas próprias tempestades, me lembrava sempre de levar um guarda-chuva na mochila. Me fazia feliz com apenas duas palavras e compartilhava dos mesmos sonhos que eu.

Os três pertencem às artes. 

O primeiro se expressa por desenhos, cores e traços que representam pessoas, histórias e sentimentos. Colore a vida, pincela os dias.

O segundo faz da música sua voz. Pode não falar muito sobre o sentir, mas consegue escolher e fazer músicas que o fazem com perfeição - e talvez seus arranjos digam por ele, também.

A terceira tem afinidade com as palavras. Faz do texto sua extensão e respiro.

Essas três pessoas só tinham duas coisas em comum, além do pertencimento à cultura:
o signo e a posição de "melhor amigo".


Com o primeiro, aprendi que eu era grande demais para alguns lugares - e que eu poderia ser o que eu quisesse. Ele me mostrou que qualquer meta (ou sonho) poderia ser possível desde que eu me propusesse e concretizá-lo. Me ensinou o peso das decisões e mais um significado para a palavra família. 

Com o segundo, aprendi que eu realmente aceitava o amor que eu achava merecer e que eu merecia muito mais (mesmo). Me ensinou a analisar pessoas e situações de um jeito mais real e menos fantasioso, o que me fez crescer emocionalmente em vários sentidos. Sem querer, me ensinou que tudo acontece por um motivo, quando apareceu na minha vida depois de uma das fases mais difíceis dela. 

Com a terceira aprendi - e aprendo - que quanto mais sólida a amizade, por mais provas ela passa. Nos tratamos como irmãs, desde a cumplicidade até as brigas pela bagunça. Aprendemos que as diferenças são poucas se comparadas com a parceria desenvolvida ao longo dos anos, e que distância não é nada. Me ensina diariamente que é possível ter uma força extrema ao mesmo tempo em que dá o mais bonito dos sorrisos.

Com ambos, aprendi que assim como os caranguejos, a gente pode brincar tranquilamente com a imprecisão das marés se lembrarmos da importância de fazer morada em terra firme. Em nossas longas conversas, me lembram que as águas podem nos levar pra onde elas quiserem e, por isso, é fundamental não apenas aprender a nadar, mas mergulhar. 

Não existem águas rasas quando fala-se de cancerianos. 

Eles me mostram que nessa imensidão toda (da vida, das águas, das pessoas) e com tantos medos quanto criaturas marinhas, existem poucas certezas sobre os dias que virão. Fazem questão de me lembrar que, assim como o mar, a vida é imprevisível e não dá para adivinhar o que virá pela frente - e que por isso é imprescindível ter um ponto de orientação na hora de seguir o caminho. 

Tanto faz se é farol ou constelação.  Até porque, no meu caso, são pessoas. 

E são três. 

Mulher-Maravilha: um filme realmente maravilhoso

Sério, eu não consigo começar esse post sem definir esse filme com uma única palavra: MARAVILHOSO. Me perdoem pelo clichê de usar o nome da heroína para resumir o que achei sobre o longa, mas não tem jeito - o filme da Mulher Maravilha faz jus ao seu nome. 

Não existe outra palavra para descrever essa obra cinematográfica. Não estou dizendo que ele é perfeito em todos os sentidos, até porque teve algumas coisinhas que eu tive que torcer o nariz, mas, de modo geral, que lindeza de filme. E que surpresa boa, principalmente depois da polêmica com Batman vs Superman, que teve um hype imenso, mas que, no final, achei que deixou a desejar.

Mulher-Maravilha foi criada nos anos 40 pelo Dr. William Moulton Marston, também conhecido por seu pseudônimo Charles Moulton. Moulton era um psicólogo que ajudou a criar o detector de mentiras - transformado no “laço da verdade” nos quadrinhos -, e defendia a igualdade de gêneros. Assim, 75 anos depois da sua criação e primeira aparição nas HQs, estava mais do que na hora de a heroína ganhar um filme só dela, né?


Gente, mas antes de falar do filme em si, preciso falar da escolha da atriz israelense Gal Gadot para o papel. Que linda, carismática, fofa, encantadora que ela é! Sério, acertaram muito na seleção e acho que, da mesma forma que não dá para imaginar outra pessoa como Tony Stark a não ser o Robert Downey Jr., o mesmo pode ser dito de Gal Gadot e Mulher-Maravilha.

Rolou a maior polêmica quando a escalaram para o papel, muito por causa da questão dos estereótipos: mais uma atriz no padrão magra, linda, modelo de ser, teve até gente falando que deveriam ter escolhido alguém mais forte e musculosa, mas a Gal Gadot calou muitos e mostrou que ela foi a melhor escalação da DC dos últimos tempos. Como se não bastasse, Gadot, além de ser atriz, é bailarina, modelo e ainda serviu ao exército israelense, ou seja, ela não só é treinada em combate real oficial, como também tem todo um porte, uma movimentação e imponência que transparece nas telas, tudo graças ao seu histórico. Ah! E vocês sabiam que a atriz precisou fazer refilmagens de algumas cenas com cinco meses de gravidez? Muito amor por ela!

Agora vamos ao filme. Como é a primeira obra cinematográfica dedicada exclusivamente à heroína, o longa trata de contar a história da origem de Diana, princesa das Amazonas, nossa Mulher-Maravilha.

O filme inicia-se nos dias atuais, quando Diana, enquanto trabalhava no Museu do Louvre, recebe um presente de Bruce Wayne e lembra como deixou a Ilha de Themyscira, local em que cresceu, habitada apenas por mulheres e escondida, por Zeus, do cruel Ares – deus responsável por toda a escuridão dos conflitos entre os homens. Lá Diana é educada segundo os altos padrões da ilha, aprendendo mais de cem línguas e devorando livros, atém de ser treinada por Antíope (Robin Wright), a maior de todas as guerreiras Amazonas, sob o olhar vigilante da Rainha Hipólita (Connie Nielsen).

Quando o avião do espião americano Steve Trevor (Chris Pine) rompe a redoma criada por Zeus, que mantinha a Ilha Paraíso (outro nome para Themyscira) escondida, e cai, Diana não pensa duas vezes e mergulha para salvá-lo. Uma vez levado à presença da Rainha Hipólita e das demais guerreiras, Steve conta às Amazonas do conflito de proporções gigantescas que acontece para fora dos limites da ilha e, Diana, impedida de negar o desejo de protejer os inocentes e certa de que Ares é o responsável pelo confronto global, deixa a ilha com o militar.

Existe uma enorme diferença cultural entre os personagens Diana e Trevor e a diretora do longa, Patty Jenkins, fez um trabalho incrível com esse material. Ela usa justamente as sequências de choques culturais como maneira de trazer, de forma sutil e divertida.. A própria Gal Gadot, em entrevista à revista Entertainment Weekly, fala como era importante para ela que a personagem nunca tivesse de fazer sermão sobre como os homens deveriam tratar as mulheres, tendo mais a ver como estar alheio às regras da sociedade, atiçando o espectador a ver a si mesmo e ao mundo, considerado normal, com outros olhos.

Eu não vou dar muito spoiler, mas se tem uma cena que eu preciso comentar é a que ela abre caminho na Terra de Ninguém. Quando ela chega na trincheira, local em que nenhum homem jamais conseguiu atravessar e sai, caminhando, chamando atenção e sendo o alvo de todos os tiros, é como se ali ela estivesse derrubando todas as críticas e colocando por terra todas as pequenas coisas que nós escutamos todos os dias, que não podemos fazer isso ou aquilo. Enfim, é nessa cena que temos uma personagem feminina extremamente forte. É um exemplo de heroína que ficará para as futuras gerações.


Resumindo, Mulher-Maravilha é um daqueles filmes que inspira. Ele consegue ser divertido sem ser piegas e, apesar de tratar de temas sérios, ele o faz sem ser pesado ou tolo. É um longa que encanta e fala sobre coragem, esperança e bondade e a Mulher-Maravilha é tudo isso: doce, inocente, destemida e poderosa, mas ela também é uma heroína que não tem medo de mostrar seus sentimentos.

Não há dúvidas de que ainda temos um looongo caminho a percorrer, mas hoje já podemos encontrar mulheres poderosas a frente de grandes empresas e muito bem-sucedidas em áreas outrora governada apenas por homens, como Liv Boree ou Fátima de Melo, que dominam nas mesas de poker, e Ana Beatriz Figueiredo, referência quando o assunto é automobilismo. Ainda, é impossível deixar de mencionar os feitos de Venus Williams no tênis – poucos atletas, homem ou mulher, são tão dominantes como ela.

Mas precisamos de mais e o filme Mulher-Maravilha é de grande ajuda na hora de inspirar e elucidar as novas gerações. Esse, fora o entretenimento, é um grande trunfo do longa.

#COLAB DO AMOR
O post foi feito em parceria, mas 
com o mesmo amor de sempre, tá?

Icebergs

Hoje em dia, o que conhecemos das pessoas não é nada muito além da pontinha de seus próprios icebergs.

Você, eu e a moça simpática que me sorriu quando pedi um café na padaria

mostramos apenas o que é fácil, leve, bonito e gentil.


Ao mesmo tempo,

reclamamos (constantemente) da superficialidade das relações,

mas...

quando foi a última vez que você teve coragem de mergulhar em águas turvas e geladas para tentar entender a profundidade de outro alguém?

É.

Eu também desaprendi a nadar.